Em 31 de agosto de 1997, a Princesa de Gales, Diana, 36 anos, morreu em um acidente de trânsito no centro de Paris, um dos mais emblemáticos da história. Ela estava acompanhada do seu namorado Dodi Al-Fayed, do motorista e de um segurança. Este foi o único ocupante do carro que sobreviveu ao acidente.
Eles estavam a bordo de uma Mercedes Benz S 380. Este teria sido mais um dos milhares acidentes de trânsito na França se não fosse aquele que ceifara as vidas da princesa mais admirada do mundo e seu milionário namorado egípcio.
Diana e Dodi saíram do Hotel Ritz, de propriedade dos Fayed, por volta de meia noite e meia, sendo perseguidos por um grupo de paparazzi. A Mercedes adentrou no túnel em alta velocidade, desviou-se para a esquerda e colidiu diretamente com uma pilastra, rodopiando até parar. O carro da princesa teria se chocado lateralmente com um Fiat Uno branco, antes de bater no pilar. O Uno e seu motorista jamais foram identificados.
Duas testemunhas contaram que caminhavam pelas margens do rio Sena quando ouviram barulhos compatíveis com uma explosão e tiros agudos vindos do túnel. Elas jamais foram identificadas pela Scotland Yard, a polícia metropolitana de Londres.
Muitos ainda falam que o acidente fizera parte de uma conspiração para evitar que a princesa, então separada do príncipe Charles havia um ano, se casasse com Dodi. As investigações concluíram que as acusações de conspiração são "infundadas" e que o acidente aconteceu em consequência de "uma cadeia de eventos".
Muitos exames periciais foram realizados pela polícia inglesa e a francesa, e até por membros da CIA-Central de Inteligência americana. Os resultados mostraram que a Mercedes colidiu a uma velocidade de cerca de 100 km/h, que o choque de um carro bem maior, Mercedes, com o Fiat, foi compatível com as derivações do acidente.
Alguns fatos identificados nas investigações apontaram como concorrentes ao acidente e suas consequências. O motorista apresentava um nível de alcoolemia duas vezes acima do limite permitido na França, na época, mas que, no entanto, não despertou qualquer desconfiança do casal e do segurança. Outro fato concreto é que nenhum dos ocupantes do veículo usava cinto de segurança, o que teria agravado o estado final dos ocupantes da Mercedes. As perícias apontaram que, caso estivessem usando cinto de segurança, Diana e Dodi teriam sobrevivido.
Estavam todos muito aflitos com a perseguição dos paparazzi, o que poderia justificar possível desatenção do motorista com relação ao tráfego. Apesar de tantos elementos periciais apontarem para a ocorrência de acidente, a família Fayed ainda sustenta que a investigação policial do caso "fez parte de um plano para encobrir" um suposto complô contra o casal.
Enfim, 20 anos se passaram e muitos fatos ainda precisam ser esclarecidos a respeito deste cabuloso "acidente" - conforme as investigações oficiais - que pode ter sido um dos mais misteriosos no mundo, em todos os tempos. Acidente? Complô? A resposta, provavelmente, tardará ainda mais a ser conhecida. Afinal, são muitos interesses em jogo.
O autor é engenheiro, professor titular aposentado da UFSCar e diretor de Mobilidade da Assenag.