| Divulgação |
| Delegado Ivan Romano (Antonio Calloni) na ponta da mesa: representação do delegado Igor Romário de Paula |
Bauru pode assistir, hoje, à pré-estreia de "Polícia Federal - A Lei É Para Todos" (Cinépolis 5, 18h e 20h45, apenas nesta quarta-feira). Amanhã, Dia da Independência do Brasil, a estreia será oficial em várias salas do País, inclusive por aqui. O filme trata da operação Lava Jato até março de 2016. A produtora Downtown e a distribuidora Paris apostam num megassucesso.
Sendo um filme sobre a má utilização de recursos públicos, o diretor Marcelo Antunez e sua produção pensaram que não seria ético utilizar as leis de patrocínio. Buscaram investidores privados, e eles aderiram, cobrindo, sem renúncia fiscal, os R$ 16 milhões da produção. Mas exigiram uma cláusula. No País polarizado por acusações de golpismo - e o choque entre "coxinhas" e "petralhas" -, os investidores deram dinheiro, mas querem permanecer anônimos.
Antunez nega que tenha feito um filme ideológico, mas fez, e colocando na tela o ponto de vista dos federais.
Em cena, uma repórter pergunta ao delegado Ivan (vivido por Antônio Calloni) por que ele está querendo destruir o PT? Ele retruca que investiga o que cai na rede.
Na vida real, Antunez confessa: "Sempre votei no PT e até no PC do B. Não estou perseguindo ninguém. A história é boa e tem de ser contada".
Ivan, aliás, é um personagem fictício, embora tenha traços que o aproximam do delegado Igor de Paula. E Lula interpretado por Ary Fontoura? Antunez é entusiasmado por seu ator. Conta que Ary o surpreendeu. A saber: os roteiristas Gustavo Lipsztein e Thomas Stavros disseram ter lido todas as denúncias do Ministério Público Federal, as decisões do juiz Sergio Moro e transcrições de depoimentos.
Apesar disso, diz Antunez, porém, os personagens dos policiais não representam figuras reais, mas resumem traços de diversas pessoas.
FEDERAÇÃO FAZ CRÍTICA
O presidente da Fenapef (Federação Nacional dos Policiais Federais), entidade que representa todas as categorias da Polícia Federal, Luís Antônio Boudens, fez duras críticas ao filme “Polícia Federal - A lei é Para Todos”, inspirado na operação Lava Jato. Segundo Boudens, a obra exagerou no “propagandismo” dos delegados e traçou uma imagem caricata dos policiais federais. Em mensagem enviada pela sua assessoria, Boudens diz que assistiu à pré-estreia do filme, em Curitiba, e saiu decepcionado do cinema. “A permissão poética e a ficção retiraram a essência da Polícia Federal, ignorando aqueles que, de fato, descobriram a autoria e a materialidade de um dos maiores crimes de corrupção no país, dando lugar a uma mensagem corporativa", afirmou.
VOCÊ SABIA?
O filme é produzido por Tomislav Blazic, nascido em 1951 em Belgrado, na antiga Iugoslávia, e trazido bebê para o Brasil pelo seu pai, um ex-militar sérvio.