08 de julho de 2026
Bairros

Cada nome canta uma história

Ana Beatriz Garcia
| Tempo de leitura: 13 min

Samantha Ciuffa
Ruas de Bauru levam nomes de grandes nomes da música brasileira

No ritmo acelerado da cidade, em meio à mistura de ruídos da rua, com latidos, canto dos pássaros e barulho dos veículos, estão nomes de gente que fez dos sons grandes sucessos de jazz, bossa-nova, samba e até ópera.

Baden Powell, Carlos Gomes, Francisco Alves, Pixinguinha e Ary Barroso são alguns dos artístas de renome no cenário musical brasileiro. Donos de grandes e memoráveis composições, eles também estão presentes nas ruas de Bauru.

Cristiano Gabriel Miquelin, 30, não lembrava exatamente quem era o compositor que dá nome à rua onde mora, mas ao ouvir o verso "meu coração, não sei porque, bate feliz quando te vê", logo associou com o clássico de Pixinguinha. "Lembro a primeira vez que minha noiva disse que morava nessa rua, eu estranhei o nome. Mas eu conheço essa música, não é tão desconhecido", afirmou.

Com apenas duas quadras, a rua Pixinguinha, na Vila Pacífico, homenageia Alfredo da Rocha Vianna Filho (1897 - 1973) - ou, simplesmente, Pixinguinha -, um maestro, flautista, saxofonista, compositor e arranjador considerado um dos músicos mais importantes da música popular brasileira.

Além do conhecido chorinho "Carinhoso" - que ajudou Cristiano a se lembrar do compositor - Pixinguinha também compôs outros títulos como a valsa "Rosa", e os choros "Um a zero", "Vou vivendo" e "Lamentos" - que, posteriormente, ganhou letra de Vinícius de Moraes.

DO SAMBA

Outro grande nome da música brasileira que nomeia uma rua de Bauru é o autor do considerado primeiro samba-exaltação, "Aquarela do Brasil", de Ary Barroso (1903 - 1964). Em suas três quadras, a rua com o nome do sambista guarda a história de quem ama esse ritmo desde a adolescência.

"Eu sempre amei samba. Escuto desde os 15 anos. Tive casa de shows em São Paulo e agora, tenho esse estabelecimento. Todas as quartas nós temos apresentação de samba e chorinho aqui", relata Paulo Fernando Freitas Falchet, 39, dono de uma choperia na rua Ary Barroso.

Segundo o comerciante, a rua é tranquila e a vizinhança já se acostumou com o som de sua choperia. Quem confirma isso é Jane Pinheiro Valério, 58, moradora das proximidades do estabelecimento. "Não me incomodo com o som e o movimento. Eu amo música, escuto de tudo e para tudo. Ontem mesmo estava fazendo tricot com meu fone de ouvido", ressalta.

A cabelereira, que passa todos os dias pela rua Ary Barroso, ainda lembrou com facilidade do sucesso do compositor: "Brasil, meu Brasil brasileiro", cantarolou.

Você sabia?

No ritmo acelerado da cidade, em meio à mistura de ruídos da rua, com latidos, canto dos pássaros e barulho dos veículos, estão nomes de gente que fez dos sons grandes sucessos de jazz, bossa-nova, samba e até ópera. Baden Powell, Carlos Gomes, Francisco Alves, Pixinguinha e Ary Barroso são alguns dos artistas de renome no cenário musical brasileiro. Donos de grandes e memoráveis composições, eles também estão presentes nas ruas de Bauru.

Cristiano Gabriel Miquelin, 30 anos, não lembrava exatamente quem era o compositor que dá nome à rua onde mora, mas ao ouvir o verso "meu coração, não sei porque, bate feliz quando te vê", logo associou com o clássico de Pixinguinha. "Lembro a primeira vez que minha noiva disse que morava nessa rua, eu estranhei o nome. Mas eu conheço essa música, não é tão desconhecido", afirmou.

Com apenas duas quadras, a rua Pixinguinha, na Vila Pacífico, homenageia Alfredo da Rocha Vianna Filho (1897-1973) - ou simplesmente Pixinguinha -, maestro, flautista, saxofonista, compositor e arranjador. É considerado um dos músicos mais importantes da música popular brasileira.

Além do conhecido chorinho "Carinhoso" - que ajudou Cristiano a se lembrar do compositor -, Pixinguinha também compôs outros títulos como a valsa "Rosa", e os choros "Um a zero", "Vou vivendo" e "Lamentos" - que, posteriormente, ganhou letra de Vinícius de Moraes.

DO SAMBA

Outro grande nome da música brasileira que nomeia uma rua de Bauru é Ary Barroso (1903-1964), autor do considerado primeiro samba-exaltação, "Aquarela do Brasil". Em suas três quadras, a rua com o nome do sambista guarda a história de quem ama esse ritmo desde a adolescência.

"Eu sempre amei samba. Escuto desde os 15 anos. Tive casa de shows em São Paulo e agora, tenho esse estabelecimento. Todas as quartas nós temos apresentação de samba e chorinho aqui", relata Paulo Fernando Freitas Falchet, 39 anos, dono de uma choperia na rua Ary Barroso.

Segundo o comerciante, a rua é tranquila e a vizinhança já se acostumou com o som de sua choperia. Quem confirma isso é Jane Pinheiro Valério, 58 anos, moradora das proximidades do estabelecimento. "Não me incomodo com o som e o movimento. Eu amo música, escuto de tudo e para tudo. Ontem mesmo estava fazendo tricô com meu fone de ouvido", ressalta.

A cabeleireira, que passa todos os dias pela rua Ary Barroso, ainda lembrou com facilidade de outro sucesso do compositor: "Brasil, meu Brasil brasileiro", cantarolou.

Música vai além do endereço

"Aqui é uma tranquilidade. Só entra quem mora, se for por engano, logo sai. A maior parte do tempo o som é dos pássaros e do barulho do vento balançando as folhas das plantas", conta Evilásio Pereira da Silva, de 84 anos, que há 32 mora na travessa Baden Powell.

O trecho, com apenas nove casas, fica no centro de Bauru, entre a avenida Nações Unidas e a rua Professor José Ranieri e tem o nome de um ilustre músico brasileiro. "Eu sei que ele foi um grande violonista brasileiro", afirma Evilásio. E é isso mesmo.

Considerado um dos maiores violonistas de todos os tempos, Baden Powell (1937 - 2000) fez grandes parcerias e, com elas, composições que viraram clássicos da Bossa Nova e da MPB, como "Canto de Ossanha", "Samba em Prelúdio", "Samba da Bênção", "Bom dia amigo" e "O Astronauta", dentre outros.

Na rua com o nome do compositor, o som que ecoa da varanda de seu Evilásio não é de Bossa-Nova, nem de MPB, mas também vem do violão. "Eu costumo tocar e cantar sertanejo raiz. Sou aposentado e gosto de fazer isso para passar o tempo. Às vezes sento aqui na varanda e passo duas, três horas tocando", comenta o aposentado depois de cantar um trechinho de "Beijinho Doce", das Irmãs Galvão.

'SINÔNIMO DE ALEGRIA'

Em outro ponto da cidade, o homenageado é o cantor Francisco Alves (1898 - 1952). Em um primeiro momento, pode ser que não venha à mente algum sucesso desse cantor, mas reconhece "Pula a fogueira, iaiá. Pula a fogueira, ioiô" ou "Adeus, ano velho. Feliz ano novo"?

Tatiane Baratella da Rua, 35, que mora há oito anos na quadra seis da rua Francisco Alves, lembra bem. "Cantamos essa todo final do ano. Não sabia que essas músicas eram dele, mas, no réveillon desse ano, vou lembrar do nome da minha rua", comentou.

Seja com o clássico cantado nas festas juninas ou o dos finais de ano, Francisco Alves foi considerado "Rei da voz", pelo locutor César Ladeira e foi intérprete de sucessos como "Cai, cai, balão", "A mulher que ficou na taça" e "Misterioso amor", além de sambas de Noel Rosa, como "Estamos esperando", "Tudo que você diz" e o clássico "Fita amarela".

Na rua que leva o nome do cantor, assim como na casa do senhor Evilásio, a varanda é a escolha de quem reforça que música dentro de casa nunca faltou.

"Música é sinônimo de alegria. Eu gosto de escutar música quando estou feliz", comenta Maria José Brosco, 74, moradora da quadra 11, onde o som predominante é o dos carros e dos ônibus que passam com pressa por ali.

"Quando aqui fica muito silencioso, eu sinto até falta. Geralmente, sento na varanda pra ouvir música no meu 'radinho' e ver o movimento", afirma a dona de casa.

Ópera no Bela Vista

Uma rua de três quadras, no Jardim Bela Vista, homenageia o importante compositor de ópera brasileiro, Carlos Gomes. Quando morou na Itália, ele finalizou sua ópera mais famosa "Il Guarany", baseada no romance "O Guarani", de José de Alencar. A música tornou-se popular a ponto de servir como abertura do programa radiofônico do Governo Federal "A Voz do Brasil".

Morador há 33 anos da , Levy Pereira, 74, diz que conhece a ópera e já pesquisou sobre o compositor. "Já tive curiosidade de pesquisar e ouvir Carlos Gomes, mas ópera não é meu estilo preferido de música", afirma o aposentado.

De acordo com Levy, apreciador do sertanejo raiz, a rua com o nome do compositor de ópera não é de muitas 'sinfonias'. "O maior barulho aqui são das crianças do colégio próximo", ressalta.

Você sabia?

"Aqui é uma tranquilidade. Só entra quem mora, se for por engano, logo sai. Na maior parte do tempo, o som é dos pássaros e do barulho do vento balançando as folhas das plantas", conta Evilásio Pereira da Silva, 84 anos, que há 32 mora na travessa Baden Powell.

O trecho, com apenas nove casas, fica no Centro de Bauru, entre a avenida Nações Unidas e a rua Professor José Ranieri. "Eu sei que ele foi um grande violonista brasileiro", afirma Evilásio. E é isso mesmo.

Considerado um dos maiores violonistas de todos os tempos, Baden Powell (1937-2000) fez grandes parcerias e, com elas, composições que viraram clássicos da Bossa Nova e da MPB, como "Canto de Ossanha", "Samba em Prelúdio", "Samba da Bênção", "Bom dia amigo", "O Astronauta", entre tantos outros.

Na rua com o nome do compositor, o som que ecoa da varanda de seu Evilásio não é de Bossa Nova nem de MPB, mas também vem do violão. "Eu costumo tocar e cantar sertanejo raiz. Sou aposentado e gosto de fazer isso para passar o tempo. Às vezes, sento aqui na varanda e passo duas, três horas tocando", comenta o aposentado depois de cantar um trechinho de "Beijinho Doce", composta por Nhô Pai e imortalizada nas vozes de cantores como Tonico e Tinoco e Irmãs Galvão.

'SINÔNIMO DE ALEGRIA'

Em outro ponto da cidade, o homenageado é o cantor Francisco Alves (1898- 1952). Em um primeiro momento, pode ser que não venha à mente algum sucesso desse cantor, mas reconhece "Pula a fogueira, iaiá. Pula a fogueira, ioiô" ou "Adeus, ano velho. Feliz ano novo"?

Tatiane Baratella da Rua, 35 anos, que mora há oito anos na quadra 6 da rua Francisco Alves, lembra bem. "Cantamos essa todo final do ano. Não sabia que essas músicas eram dele, mas, no Réveillon desse ano, vou lembrar do nome da minha rua", comentou.

Seja com o clássico cantado nas festas juninas ou o dos finais de ano, Francisco Alves foi considerado "Rei da Voz" pelo locutor César Ladeira e foi intérprete de sucessos como "Cai, cai, balão", "A mulher que ficou na taça" e "Misterioso amor", além de sambas de Noel Rosa, como "Estamos esperando", "Tudo que você diz" e o clássico "Fita amarela".

Na rua que leva o nome do cantor, assim como na casa do senhor Evilásio da Silva, a varanda é a escolha de quem reforça que música dentro de casa nunca faltou. "Música é sinônimo de alegria. Eu gosto de escutar música quando estou feliz", comenta Maria José Brosco, 74 anos, moradora da quadra 11, onde o som predominante é o dos carros e dos ônibus que passam com pressa por ali.

"Quando aqui fica muito silencioso, eu sinto até falta. Geralmente, sento na varanda para ouvir música no meu 'radinho' e ver o movimento", afirma a dona de casa.

Prestígio e cuidado marcam praça na Vila Industrial

As homenagens não ficam somente nas ruas e travessas da cidade. Também há uma praça batizada com o nome de músico e, dessa vez, prestigia um artista local. Quem mora por ali, preza pela conservação do local.

Mais conhecido por “Carlinhos Bauruzão”, Francisco Carlos São Romão Sanches foi o cantor e compositor homenageado pela pequena praça que fica na quadra 11 da rua Salvador Filardi, Vila Industrial. O local ganhou esse nome em fevereiro deste ano, em um evento que contou com um show realizado por vários amigos do músico.

Dono dos trechos “não é mole neném, ser vampiro em Bauru” e “e o trem parou na estação, você brincou com o meu coração, estamos vivendo em Bauruzão”, o compositor utilizava seu rock e rhythm and blues para retratar a cidade. Assim, ficou conhecido como único “herói” e ídolo da juventude bauruense.

Outras músicas como “O vampiro de Bauru”, “Ligadão no Rock and Roll”, “Urbanidade”, “Cidade Grande” e “Até a polícia chegar” animaram a “noitada” bauruense em bares e casas de shows com as bandas Tempo Perdido, Aeroplano, Super Liga Katólika, entre outros grupos musicais.

Os palcos da cidade perderam “Carlinhos Bauruzão” em 2002, aos 43 anos, vítima de cirrose hepática.

ZÊLO COM O VERDE

Com o trecho “um dia esta poluição não vai deixar você respirar meu irmão”, Carlinhos também demonstrava seu cuidado com o verde, criticando quem maltratasse o meio ambiente.

Nesse sentido, a praça batizada com seu nome honra esse desejo. Fábio Martins Ribeiro, 44, que mora em frente à pracinha, comenta que ela permanece em bom estado. “A grama está sempre aparada e fica sempre bem cuidada. Vejo que um moço usa a praça para fazer slackline e isso chama a atenção das crianças que, às vezes, ficam por aqui”, conta.

Esse cuidado também vem de quem mora ali perto. “Há um ano, eu plantei aquela primavera e sei de vizinhos também plantaram flores por aqui. Não só eu, mas outras pessoas também tem bastante cuidado com essa praça”, conta Ivo Fontana Cardoso, 64, enquanto aponta para diversas mudinhas de plantas no chão.

Sobre o trabalho de “Carlinhos Bauruzão”, só alguns trechos de música são lembrados, mas o aposentado garante que o carinho com a praça permanecerá. “A gente está sempre de olho”, conclui.

Grandes nomes

As homenagens não ficam somente nas ruas e travessas da cidade. Também há uma praça batizada com o nome de músico e, dessa vez, prestigia um artista local. Mais conhecido por "Carlinhos Bauruzão", Francisco Carlos São Romão Sanches, cantor e compositor, dá nome à praça que fica na quadra 11 da rua Salvador Filardi, Vila Industrial. O local ganhou esse nome em fevereiro deste ano, em um evento que contou com um show realizado por vários amigos do músico.

Dono dos trechos "não é mole neném, ser vampiro em Bauru" e "e o trem parou na estação, você brincou com o meu coração, estamos vivendo em Bauruzão", o compositor utilizava seu rock e rhythm and blues para retratar a cidade. Assim, ficou conhecido como único "herói" e ídolo da juventude bauruense.

Outras músicas como "O vampiro de Bauru", "Ligadão no Rock and Roll", "Urbanidade", "Cidade Grande" e "Até a polícia chegar" animaram a "noitada" bauruense em bares e casas de shows com as bandas Tempo Perdido, Aeroplano, Super Liga Katólika, entre outros grupos musicais.

Os palcos da cidade perderam "Carlinhos Bauruzão" em 2002, aos 43 anos, vítima de cirrose hepática.

ZELO COM O VERDE

Com o trecho "um dia esta poluição não vai deixar você respirar meu irmão", Carlinhos também demonstrava seu cuidado com o verde, criticando quem maltratasse o meio ambiente.

Nesse sentido, a praça batizada com seu nome honra esse desejo. Fábio Martins Ribeiro, 44 anos, que mora em frente à pracinha, comenta que ela permanece em bom estado. "A grama está sempre aparada e fica sempre bem cuidada. Vejo que um moço usa a praça para fazer slackline e isso chama a atenção das crianças que, às vezes, ficam por aqui", conta.

Esse cuidado também vem de quem mora ali perto. "Há um ano, eu plantei aquela primavera e sei de vizinhos que também plantaram flores por aqui. Não só eu, mas outras pessoas também tem bastante cuidado com essa praça", conta Ivo Fontana Cardoso, 64 anos, enquanto aponta para diversas mudinhas de plantas no chão.

Sobre o trabalho de "Carlinhos Bauruzão", só alguns trechos de música são lembrados, mas o aposentado garante que o carinho com a praça permanecerá. "A gente está sempre de olho", conclui.