08 de julho de 2026
Geral

Colesterol: consciência e alerta necessários

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Samantha Ciuffa
Endocrinologista Juliana Zenebra, do AME:  "Até pessoas magras podem ter colesterol elevado"

A busca por hábitos de vida mais saudáveis é um fenômeno crescente no Brasil, mas, ainda assim, uma grande parcela da população tem pouca informação sobre a própria saúde. Pesquisa divulgada recentemente pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) revelou que 67% dos brasileiros desconhecem sua atual taxa de colesterol.

Em excesso na corrente sanguínea, o composto químico pode provocar problemas cardiovasculares, como infarto e AVC (Acidente Vascular Cerebral), duas das principais causas de mortes no Brasil. Por isso, anualmente, há uma mobilização para conscientizar sobre este cuidado, com o Dia Nacional de Combate ao Colesterol, comemorado hoje.

Ainda de acordo com a SBC, 40% da população adulta no País possui níveis elevados de colesterol. Diretora clínica do Ambulatório Médico de Especialidades (AME) de Bauru, a endocrinologista Juliana de Barros Cruz Zenebra explica que o problema é causado por alimentação inadequada - rica em gorduras saturadas e gorduras trans, além de sedentarismo, obesidade, hipertensão e tabagismo. Pessoas com histórico familiar também podem apresentar taxas alteradas de LDL, o chamado "colesterol ruim".

"Por isso, até mesmo pessoas magras podem ter colesterol elevado. Elas devem ficar atentas, principalmente, se tiverem parentes de primeiro grau (pais, irmãos, tios e avós) com colesterol alto e que tiveram doenças cardíacas", explica.

Apesar do índice significativo de desconhecimento sobre o problema, a endocrinologista avalia que o nível de conscientização da população vem aumentando ao longo dos anos, até mesmo entre os homens. Por outro lado, de acordo com ela, crianças têm apresentado taxas elevadas cada vez mais cedo.

Estudos da SBC apontam que 20% dos brasileiros entre 2 e 19 anos apresentam níveis inadequados de colesterol no sangue. Como é uma doença silenciosa, com inexistência de sintomas nos estágios iniciais, o exame de sangue é a única maneira de analisar as condições do funcionamento do organismo.

"O exame é ofertado nas unidades básicas de saúde e no próprio AME. E temos visto que as pessoas têm procurado mais os serviços e programas de prevenção à saúde, incluindo o controle de colesterol", frisa, salientando que, a partir dos 20 anos de idade, é preciso realizar o exame periodicamente. A frequência, assim como o nível máximo de colesterol a ser mantido, varia de acordo com a idade e os fatores de risco de cada indivíduo.

RISCO

Em níveis normais, o colesterol é importante para sintetizar vários hormônios e ácidos biliares que ajudam na digestão das gorduras. Mas, em excesso, pode se fixar nas paredes das artérias, determinando um processo conhecido com arteriosclerose, que pode gerar dor no peito e fadiga e levar a um quadro de infarto ou derrame cerebral.

Dono de três restaurantes em Bauru, o empresário José Alcântara Marangon Junior, 49 anos, sabe o risco que corre. Com taxa de colesterol em torno de 700 mg/dL - mais que o triplo do índice máximo para uma pessoa saudável, ele revela que não consegue adotar hábitos de vida mais saudáveis.

"Meu pai já tem pontes de safena e mamária. Comigo, ainda não aconteceu nada mais grave, mas sei que pode acontecer, porque tenho colesterol alto há mais de dez anos. Tenho um rotina agitada por causa dos restaurantes e não consigo me exercitar todos os dias ou comer de maneira mais regrada", lamenta.