O Mapa Turístico do Estado de São Paulo passa por uma atualização de dois em dois anos. A meta do Ministério do Turismo é distribuir verbas por meio de um projeto de regionalização. Até setembro, a região ganha um novo catálogo com as regiões turísticas.
No caso de Bauru, será a Região Turística Coração Paulista composta de 11 cidades, Polo Cuesta no entorno de Botucatu com mais 11 cidades, Caminhos do Tietê na região Jaú com mais 10 municípios e Alto Cafezal composta de 5 cidades da região de Marília.
O JC teve acesso à nova configuração deste mapa, mas oficialmente a relação ainda será divulgada por meio de portaria em setembro no Diário Oficial da União e nos canais de comunicação do Ministério do Turismo.
No Estado de São Paulo houve a divisão de 50 regiões paulistas composta de 432 municípios, mas 213 ficaram fora da lista por não conseguir validar as informações até o dia 4 de agosto, prazo final estipulado pelo governo.
O Ministério do Turismo informou, por meio de nota da assessoria de imprensa, que a definição do Mapa do Turismo Brasileiro é feita por critérios pré-estabelecidos pela portaria nº 205, de 9 de dezembro de 2015.
Para fazer parte é necessário a cidade possuir órgão responsável pela pasta de turismo, comprovar a existência de dotação para o turismo na lei orçamentária anual vigente e apresentar termo de compromisso assinado por prefeito ou dirigente responsável pela pasta de turismo. Além dos critérios estabelecidos pelo governo federal, os estados possuem autonomia para adotar critérios adicionais para a composição das suas regiões, como por exemplo exigir que o município possua um Conselho Municipal de Turismo ativo.
O secretário municipal de Desenvolvimento de Turismo e Eventos de Garça (Seture), Fábio Bonassa, afirma que fazer parte do Mapa Turístico, além de funcionar como uma espécie de "vitrine" do turismo nacional, significa mais facilidade para obter recursos via Ministério do Turismo. O município dele integra a Região Turística do Alto Cafezal no polo de Marília. Ele comemorou a inclusão de Garça.
A secretária municipal de Cultura e Turismo de Jaú, Cléo Furquim, também declarou que é importante estar incluída no novo catálogo. "O Ministério do Turismo determinou que, a partir do próximo ano (entre março e abril), esses circuitos que tiverem regulamentados passarão a receber verba de infraestrutura de forma coletiva", contou.
De acordo com a portaria MTur nº 182/2016, pelo menos 90% da programação orçamentária anual da pasta federal deve ser destinada às Unidades da Federação, Regiões Turísticas e municípios do Mapa do Turismo.
Na região de Bauru, no entanto, há ainda 14 municípios que, embora façam divisas com as regiões, não estão incluídos no Mapa, possivelmente, por não atender o prazo para validar os dados. Segundo a secretária de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Renda de Bauru, Aline Prado Fogolin, algumas cidades pequenas tiveram dificuldades por não ter departamento próprio de turismo. "Acredito que numa segunda etapa devem ser incluídas", declarou.
"O setor do turismo, que movimenta até 56 setores da economia, é o que mais cresce na área de serviços. Para se ter uma ideia, no nosso Estado, com as 70 estâncias e 20 Municípios de Interesse Turístico, a atividade turística emprega de forma direta mais de um milhão de trabalhadores e gera cerca de dois milhões de empregos indiretos", afirma o secretário estadual de Turismo, Laércio Benko.
Governo prioriza roteiros coletivos
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| Jaú faz parte do Circuito Caminhos do Tietê, composto de 10 municípios, mas ainda há cidades que ficaram fora da listagem |
A atualização do Mapa Turístico paulista é feita em conjunto com o Ministério de Turismo. A cidade de Jaú, por exemplo, acompanhou durante o primeiro semestre a validação das informações para fazer parte do catálogo. A secretária municipal de Cultura e Turismo de Jaú, Cléo Furquim, explica que a participação em um circuito regional é muito importante para receber recursos para investimento na infraestrutura turística a partir do ano que vem.
O processo de atualização do Mapa Turístico iniciou-se em janeiro num projeto de gestão compartilhada conduzido para a participação de todos os municípios da Federação. Atualmente o mapa reúne 2.175 municípios, divididos em 291 regiões. No Estado de São Paulo, são 50 regiões com participação de 432 dos 645 municípios. Pelo menos 213 ainda não conseguiram fazer o cadastro. Na Região Turística Caminhos do Tietê são 10 cidades, mas três ainda não estavam constando no mapa: Bariri, Boraceia e Itaju.
O prefeito de Boraceia, Marcos Bilancieri, explicou na última semana que está providenciando a validação e pretende integrar à RT Coração Paulista e não o Caminhos do Tietê. O cargo de diretor de turismo em Boraceia estava vago na última semana e passa por reestruturação. "Algumas cidades, por conta dos detalhes técnicos e por serem gestões que assumiram este ano, ainda não conseguiram organizar seus departamentos de turismo", contou Cléo Furquim.
Jaú, por exemplo, conseguiu a validação dos dados com orientação do Senac, que ajudou na regulamentação e repassou as normas para serem seguidas. A importância de fazer parte do Mapa, de acordo com a secretária de Cultura e Turismo de Jaú, é uma nova concepção que o Ministério de Turismo adotou para repassar recursos federais da área. "O Ministério do Turismo vai passar a trabalhar as regiões turísticas que têm atrativos turísticos afins. Por isso repartiu em polos regionais como Jaú e suas cidades no entorno, Bauru e Botucatu. É para que tenha uma identidade dos atrativos e possa trabalhar um roteiro que integre as cidades de nossa região", explica Cléo Furquim, que participou de seis reuniões durante o primeiro semestre no levantamento dos dados.
A secretária de Jaú cita que o Ministério de Turismo determinou que, a partir do próximo ano (entre março e abril), esses circuitos que tiverem regulamentados passarão a receber verba de infraestrutura que seja projeto que beneficia o roteiro. "Na hora que fizermos uma identificação desses atrativos e colocar dentro de um roteiro, ele passa a valer. A ideia é ter um roteiro religioso ou de turismo náutico no Tietê, para que a região possa receber verbas de infraestrutura no segmento de cada um", finalizou Cléo Furquim.
Perda de prazo
O Ministério do Turismo informou por meio de nota que os municípios que não entraram no Mapa Turístico 2017 podem não ter enviado a documentação comprobatória exigida na portaria nº 205, de 9 de dezembro de 2015. Uma das exigências é possuir órgão responsável pela pasta de turismo; comprovar a existência de dotação para o turismo na lei orçamentária anual vigente; apresentar termo de compromisso assinado por prefeito municipal ou dirigente responsável pela pasta de turismo ou podem ter perdido o prazo de envio da documentação para a Secretaria de Estado de Turismo.
De acordo com o Ministério, o prazo para que os municípios enviassem a documentação era definido pelo próprio Estado, variando por UF.
O Ministério do Turismo iniciou em janeiro a mobilização dos gestores e realizou oficinas regionais. O prazo para validar as informações começou em 1 de junho e tinha a previsão de finalizar em 31 de julho, mas houve prorrogação até dia 4 deste mês para a inserção das informações no sistema (www.sistema.mapa. turismo.gov.br). Na divulgação do Mapa há cidades que não constam na lista das Regiões Turísticas porque validaram as informações no prazo.
Garça 'comemora' o retorno ao Mapa Turístico
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| Praça japonesa no Lago Willian é um dos atrativos turísticos |
A cidade de Garça tem um dos mais belos jardim japonês no Lago Artificial "Prof. J.K. Williams". É um atrativo turístico que pode ser mais explorado para atrair visitantes. Há poucas semanas, o secretário municipal de Desenvolvimento do Turismo e Eventos (Seture), Fábio Bonassa, estava animado com a inclusão do município no Roteiro Turístico Alto Cafezal composto de mais quatro cidades do polo de Marília.
A organização do Cerejeiras Festival que, segundo ele, foi a festa de maior presença de públicos em 31 anos de história do evento deu impulso para retomar os investimentos no turismo no município.
Na versão do último Mapa a cidade não constava, mas a Secretaria de Turismo de São Paulo repassou o catálogo 2017 onde consta Garça no Alto Cafezal. "Além de funcionar como uma espécie de 'vitrine' do turismo nacional, uma das vantagens de participar do Programa de Regionalização do Turismo está na facilidade de obter recursos via Ministério", declarou Bonassa.
De acordo com a portaria MTur nº 182/2016, pelo menos 90% da programação orçamentária anual da pasta deve ser destinada às unidades da Federação, regiões turísticas e municípios do Mapa Turístico.
Outro fato que ajudou a incluir a cidade é a grande quantidade de cachoeiras no entorno do município. O grupo de ciclistas Piramba MT fez um amplo levantamento da existência de 40 cachoeiras no município e nas cidades vizinhas com uso de aplicativo que marca as coordenadas e latitude. O JC trouxe esse percurso em matéria em 4 de dezembro de 2016 que demonstra esse potencial para esportes radicais descoberto por ciclistas que aproveitam os finais de semana para percorrer as estradas vicinais em área de Mata Atlântica.
O turismólogo e advogado Vicente Conessa afirmou na reportagem que Garça tem potencial para explorar o turismo ecológico. Ele e seus colegas de mountain bike são os precursores da "descoberta" dessas trilhas numa área de 18,50 hectares.
O secretário municipal de Desenvolvimento e Turismo de Garça reconhece que realmente existe esse potencial a ser explorado. "O problema é que muitas cachoeiras ficam em áreas privadas, mas esses roteiros podem ser demarcados e em comum acordo com os proprietários serem abertos nos finais de semana", finalizou Bonassa.
Bauru lidera o 'Coração Paulista'
| Malavolta Jr. |
| Secretária Aline Prado Fogolin |
A cidade de Bauru é o polo do Coração Paulista, a mais nova Região Turística do Estado, composta por mais 10 municípios: Avaí, Reginópolis, Pirajuí, Cafelândia, Piratininga, Pederneiras, Agudos, Macatuba, Lençóis Paulista e Águas de Santa Bárbara. Há mais municípios no entorno, que não conseguiram atender ao prazo estabelecido pelo Ministério do Turismo. Por enquanto essa é a lista, mas o prefeito de Boraceia, Marco Bilancieri, pretende que sua cidade integre o grupo.
A secretária de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Renda de Bauru, Aline Prado Fogolin, explica que integrar a Região Turística Coração Paulista é muito importante para um trabalho conjunto com as demais cidades. "Bauru tem muitos atrativos turísticos, como o Jardim Botânico e Zoológico Municipal referências nacional, e a cidade foi considerada pelo site Trivago o 16º destino mais procurado do Brasil. Temos muitas coisas bacanas que a própria população desconhece. Fazer parte de uma região turística deixa a cidade em evidência, fora a ajuda que virá com as políticas de Estado para impulsionar o turismo", declarou a secretária. A seguir os principais trechos da entrevista sobre a inclusão de Bauru no Mapa:
JC - Bauru passa a liderar um dos 50 polos turísticos do Estado?
Aline Fogolin - O projeto de regionalização teve um prazo para os municípios se adequarem e também para migrarem de região. O município de Águas de Santa Bárbara, por exemplo, decidiu fazer parte da região bauruense. Há várias regiões fronteiriças uma perto da outra e a escolha acaba sendo feita pela cidade que se identifica mais com determinada cidade do seu entorno. O secretário estadual de Turismo elogiou o trabalho que fizemos por ser mais centralizado na região. No próximo dia 24, o secretário Laércio Benko vem a Bauru para uma segunda reunião que vai estabelecer novas metas.
JC - E quais são os "produtos turísticos regionais"?
Aline - Essa movimentação junto aos municípios ligados ao circuito turístico é que vai encontrar os produtos regionais turísticos e criar a atratividade para a nossa região. No dia 24, vamos consolidar. Até agora, o que buscamos é a sinalização da região turística. É um processo que está engavetado há muito tempo e vamos retomar agora. Outra questão que será discutida são as feiras regionais - há planos de fazer duas feiras, mas este ano não será possível organizá-las, mas no começo do ano que vem as feiras regionais e o Festival Gastronômico regional são as prioridades. O objetivo é cada cidade manter a sua identidade. Nós temos o sanduíche Bauru que é nosso patrimônio, justamente o produto que vamos trabalhar nesta feira regional com a devida certificação. Honestamente falando vamos começar um trabalho forte, a partir de agora, para formatar esse trabalho regional. No dia 24, cada cidade vai apresentar o que tem de potencial para avaliar o que poderá trabalhar regionalmente.
JC - Quando será apresentado o Plano Diretor Regional?
Aline Fogolin - Até o final do ano, mas estamos acertando a casa, tudo estava muito solto. Nem o Ministério do Turismo tinha a informação de todos os municípios. É um projeto que envolve também a Secretaria Estadual de Turismo que faz a interlocução com os municípios.
JC - O nome da Região Turística de Bauru é novo?
Aline - Sim, Bauru já integrou o Caminhos do Centro Oeste, apoiado pelo Sebrae e Senac, mas infelizmente esse trabalho foi se perdendo. Com a retomada do Ministério do Turismo junto com a Secretaria Estadual de Turismo no projeto de regionalização passou a ter um novo Mapa Turístico com a interlocução com as regiões e agora o nome é Coração Paulista.
JC - Alguns municípios pequenos ficaram fora do Mapa?
Aline - Em muitas cidades pequenas não têm secretaria ou diretoria de Turismo. Esse trabalho acaba relegado a uma pessoa que tem de acumular várias pastas na administração. E essa questão de levantar documentação é difícil. Ajudamos, por exemplo, as cidades menores como Avaí e Piratininga, para não perderem o prazo para a revalidação, embora a nossa secretaria em Bauru também é pequena. Não tem dúvida que mais cidades deverão integrar o Circuito Turístico Coração Paulista.
Polo Cuesta reúne turismo de aventura
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| Cicloturismo da Cuesta tem roteiro de bike que percorre estradas vicinais na região de Botucatu |
O turismo de aventura vem crescendo na Região Turística do Polo Cuesta no setor de Botucatu, que já trabalha com o conceito de agregar atividades conjuntas entre os 11 municípios.
Na recém-atualização do Mapa a divisão regional é composta de Botucatu, Avaré, Areiópolis, Anhembi, Bofete, Conchas, Itatinga, Pardinho, Pratânia, Paranapanema e São Manuel.
Essas mesmas cidades pertencem ao Consórcio Polo Cuesta que também funciona regionalmente com os mesmos municípios do Mapa desenvolvendo atividades, mas conta com a adesão de Barra Bonita desde meados de junho do ano passado, embora este município esteja na divisão do Ministério do Turismo de 2017 pertencente à RT Caminhos do Tietê de Jaú.
O Consórcio do Polo Cuesta se antecipou ao conceito defendido pelo Ministério do Turismo de trabalhar roteiros conjuntos. É um dos mais bem organizados com site eletrônico próprio na Internet e até tem roteiro de cicloturismo que possibilita ao turista de bike percorrer todos os municípios.
O secretário adjunto de Turismo de Botucatu, Augusto César Tecchio, explica que o objetivo do Mapa é obrigar os municípios a elaborarem um Plano Diretor Regional para que os recursos federais possam ser repassados para investimentos em infraestrutura em roteiros conjuntos. "O Polo Cuesta tem alguns anos de atividades em conjunto na região, mas na regionalização proposta estamos iguais a outras regiões do Estado. No momento há assessoramento do Senac para desenvolver o Plano Diretor Regional, mas não temos nada ainda de concreto", conta Tecchio.
O secretário botucatuense admite que existe um problema a ser resolvido entre os prefeitos. "O turismo ainda não é visto por eles como uma fonte de renda expressiva. Não tem a devida atenção que deveria possuir. Há incentivos dos governo federal e estadual para incrementar o turismo. É uma grande fonte de desenvolvimento econômico", explica.
O projeto de Cicloturismo no Polo Cuesta é um dos "produtos turísticos" de mais visibilidade. Já possui roteiro completo que passa pelos municípios por estradas de terra e de asfalto com sinalização e os pontos podem ser baixado por GPS.