Excesso de poeira no ar, excesso de queimadas, excesso de pessoas doentes nas unidades de saúde da cidade. Bauru atravessa uma condição extrema prestes a completar dois meses de estiagem e espera, como nenhum outro momento neste ano, pelo alívio que vem dos céus.
Segundo o Centro de Meteorologia de Bauru (IPMet), o último dia com chuva significativa no município foi registrado em 13 de junho, quando a precipitação acumulada foi de apenas 8 milímetros. Desde então, já foram 57 dias de seca, o período mais longo com baixa umidade relativa do ar em 2017. Ontem, o índice chegou a 23% e a temperatura a 32,8 graus, a mais alta deste inverno.
A trégua na estiagem é prevista pelo IPMet para segunda ou terça-feira, devido à aproximação de uma nova frente fria que deve se deslocar pelo Estado, intensificando a nebulosidade e deixando o tempo instável.
Será um alívio para o estudante Brayan Felipe Carlos Oliveira, 16 anos, que precisou ir à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Ipiranga, ontem, para fazer inalação.
Com crise de bronquite, ele permaneceu por quase um dia inteiro sob cuidados médicos, até que pudesse receber alta. A mãe, Fabiana Carlos dos Santos, 35 anos, conta que o menino é penalizado todos os anos durante o inverno, quando as secas costumam se prolongar.
"O nariz fica ruim e o peito começa a chiar. Para prevenir as crises, colocamos umidificador de ar no quarto e ele usa bombinha (broncodilatador), mas nem sempre resolve e precisamos correr até a UPA", comenta.
ALERGIAS
Nas unidades básicas de saúde, 30% dos pacientes atendidos nesta época do ano procuram ajuda médica por doenças respiratórias, conforme revela Paulo Roque Carlotto, diretor do departamento de unidades ambulatoriais do município. Em outros períodos, este tipo de problema costuma responder por 15% da demanda.
"Com a redução da umidade, a hidratação das vias aéreas também diminui e micropartículas ficam por mais tempo suspensas no ar, o que favorece o surgimento de reações alérgicas para quem tem tendência, como rinite, sinusite e bronquite", detalha.
Além das alergias, as infecções respiratórias, como resfriados, gripes e pneumonias, são outro problema que sobrecarrega a rede de saúde no inverno, já que as pessoas tendem a permanecer por mais tempo em ambientes fechados, com pouca ventilação, tornando mais fácil a transmissão destas doenças.
MAIS QUEIMADAS: 8 CASOS POR DIA
| Samantha Ciuffa |
| Ontem, incêndio consumiu parte da mata às margens da av. Jorge Zaiden, nas imediações do Sambódromo |
O Corpo de Bombeiros atendeu, no mês passado, inacreditáveis 250 ocorrências de fogo em mato em Bauru. Em média, foram oito casos a cada dia, mais que o dobro do registrado em períodos considerados normais. Em abril, quando a chuva acumulada foi de 119,1 milímetros, foram 94 casos, ou cerca de 3 atendimentos por dia.
Em agosto, a média diária acompanha as estatística do mês passado. Somente ontem, os bombeiros atenderam 10 ocorrências, uma delas na região de mata existente entre a avenida Água Comprida e o Sambódromo, no Jardim Samburá. No mesmo local, um incêndio foi registrado há menos de 20 dias, em 24 de julho.
"Há grande quantidade de vegetação no entorno e dentro da cidade, incluindo terrenos baldios, e estas áreas ficam extremamente secas. Normalmente, o fogo é provocado pela ação humana, por alguém que ateia fogo em lixo ou joga uma bituca de cigarro sem se dar conta da proporção que esta atitude pode tomar. É uma demanda para o Corpo de Bombeiros que poderia ser evitada, é prejuízo para o meio ambiente e para a saúde das pessoas", alerta o tenente Victor Felix Tozi, oficial de relações públicas do 12.º Grupamento de Bombeiros.