09 de julho de 2026
Cultura

Melodia vai de encontro à luz


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Nelson Antoine/Milenar Imagem
Luiz Carlos dos Santos, eternizado como Luiz Melodia, lançou primeiro disco, "Pérola Negra", em 1973: palco, prêmios e adeus 

Muito samba, um tanto soul: Luiz Melodia. Nome imenso, perda gigante. Lutava contra um câncer na medula óssea e sucumbiu ontem, aos 66 anos, sem deixar substituto. Melodia foi tão marcante quanto único.

Cantor e compositor que saiu do morro de São Carlos, no bairro do Estácio, era hábil em subverter rótulos musicais. Como se fosse um sambista formado na Motown (icônica gravadora norte-americana dos expoentes da black music). 

"Perdemos uma grande melodia", resume, em tom poético, o músico bauruense Isaac Ferraz. "Ele era e sempre será uma das minhas maiores referências musicais. Com certeza o céu vai ficar muito, muito melodioso".

"Nos meus discos, o ébano continuará cantando suas letras com obervações do cotidiano e das relações humanas. Viva a melodia da Música Popular Brasileira!", exalta Fábio Fleury - conhecido produtor da Unesp FM, onde Melodia sempre foi um dos artistas mais tocados.

Na avaliação do músico Henrique Rosa o autor de "Pérola Negra", "Juventude transviada", "Magrelinha" e "Estácio, Holy, Estácio" tinha, como compositor, "liberdade criativa fora do comum". "Com melodias elegantes e letras pra lá de originais". E mais: "Foi um dos nossos maiores intérpretes. Uma triste perda, num cenário já tão empobrecido".

Luiz Melodia - cujo último show foi em 9 de julho do ano passado em Jaú - é velado na quadra da escola de samba Estácio de Sá.

O enterro será hoje, às 10h, no Cemitério do Catumbi, Rio de Janeiro.