Um Estado soberano é definido por três atributos: povo, território e governo. A ordem é essa ou me engano? De qualquer forma, povo vem sempre em primeiro lugar porque o Estado existe para o povo. Sem povo não haveria necessidade de existir Estado. Mas desconfio que essa ordem está invertida ou sempre esteve. Para ter governo é preciso ter uma Constituição, um contrato social - o mesmo que o estatuto que rege uma empresa. Em resumo, o Estado se reduz a três palavras: Nós, o Povo. Essas três palavras inspiram os princípios constitucionais de todos os Estados democráticos, que se resume no bem comum. O bem comum, que é o direito de cidadania, está esquecido e propositalmente ignorado. Direitos desrespeitados no Brasil. Direitos conspurcados por interesses particulares. Direitos manipulados por um governo venal. As constituições foram inspiradas por revoluções populares que representaram os anseios e os ideais da humanidade, conforme as revoluções americana e francesa. A alma dessas revoluções foi o anseio pela liberdade. As revoluções mudaram os rumos dos governos, mas os ideais foram esquecidos no decorrer dos tempos. Os focos e as essências foram deturpados. Completamente. O foco está nas três palavras: Nós, o povo. A essência é a liberdade. Na prática, a cidadania. Nada disso está valendo no Brasil. Como o povo é o titular do poder, o povo deve dizer ao governo o que ele deve fazer, não o governo dizer ao povo o que ele tem que fazer. Isto é um princípio básico que deve ser estabelecido ou restabelecido, pois do contrário não temos um País. Conclusão: não temos um País, pois há algo que precisa se impor: o ideal do bem comum. Simples assim. Como disse Ronald Reagan, o povo deve ser o motorista; o governo, o veículo. No Brasil, a ordem está invertida. Então, como não tenho como discordar de Reagan, está tudo errado por aqui (sem querer "chover no molhado"). É o povo que deve determinar para onde, em que velocidade, por qual rumo, o governo deve seguir. Todas as constituições dos países são documentos pelos quais o Estado diz aos cidadãos quais são os seus privilégios; e nós, o povo, dizemos aos governos o que lhes é permitido fazer e o que não lhes é permitido fazer. É assim que ocorre quando o povo é livre. Não somos, portanto, um povo livre, pois as regras estão completamente invertidas, como podemos constatar na prática. A ordem vigente precisa ser invertida: é preciso um basta na orgia do poder. O fundamento do poder não está sendo observado, pois, por meio de cipoal de regras e regulamentação, o governo impõe uma tributação predatória aos cidadãos e, por meio desse expediente espúrio, confisca nosso dinheiro, nossos direitos, nossas opções e nossas liberdades. É preciso um basta nessa farra governamental. Para isso, é necessário, antes de mais nada, que nossos políticos sejam também cidadãos, não predadores do Estado. Afinal, o homem não é livre se o governo não é limitado (Reagan). Tal qual na física, funciona uma relação de causa e efeito muito clara e previsível: à medida que o governo aumenta, a liberdade diminui (id. Reagan). É preciso formar cidadãos. Cidadãos são formados por uma boa educação. A nossa deixa muito a desejar. Então, o que temos? Por falta de educação, faltam cidadãos, enquanto o cachorro está sempre correndo atrás do rabo. (Esta dissertação foi inspirada, em parte, em um discurso do ex-presidente Ronald Reagan).