08 de julho de 2026
Geral

IPMet manifesta preocupação sobre continuidade de atividades do órgão

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

João Rosan/JC Imagens
As informações produzidas pelo IPMet são consideradas essenciais para pesquisas, para subsidiar órgãos como a Defesa Civil e os bombeiros, bem como para produtores rurais e a população em geral 

Informações sobre a possível desativação dos radares do Centro de Meteorologia de Bauru (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), tanto na cidade quanto em Presidente Prudente, circularam, na manhã de ontem. Rapidamente, os professores Rodolfo Langhi e Jeferson Prietsch Machado, responsáveis pela supervisão do IPMet, esclareceram que não há nenhum comunicado oficial sobre a extinção do centro, mas manifestaram apreensão sobre a manutenção das atividades do órgão.

"Diante da grave crise financeira por que passa a Unesp, o Centro de Meteorologia realmente vê com preocupação a garantia de sua continuidade nos moldes atuais", frisa nota publicada na página oficial do IPMet no Facebook, também enviada à reportagem. Ainda de acordo com o texto divulgado pelos supervisores, apesar de não haver, "até o momento, nenhuma atitude com relação à extinção ou mesmo demissão de servidores", "documentos de justificativas sobre a importância da continuidade dos trabalhos estão em elaboração e serão encaminhados às autoridades competentes da Unesp para apreciação".

Samantha Ciuffa
Matéria sobre Observatório da Unesp

As informações produzidas pelo centro são consideradas fundamentais para o desenvolvimento de pesquisas, para subsidiar órgãos como a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros na elaboração de ações antecipadas durante tempestades, bem como para produtores rurais e a população em geral. Em média, o site www.ipmet.unesp.br contabiliza 1 milhão de acessos mensais.

REITORIA

Procurada, a assessoria de comunicação da reitoria da Unesp em São Paulo também não confirmou, de maneira específica, a possibilidade de redução ou extinção das atividades desenvolvidas pelo IPMet. Mas, em nota, ponderou que, embora a economia nacional pareça estar dando sinais de recuperação, o País ainda atravessa um de seus momentos econômicos e financeiros mais difíceis.

Neste contexto, lembrou que a Unesp, assim como as outras duas universidades estaduais paulistas - USP e Unicamp - tem como principal fonte de manutenção a arrecadação do ICMS, imposto diretamente afetado pela crise nacional. E, diante do impacto gerado pelas restrições orçamentárias, a reitoria se viu obrigada a analisar estratégias para "otimizar" seus serviços.

"A Unesp tem procurado atender àquelas demandas que se mostram essenciais à qualidade de formação de seus alunos dentro das presentes condições da universidade e, nesse panorama, vem também estudando formas de otimizar as suas ações no ensino, na pesquisa e na extensão universitária em todas as suas unidades, tanto na Capital como no Interior do Estado", completa.

CRISE FINANCEIRA

A falta de dinheiro para a contratação de professores nos 24 campi da Unesp em todo o Estado pode resultar também no fechamento de cursos. Os professores que se aposentam não estão sendo substituídos. Atualmente, a universidade precisaria de, pelo menos, mais 865 professores, em um quadro de 5,3 mil docentes, para garantir as aulas em todos os 136 cursos de graduação e 149 de pós-graduação.

A Unesp possui cerca de 49 mil alunos. No câmpus de Bauru, são 5 mil, aproximadamente. A Unesp recebe do Estado 2,34% de tudo o que é arrecadado em ICMS. Quase 97% desse total vão para folha de pagamento. As três universidades públicas (USP, Unesp, Unicamp), juntas, recebem 9,57% do ICMS paulista.