07 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Overdose

Demerval Assis da Silva
| Tempo de leitura: 2 min

"Meus heróis morreram de overdose / meus inimigos estão no poder / ideologia eu quero uma pra viver." Essa é uma parte de um dos sucessos do cantor Cazuza, que morreu nos tempos da "Aids braba", acho que pela falta dos recursos dos coquetéis que agora, dependendo do caso, não tornam a terrível doença tão mortal.

Nessa semana, foi engrossar o time de grandes cantores no céu "O Negro Gato" Luiz Melodia", mais um grande interprete. Como uma grande leva de artistas "cismou" de ir embora justo agora? Sem contar Michael Jackson, Janis Joplin, Jimi Hendrix e a nossa Elis Regina, que tão bem contou Belchior, que acabou indo também.

Mais um engano nosso, ao termos a impressão de que só os "bons" morrem cedo. Acho que todos têm sua história e teremos nossa finitude. Por mais que nos cuidemos levando uma vida regrada e vivamos atentos ao que faz bem e ao que faz mal, quando menos esperarmos, toparemos com a placa indicando o fim da linha.

É lógico que não devemos deixar de nos cuidar, muito mais pela qualidade de vida que teremos, mas até isso é questionável. Para muitos, o vício é uma forma de viver em plenitude. Quem é que pode discutir essa questão?

Como as figuras públicas, também deixaremos nossas obras de alguma forma. Umas resistirão mais ao tempo, deixando como legado um livro, um instrumento musical, uma bela canção, um filme de ficção; outros ainda filhos, netos e bisnetos; alguns apenas um longo beijo que deixou saudade, eterno amor. Melhor assim que as más obras, como por exemplo ganância e impérios construídos em cima da miséria alheia, se esquecendo que a placa indicando o fim da linha pode estar na próxima curva do caminho. Porém, a posologia a ser ministrada em nossas vidas depende, muitas vezes, de nós mesmos.

"Cada cara representa uma mentira. Nascimento, vida e morte, quem diria." (Luiz Melodia)