| Aceituno Jr |
| Cerca de 240 mil pessoas são atendidas nas feiras de Bauru, por mês, estima Secretaria de Agricultura e Abastecimento |
As feiras vêm ganhando cada vez mais espaço em Bauru. Nos últimos quatro anos, o número de feirantes na cidade saltou de 260 para 510, praticamente o dobro, conforme dados da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (Sagra). Somente em 2017, a atividade ganhou 115 novos profissionais. No ano passado inteiro, 75 novos trabalhadores na área foram contabilizados pela prefeitura.
A crise econômica e o desemprego são apontados como responsáveis pela mudança de cenário, destaca o diretor de abastecimento da Sagra, Rafael Santana de Lima. “A grande maioria estava tentando se recolocar no mercado de trabalho e encontrou no seguimento das feiras uma boa oportunidade de negócio a um custo baixo”, aponta.
É o caso da doceira Márcia Prudenciato de Souza, 50 anos. Por problemas de saúde, ela teve de deixar o trabalho em um supermercado há dois anos. Desde então, arrumar serviço passou a ser um desafio. “Com a minha idade é difícil conseguir emprego. Eu fazia bolos, dava curso, aí pensei em virar feirante”, pontua.
Há cerca de dois meses, ela montou uma banca na feira da rua Ezequiel Ramos, Centro de Bauru, e passou a vender seus doces. “Como não encontrava emprego, pedi um espaço para a Sagra. Aos poucos, estou conquistando meus clientes e logo pretendo fidelizar alguns deles”, projeta Souza.
O maior número de feirantes em Bauru impulsionou a expansão de pontos para a comercialização dos produtos. Já são sete a mais somente neste ano, totalizando 44 feiras instaladas em 31 bairros da cidade, discrimina Rafael Santana. Ele reitera que boa parte dos novos profissionais é oriunda da classe média e perdeu o emprego.
“Há muitos professores entre os feirantes que começaram a atuar recentemente. A maioria procura se qualificar no ramo alimentício através de cursos, por exemplo, para oferecer um diferencial na prestação de serviço. Outros buscam inovar em alguma coisa, independentemente se o produto comercializado seja gastronômico ou do setor de vestimentas e calçados”, detalha.
| Fotos: Douglas Reis |
| Após dois anos desempregada, Márcia Prudenciato de Souza tornou-se feirante há dois meses e quer fidelizar clientes |
| Proprietário de uma cafeteria, Almir Torrecilha montou uma banca na feira para complementar a renda |
Com tantos pontos espalhados pela cidade, quem ganha é o consumidor. Por mês, cerca de 240 mil pessoas são atendidas nas feiras de Bauru, informa Santana. “Estimamos um aumento de 30% no número de clientes neste ano”, especifica.
A dona de casa Fatima Santana, 61 anos, frequenta a feira da Ezequiel Ramos há nove anos. Ela diz ter percebido maior movimento de pessoas e mais opções nas barraquinhas. “Aumentou um pouco a quantidade de feirantes. Tem novidades também e a gente acaba achando produtos com preço bom”.
COMPLEMENTO?
Entre os 510 feirantes de Bauru, cerca de 25% entraram no ramo para complementar a renda, aponta o diretor de abastecimento da Sagra. “A instabilidade econômica do País forçou muitos comerciantes a investirem em outros trabalhos”, diz.
O empresário Almir Souza Torrecilha, 40 anos, é exemplo. Ele e a esposa são proprietários de uma cafeteria em Bauru, mas, desde janeiro deste ano, Almir mantém uma banca na região central da cidade. “Em meio à crise, o movimento caiu bastante. Foi quando optei por vender os produtos na feira. O resultado tem sido positivo”, comemora.
ESTUDO
Rafael Santana, da Sagra, garante que o aumento do número de feirantes em Bauru não prejudica a atividade de quem já atuava na cidade há mais tempo. “Nós realizamos um estudo e traçamos estratégias para acomodar todos os profissionais da melhor forma possível”.
Dos 510 feirantes na cidade, em torno de 50% estão formalizados. “Não há impedimento (para quem não é). A diferença é que o feirante não formalizado não tem acesso a créditos por meio de programas disponibilizados pelos governos municipal, estadual e federal”, explica.
SERVIÇO
Para o cadastramento de feirantes, o interessado deve comparecer na sede da Sagra, de segunda à sexta, das 8h às 12h, na avenida Nuno de Assis, 14-60, Jardim Santana. Os telefones para contato são: (14) 3223-1675 e (14) 3214-4255.
É preciso apresentar os seguintes documentos: RG, CPF, comprovante de residência, escritura ou contrato de uso de terra (quando produtor rural), além de recolher uma taxa anual no valor de R$ 157,72. O processo para determinação do ponto é realizado pela pasta.