08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Amor de Pai

Professor José Marta Filho
| Tempo de leitura: 3 min

Pai, meu pai, papai, eu te amo.

Eu te amo também meu filho.

O que eu sinto por você e você sente por mim, esse amor é tão sincero.

Esse amor é tão puro, esse amor vem de Deus. (Regis Danese)

É verdade. É tanto amor que só pode ser divino e, na maioria das vezes, silencioso. Amor de um olhar, de um abraço... No fundo do coração de um pai, seus filhos são os melhores e mais bonitos do mundo. Mas isso não pode ser dito porque vulgariza o sentimento. Mesmo quando o filho erra, o pai aparece para justificar ou amenizar sua falha.

Nas turbulências da vida de um filho, o pai sempre tem palavras acalmadoras, ou retificadoras, ou consoladoras, ou atenuadoras. Pai é pai e sempre está pronto para ajudar os filhos, não importa que idades tenham. Que satisfação os ver criados, bons profissionais e queridos pelos amigos!

Pai, diz Mário Quintana, como céu, tem três letras. E nele cabe o amor infinito. Todo bem nunca é tão grande como o (bem) que ele nos quer. Palavra tão pequenina, bem sabem os lábios meus que és do tamanho do Céu. E apenas menor que Deus! Amor de pai é a coisa mais inexplicável do mundo. Nem um pai consegue dizer para um filho o quanto o ama, nem o filho sabe dizer ao pai, então eles simplesmente demonstram.

Lembro-me com saudades de meu pai, simples, trabalhador e honesto. Era maravilhosamente ético, inteligente e sensível. Dificilmente nos abraçava e brincava conosco. Não tenho fotos com ele sorrindo. Amava os filhos de outra maneira. Nos deixou prematuramente aos 42 anos ao sofrer um enfarte fulminante na rua. Alguns dizem que é a melhor morte que existe, pois não fica sofrendo na cama com uma longa enfermidade. Pode ser, mas para os que ficam é triste porque se tem a sensação de não ter dito tudo que gostaria de dizer-lhe. Ainda hoje, quando me veem lembranças da saudade que ficou, digo Presente. É meu compromisso de continuar seus planos e sonhos no mundo. Sonhos que agora compartilho com o Gustavo/Mirela, a Taís e o Guilherme, meus queridos filhos.

Tenho um tio (Abílio) com 95 anos bem vividos. É cercado de todo carinho dos filhos, netos e bisnetos; quando o encontro, fala com alegria de cada um. E "rasga" elogios a todos. Ele pode e até fica elegante. A relação dele com os filhos lembra a letra da música "Meu Velho": "Meu velho pai, você sofreu para me criar, agora eu vou lhe cuidar. Esta é minha obrigação. Não tenha medo, meu velhinho adorado. Estarei sempre ao seu lado, não lhe deixarei jamais. Eu sou o sangue do seu sangue, papaizinho. Não vou lhe deixar sozinho, não tenha medo, meu pai. Você sofreu quando eu era ainda criança. A sua grande esperança era me ver homem formado. Eu fiquei grande, estou seguindo o meu caminho. E você ficou velhinho, mas estou sempre ao seu lado, meu pobre pai. Seus passos longos silenciaram, seus cabelos branquearam, seu olhar se escureceu, a sua voz quase que não se ouve mais. Não tenha medo, meu pai, quem cuida de você sou eu, meu papaizinho. Saiba que não vou deixar você sozinho, abandonado. Eu sou seu guia, sou seu tempo, sou seus passos, sou sua luz e sou seus braços. "

Nesse dia, abraço os filhos dos pais que já se foram para a eternidade na certeza de que a morte é uma transformação e não um ponto final, não é o fim. Continuam vivendo em outra dimensão - a espiritual - com os sentimentos adquiridos, com a visão espiritual expandida, com os amores, as alegrias e saudades.

Parabéns a todos os pais biológicos e adotivos. Cada um com uma personalidade única, um estilo diferente, uma forma específica de demonstrar o seu amor. Pais que trabalham e pais que não têm trabalho. Pais que ao mesmo tempo são mães, aqueles que dobram o turno para deixar tudo em ordem.

Pais que, além de simplesmente participar, marcam presença, fazem acontecer.