09 de julho de 2026
Geral

Sem reajuste em repasse, Apae prevê suspensão de serviços de educação

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 2 min

Douglas Reis
Presidente da Apae Bauru, Olga Bicudo, com a presidente da Feapaes-SP, Cristiany de Castro

Presidente da Federação das Apaes do Estado de São Paulo (Feapaes-SP), Cristiany de Castro esteve ontem em Bauru para uma reunião com as entidades da região. Na ocasião, ela destacou a luta do órgão pela atualização do repasse concedido pelo governo do Estado, para o atendimento especializado em educação. "Desde 2014, o valor está congelado", apontou.

Sem o reajuste, as unidades estaduais da Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), incluindo a de Bauru, preveem suspensão do serviço, que, no município, atende em torno de 500 alunos. "O custeio aumentou bastante ao longo do tempo e a contrapartida tem ficado muito alta, superando os 50%", ressalta Castro ao Jornal da Cidade. 

Segundo ela, o custo médio mensal do atendimento especializado em educação é de R$ 807,00 por aluno, mas o valor recebido através de parceria mantida com o governo estadual é de R$ 291,00 por mês, o que representa uma defasagem de R$ 515,00 por estudante.

"Temos feito eventos e buscado auxílio de empresas privadas para adquirir recursos que possam possibilitar a complementação da verba, mas a crise econômica tem dificultado também a nossa captação junto à comunidade", lamenta a presidente da Feapaes.

Em uma assembleia geral, as Apaes do Estado decidiram que, se o governo não fizer o repasse ao menos dos valores referentes ao Fundo Nacional para o Desenvolvimento do Ensino Básico (Fundeb) - que seria de R$ 348,00 -, o serviço prestado pode ser interrompido.

"Enviamos a proposta ao governo estadual e estamos aguardando uma definição. A situação não impede, por exemplo, a formalização de parcerias com os municípios. Porém, são mais de 20 mil atendimentos realizados com auxílio do Estado que serão prejudicados", frisa Castro.

DESASSISTIDOS

Como consequência da possível suspensão do serviço, os cerca de 500 alunos da Apae Bauru, a exemplo dos mais de 20 mil em todo o Estado, devem ficar desassistidos, uma vez que a "rede regular de ensino não está preparada para receber as pessoas com deficiência grave", aponta a presidente da Feapaes. "Se nós deixarmos de atender esse público, o governo não conseguirá suprir o atendimento de imediato".

Presidente da Apae Bauru, Olga Bicudo destaca que, caso haja o reajuste do repasse, haverá uma maior inclusão de alunos. "O objetivo é conscientizar as forças governamentais de que se faz necessário a atualização dos recursos. Caso contrário, não temos condições de manter o nosso atendimento, que na cidade é bem grande. Por aqui, atendemos cerca de 500 alunos. No geral, entre assistência social, saúde e educação, são mais de 2 mil usuários", discrimina.

OUTRO LADO

Em nota, a Secretaria de Educação do Estado disse que "reafirma o seu compromisso com as Apaes e entidades que atendem aos estudantes com deficiência e autistas". A pasta ressalta "que nenhum destes estudantes que precisam está sem atendimento e estão sendo investidos em 2017 R$ 100 milhões para a manutenção dos convênios".