08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Tolerância e intolerância!

Sônyah Moreira - sonyah.moreira@gmail.com
| Tempo de leitura: 3 min

No século XIII, Tomás de Aquino (1225-1274), um frade italiano, identificou a palavra tolerância, que vem do latim "tolerare". Tomás associou ao verbo tolerar, à paciência, acolher alguém, dar suporte. Todavia, o lado positivo não se manteve como tal. Nos séculos XVI e XVII, com a reforma protestante, começou-se a falar em tolerância religiosa, um esforço da convivência harmoniosa, entre católicos e protestantes!

No século XIX, na França e em diversos países do mundo, a onda era falar das "casas de tolerância", que nada mais eram lugares onde se explorava a prostituição, lugares esses que admitia comportamentos que a sociedade não tolerava. As palavras tolerância e intolerância são usadas inclusive na medicina, para indicar a aceitação ou não de um medicamento.

Podemos descobrir diversos significados, usos e costumes em torno dessas duas palavras. Entretanto, depois desta introdução, para mostrar a multiplicidade de seus significados, vamos voltar ao nosso cotidiano. Tolerantes e intolerantes não são apenas os outros, mas somos nós também. A linha é tênue nas relações interpessoais, e pode ser uma reciprocidade negativa. Não podemos afirmar que a tolerância ou intolerância é fruto momentâneo, ele é construído através da história cultural.

A história da intolerância religiosa ou a história da intolerância étnica segue assim por séculos, até os dias de hoje. A carga de emoções que está vinculada nestas duas palavras, em sua maioria negativa, é como se involuntariamente nosso corpo sinta essa energia que carrega tais verbetes!

O ser humano é dotado da capacidade de deixar a racionalidade e cometer crimes hediondos de intolerância, isso é como se essa irritação fosse capaz de acionar zonas de violência desconhecidas, fugindo ao controle emocional e racional. O ódio ao próximo a partir de diferenças étnicas ou religiosas faz do ser humano um animal selvagem, e diariamente estampam os noticiários sobre delitos de tal natureza. Assim, tolerar significa ter que aguentar o outro diferente, com suas crenças, sua Língua, suas tradições, voz, sexualidade, diferenças que para muitos são ameaças.

Uma frase da Bíblia diz: "Por que vês a palha no olho de teu irmão e não vês a trave em teu próprio olho?" Ou, em palavras mais populares, por que somos tão perspicazes em apontar prontamente o defeito alheio? Simples! A nossa arrogância nos leva a nos tornarmos mestres individualistas.

Com isso, criamos desarmonia, guerra, entre etnias, religiões, guerras sanguinárias entre sexos, ou gêneros, cada um com suas verdades absolutas; todavia, esse absolutismo nos leva à desumanidade, à fera enjaulada que arrebenta as grades e salta para o mundo.

O mundo está muito diferente do século XIII, o alcance do ódio ultrapassa fronteiras, com a rapidez da luz, as religiões, dispõe de inúmeros canais para chegar aos seus fieis; com isso, a intolerância é visto por milhares de pessoas. O alcance da afronta de suas crenças é inimaginável, e nem isso os intimida.

A falta de respeito com objetos religiosos tornou-se tolerável para alguns, para outros, é normal; outros dizem até que temos mais com que nos preocupar!

Em nossos sonhos utópicos, a sociedade seria a perfeição, o Éden, cada um vivendo da maneira que melhor encontrar, ajudando a quem precisa, adorando seus deuses onde e quando achar melhor, ou da que forma achar melhor.

Tolerância e intolerância! Deixemos o ser ignóbil que existe dentro de cada um enjaulado, sob controle emocional e racional, expurgando, desta forma cenas dantescas, de agressões a qualquer que seja a diferença, seja religião, ou étnica. Que tais episódios tornem-se raros, praticados apenas por seres enlouquecidos e desprovidos de sanidade mental!

"Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem"