A Polícia Civil esclareceu mais um estelionato que vinha sendo praticado há cerca de dois anos. Nesse período, o "golpe do prestador de serviço" fez um grande número de vítimas em Bauru e região, na maioria idosos.
Rafael Quintino Godoy, 32 anos, e o primo dele Welinton Vinicius Quirino, 31, são apontados pela Polícia Civil como autores do crime, que consiste em oferecer algum reparo em equipamentos eletrônicos ou até a venda de produtos para ter acesso à casa das vítimas.
Durante a realização do serviço, entretanto, o cartão bancário do "cliente" era solicitado para o pagamento e acabava sendo furtado para a realização de saques em caixas eletrônicos e compras em lojas e supermercados - tanto nas cidades onde o golpe era praticado quanto em Bauru, onde os dois moram.
"Geralmente, os idosos forneciam os cartões com as senhas e acesso às contas correntes. Depois de utilizá-los, os golpistas jogavam os cartões fora", detalha o delegado Richard Serrano, coordenador do Setor de Investigações Gerais (SIG).
Segundo Serrano, a polícia identificou a dimensão do golpe após o registro de vários boletins de ocorrência com o mesmo modo de ação. A identificação de Rafael como um dos suspeitos se deu no momento em que ele comprou um celular usando o cartão de uma das vítimas, em Dracena (SP), conforme mostram as imagens de segurança do estabelecimento.
Câmeras de uma agência bancária na cidade de Sarutaiá (SP) também comprovam saque realizado pelo primo dele, Welinton, com cartão de um dos idosos. Na semana passada, os policiais civis localizaram Rafael na casa dele, no bairro Ouro Verde, durante cumprimento de mandado de busca e apreensão.
"A irmã dele o reconheceu nas imagens da loja em que ele aparece com o mesmo boné que encontramos na residência dele. Em depoimento, ele confessou o crime. Disse que está arrependido e que vai colaborar com as investigações", frisa o delegado.
Um inquérito foi instaurado e os dois devem responder, em liberdade, por estelionato, furto e associação criminosa. Ambos já têm passagens por estelionato, diz Serrano.
"A nossa orientação é para que não deixem desconhecidos entrar na casa e tampouco passem dados pessoais a eles. As famílias devem conversar com os idosos sobre esses cuidados", destaca o delegado, pontuando que a Polícia Civil investiga, agora, a participação de outras pessoas no golpe.
'MOMENTO DE FRAQUEZA'
Rafael conversou com a reportagem do JC. Ele assume os crimes, mas garante que se arrependeu. "Foi um momento de fraqueza, pois eu estava com dificuldades financeiras e tenho quatro filhos. Agora, estou procurando serviço. Vou abrir um trailer de lanche e recomeçar minha vida", projeta.
Até ontem, a Polícia Civil não havia localizado Welinton para colher o seu depoimento. Também não há advogado identificado, até o momento, para falar sobre a defesa do acusado, informa Serrano. Entretanto, o delegado reforça que várias vítimas já o teriam reconhecido como autor dos crimes.