08 de julho de 2026
Articulistas

Para que ser advogado?

José Antonio Milagre
| Tempo de leitura: 2 min

Para que ser Advogado se acovarda-te diante de abusos e absurdos e não se revolta com a agressão aos direitos das pessoas? Pense e reflita. Só faz sentido advogar se existir propósito, algo além de satisfazer suas necessidades financeiras e patrimoniais.

Ser advogado é sentir a dor do outro, é ser comprador de brigas alheias! Me recurso a aceitar que advogar seja uma profissão de aparente frieza, de tarefas massificadas e mecanizadas, em que um cliente não é visto como um ser humano com problemas, mas apenas um número, ou mais um, antes ele do que eu...

Se você pensa assim, você não advoga, você usa a Advocacia E pode se frustrar no futuro! Se você ainda não é Advogado, pense bem na responsabilidade desta profissão!

O Advogado é um agente de transformação, é quem apresenta e aclara o direito violado e é quem instrumentaliza a Justiça em um mundo norteado pelo litígio. Advogar é estudar, é não ter hora, é estar disponível, é pensar, lutar pela justiça a despeito do direito, é tolerar a verdade alheia, é ter paciência, fé, é esquecer as derrotas e também as vitórias, mas principalmente, é zelar pela valorização da Advocacia, é respeitar e defender incondicionalmente os colegas e é amar a profissão, não se envergonhar dela, ciente da sua relevância na vida de qualquer pessoa!

Advogar é mais do que uma carteira de clientes, ser chamado de doutor, de um terno, gravata, ou do que um belo escritório. Advogar não é usar o Judiciário com aventuras. É saber dizer não e recusar uma causa, ainda que lucrativa, se já sabe a inviabilidade do direito. É não causar mais dores do que o cliente já tem. É desistir estrategicamente. É não deixar a consciência em casa quando sair para trabalhar.

Advogar é operar, é extirpar problemas e cânceres, é ser resolvedor de problemas, é inovar, é evitar o litígio, é não deixar passar um só dia sem buscar o que é justo e ideal, ainda que o justo não seja o agradável ou o desejável.

É saber que o mundo gira, que o tempo é soberano, que uma vitória na malícia custará caro mais tarde, que o que se planta se colhe e principalmente, é viver na certeza de diariamente estar contribuindo decisivamente na manutenção dos direitos fundamentais, combatendo o bom combate contra as arbitrariedades e violações, ciente de que não se pode mudar tudo, mas que nunca deixamos de fazer a nossa parte, até a última força!