"O perdão foi a postura que me deu força e coragem para seguir em frente, elevou minha autoestima para ajudar o próximo". Com essa frase em seu site oficial, a deputada Keiko Ota (PSB-SP) entrega como lidou com a perda de seu filho, Ives Ota, sequestrado e brutalmente assassinato aos 8 anos. Celebrado hoje pela primeira vez, o Dia Nacional do Perdão é proveniente de um projeto criado pela parlamentar, para promover uma reflexão sobre o tema, visto que Keiko e seu marido perdoaram os assassinos. Já a data, foi escolhida em alusão ao dia da morte do garoto.
Neste 30 de agosto, Rodrigo Ulisses Cassita, 40, poderá refletir e dar seu perdão, mesmo que em pensamento. "Eu gostaria de ter perdoado o meu pai antes que ele falecesse, infelizmente, não deu tempo. Não era nada muito sério, mas foi algo que me feriu na época. Eu não carrego isso, mas seria interessante ter feito isso para ele".
Para o recuperador de crédito, o perdão é algo que deve ser muito bem avaliado. "Existem coisas que é possível de ser perdoado e outras de ser relevado. Perdão é uma palavra muito forte", ressalta.
LIBERTADOR
Assim como Rodrigo, Ronaldo Luiz Rivaben Marotti, 54, também teve problemas com o pai. Mas, dessa vez, o perdão chegou a tempo. "Eu o perdoei por todas coisas que aconteceram antes dele morrer. Não guardei nenhum rancor. Acho importante a existência desse dia para que a gente se volte para nós mesmos e possa refletir a respeito", comenta.
Ronaldo ressalta que o perdão não precisou ser verbalizado, mas foi de todo coração e manifestado nos cuidados e na atenção com o pai antes que ele morresse.
O corretor de seguros ainda destaca que, para ele, o perdão é libertador. "Acredito que meu pai sentiu o meu perdão. E isso não é importante só para quem é perdoado, mas pra você mesmo. Você se liberta de certa forma".
VOCÊ SABIA?
Uma das datas mais importantes na cultura judaica é o Dia do Perdão, o chamado Yom Kipur, em que os judeus passam 24 horas em jejum e oração intensa. A data varia de acordo com o calendário judaico e, neste ano, será celebrado a partir do início da noite do dia 29 de setembro até o início da noite de 30 de setembro.
30 ANOS DEPOIS
| Samantha Ciuffa |
| Luciane, após 30 anos, aproveitou a chance que teve, em encontro casual na fila do banco, para pedir perdão |
Uma história mal resolvida do passado fez com que Luciane Martinho, 51, vivesse 30 anos remoendo um pedido de perdão não dito. “Martelava na minha cabeça essa história e eu tinha muita vontade de fazer esse pedido de perdão, mas não tinha como”, comenta.
Quando estava com 20 anos, Luciane tinha um namorado e acabou se envolvendo com outra pessoa. O parceiro da época viu os dois juntos e o romance chegou ao final. “Que bom seria ter 20 anos com cabeça de 50, mas esse não é o caso. Infelizmente, magoei uma ótima pessoa, por conta da imaturidade. Levei isso comigo pelos anos, não pelo relacionamento, mas por ter magoado uma pessoa muito boa”.
Há poucos meses, um encontro na fila do banco encerrou o que ficou em aberto por 30 anos. “Estava esperando para falar com o gerente e percebi que ele estava atrás de mim. Não tive como esperar. O pedido de perdão foi feito ali mesmo, no banco”.
Luciane conta que ele não recebeu o pedido com estranheza e apenas aceitou o pedido depois de trocarem algumas palavras. “Não sei se ele me perdoou de coração, mas minha consciência ficou tranquila e meu coração ficou aliviado”, conclui.