08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

A política e os cargos como moeda de troca

Antonio Carlos Azevedo dos Santos
| Tempo de leitura: 2 min

Aparelhar é dominar. Segundo levantamento inédito, a distribuição de cargos federais com altos salários continua, os vencimentos mensais chegam a quase R$ 20.000,00 e, o que é pior, não é necessário ser diplomado em universidades. A conclusão é que Temer apadrinha tanto quanto Dilma, mas agrada a mais partidos que ela.

Para tentar conter a rebelião de aliados no Congresso diante da nova acusação da PGR, o governo já começou a distribuir seus bem remunerados cargos de confiança aos apadrinhados de deputados "traidores", premiando os parlamentares que se comprometem a rejeitar a acusação quando chegar à Câmara.

Os cargos, chamados DAS (Direção e Assessoramento Superior), sempre foram vistos como preciosa moeda de troca com os partidos aliados, de modo a garantir a execução dos interesses do governo, instrumento chamado de aparelhamento.

Segundo levantamento de Veja, o retrato é claro sobre o toma lá dá cá, são quase 5.000 colocações no topo da hierarquia que são preenchidos por filiados de partidos. Temer, ao assumir, eliminou 1.216 postos, mas o porcentual de nomes ligados a legendas permanece o mesmo de 18%.

Os petistas foram aos poucos varridos e atualmente se restringem a 11% dos cargos de confiança mais bem remunerados, ou um quarto de antes. O PSDB quase dobrou juntamente com o PMDB e até o nanico Solidariedade passou de 0,3% para 4%, e por aí vai. Portanto, Temer fez quase tudo igual á antecessora, mas deixou margem maior para a barganha com os partidos da "base".

A rápida dança das cadeiras - cai o PT, sobe o PMDB - não deixa dúvidas sobre o imperativo do fisiologismo nas decisões sobre contratação, jogando pelos ares chances de agir com seriedade e fazer dessas posições meras boquinhas. Os relatos são enormes, e as peças do dominó continuam caindo até hoje.

A prática é tão escancarada que o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, não se furtou a fazer menções explícitas a ela em palestra, na Caixa Econômica Federal, em fevereiro deste ano. Foi um escândalo, o áudio da palestra vazou e o ministro virou alvo de investigação.

A conclusão deste órgão recomendou apenas evitar pronunciamentos que deem margem à interpretação de que cargos públicos são usados em negociatas. Imaginem se alguém pensa um absurdo desses?