| Malavolta Jr. |
| Secretário de Agricultura do Estado, Arnaldo Jardim |
Em meio a novos capítulos da crise política nacional, a situação econômica do País ficou mais uma vez em xeque. "Mas, nesse período, a economia ganhou autonomia em relação à política". A definição é do secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado, Arnaldo Jardim, que esteve anteontem em Bauru (leia mais nesta página).
Em entrevista ao JC, ele disse que a aprovação da Reforma Trabalhista rendeu resultado positivo para o setor econômico, que deve manter-se estável, diz ele.
Jardim avaliou ainda que o instrumento de delação premiada "foi vulgarizado", em razão de seu uso frequente, e que o mesmo pode abrir caminho para impunidade.
O secretário ainda acredita que a Reforma Política não consiga ser votada a tempo das novas regras serem aplicadas para as eleições de 2018 e revela ser "totalmente contra o Distritão". Confira, abaixo, os principais trechos da entrevista.
Jornal da Cidade: Nesta segunda, Janot informou sobre conteúdo gravíssimo nas delações da JBS, que poderão ser canceladas. Qual a sua avaliação das delações?
Arnaldo Jardim: A delação premiada é um instrumento que foi internacionalmente estabelecido. É fundamental que você quebre todas as organizações criminosas que buscam burlar a legislação. E a quebra vem através de pessoas que passam a ter divergências internas e que delatam. Não podemos condenar a utilização deste instrumento, mas todas as evidências são de que foi vulgarizado, por conta de seu uso muito frequente, e também distorcido. Temo que algumas delações tenham sido caminho para impunidade: pessoas que entregam um pedacinho para ocultar um pedação de seus crimes. Acho que o instrumento é válido, mas precisa ser rigorosamente acompanhado pelo Judiciário sob risco de desmoralizar a acusação.
JC: Quais consequências disso tudo para a economia?
Jardim: A boa notícia é que, nesse período de crise, a economia foi ganhando autonomia diante da situação política. Acho que nenhuma pessoa imagina que vai acontecer um fato que desestabilize o governo Temer. Ele deverá concluir o mandato. Nós tivemos reformas, como a Trabalhista, que fez bem para a economia do País. Nós temos reformas que, infelizmente, não devem caminhar da mesma maneira. Uma delas é a da Previdência, porque essa conturbação política impede que chegue ao final. Creio que isso abate a economia, porque com as reformas feitas nós teríamos uma condição de o Brasil ter um reequilíbrio fiscal e diminuir a dívida pública. Se isso não acontece, persiste essa instabilidade. Entretanto, eu creio que a economia vai continuar estável, independentemente dessa situação política.
JC: O sr. acredita que a Reforma Política consiga ser votada a tempo de ser aplicada na próxima eleição?
Jardim: Infelizmente, acho que não. Creio que vamos abrir mão, mais uma vez, de uma reforma consistente no nosso País, que seria ter regras muito mais duras em relação à criação de partidos. Eu sou a favor da cláusula de desempenho, para que os partidos que tenham expressão no parlamento e que possam ter acesso ao Fundo Partidário e propaganda na TV tenham que ter um grau de representatividade.
JC: O sr. é favorável ao Distritão e ao fundo?
Jardim: Sou totalmente contra o Distritão. Portanto, os dois itens da reforma que chegaram a ser pensados e aprovados na Comissão, que é o fundo eleitoral e o Distritão, ao invés de melhorar a representação política do País e diminuir a distância entre a população e os representantes, aprofundariam essa diferença.
JC: Em sua avaliação, quais são as chances de o governador Geraldo Alckmin chegar à Presidência da República?
Jardim: Eu vejo com muito entusiasmo. Eu acho que a conjuntura política do Brasil não vai permitir que essa radicalização permaneça como clima nas eleições. As pessoas estão cansadas das disputas políticas estéreis. Chega de gladiadores, é hora dos consultores. Estou achando que a população vai buscar pessoas que tenham capacidade de fazer convergências e com propostas efetivas, e não pessoas que estimulem o bate boca na política. Em relação ao meu partido, o PPS, ao invés de a legenda pensar em lançar candidatura própria, ela deve ser o artífice de uma candidatura de centro e capaz de conduzir a construção do País. O PPS deve ajudar para que PSDB, PPS, DEM e PSB estejam unidos em torno de uma candidatura. É o que eu defendo. E um nome, para mim, capaz de fazer isso é o do governador Geraldo Alckmin.
REUNIÃO
O secretário de Agricultura do Estado, Arnaldo Jardim – que é dirigente das Executivas estadual e nacional do PPS -, esteve em Bauru para uma reunião de trabalho com diretores regionais da pasta, na sede local da Cati. Entre as pautas discutidas estavam a concretização do programa “Mais Leite, Mais Renda”, o Programa Micro Bacias - que agrega renda ao pequeno agricultor e teve o prazo prorrogado por mais um ano - e empréstimos disponibilizados pelo governo estadual.