| Malavolta Jr. |
| A obra de transposição do Rio Bauru, no Jardim Chapadão, está parada desde fevereiro, segundo a empresa responsável |
O velho ditado "vergonha é roubar e não poder carregar" parece não fazer sentido para o crime registrado, na tarde de anteontem, na Central de Polícia Judiciária (CPJ). Neste caso, os ladrões furtaram 27 placas de concreto pré-moldadas, de 800 quilos cada, um peso total de 21,6 toneladas. Os itens seriam utilizados na obra de transposição do Rio Bauru, no Jardim Chapadão, que está parada desde fevereiro.
O Departamento de Água e Esgoto (DAE), através da empresa vencedora da licitação, Zênite Engenharia e Construções, executaria a obra de tubulação para interligar os interceptores de esgoto das duas margens do Rio Bauru.
As estruturas de concreto armado sustentam a tubulação que sai da margem esquerda do Rio Bauru, onde estão instalados interceptores, cruza o rio na altura da rua João Rodrigues Franco, no Jardim Chapadão, até encontrar os interceptores implantados na margem direita, que seguem até a ETE Vargem Limpa, localizada no Distrito Industrial 1.
De acordo com Alessandro de Marque, gerente administrativo da Zênite Engenharia e Construções, o furto só foi possível porque dois caminhões, inclusive um munck - especializado no processo de carga e descarga -, foram utilizados na ação.
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| Cada placa de concreto da obra pesa cerca de 800 quilos |
"Conversamos com um rapaz que trabalha no porto de areia, nas proximidades da obra. Ele nos informou que, durante seu expediente, havia ajudado a desatolar um caminhão carregado com placas de concreto. Um outro veículo, um munck, seguia o caminhão atolado. O informante ainda nos contou que questionou se as placas seriam de nossa empresa e o motorista disse não ter conhecimento, mas que tinha sido contratado para fazer o carregamento dessas placas e levá-las para Arealva", conta.
Segundo o delegado Richard Serrano, coordenador do Setor de Investigações Gerais (SIG), as apurações seguirão buscando os caminhões utilizados para o furto. "Sabemos que trata-se de um caminhão munck prata e de um Mercedez-Benz azul".
OBRA PARADA
De acordo com o gerente Alessandro de Marque, a obra está parada desde fevereiro, aguardando oficialização do encerramento. As peças estavam na margem direita do rio, em uma área com bastante vegetação e, ainda segundo ele, de difícil visualização. "Nós temos vigilantes que ficam no local, mas grande parte do material fica na margem oposta à que estavam as placas. Mesmo assim, o vigia sempre confere. Nós realmente não esperávamos que fosse possível alguém furtar placas tão pesadas", frisa.
A assessoria do DAE informou, em nota, que a responsabilidade de guarda do material é da empresa Zênite Engenharia. "As obras estão paralisadas em função de estar em trâmite uma rescisão contratual proposta pelo DAE, com acompanhamento do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo. Finalizado esse procedimento, uma nova licitação será aberta para a retomada das obras".