08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Preconceito velado

Fabiana Rosa, estudante
| Tempo de leitura: 1 min

Eu não tenho preconceito! Tenho vários amigos gays! Adoro! São divertidos, os melhores amigos! Ai, sabe o Fulano? Então, ele é! E eu frequento o salão dele numa boa! Não tenho preconceito nenhum, imagina!

Quantas vezes ouvimos e ainda ouviremos colocações como estas ao longo de nossas vidas? Na realidade, não seriam tais colocações sutis estratagemas que sustentam a homofobia velada? Não seriam tais frases instrumentos de autoafirmação e busca de aceitação social? Em tempo: "pessoas do bem" não podem ser preconceituosas. Não estaríamos nós segregando, carnavalizando, estigmatizando veladamente nossos iguais, mesmo convivendo e precisando de tal convivência com estes todos os dias?

Quantas piadinhas infames, travestidas de simpatia, ainda serão jogadas no ar durante o intervalo para o café no trabalho? Quantos casais ainda serão perseguidos? Quantos filhos ainda serão constrangidos? Quantas mães chorarão ao ver o sofrimento de seus filhos diante da intolerância? Quantos sorrisinhos maliciosos ainda serão distribuídos antes de um preconceituoso bom dia?

Quantas pessoas mais passarão a vida escondendo do mundo quem elas são realmente por temerem a opinião dos outros? Quantos mais terão que sofrer, apanhar, morrer? Até quando o ser humano se julgará superior a outro ser humano? Em qual prisão trancafiaram a liberdade de ser você mesmo? Como disse Johann Goethe, "Ninguém é mais escravo do que aquele que se julga livre sem o ser."