11 de julho de 2026
Articulistas

Papel da escola no desenvolvimento das nações

Pedro Grava Zanotelli
| Tempo de leitura: 3 min

Emmanuel legou-nos este belo conceito sobre a criação divina: "Um reino - o Universo; uma organização comunitária - os mundos da vastidão cósmica; um lar - a Natureza; uma família - a Humanidade universal; um ambiente - a paz e uma religião - o amor. A Humanidade é constituída de povos; cada povo se baseia em comunidades; cada comunidade é uma coletânea de grupos e cada grupo uma constelação de almas." A decifração do genoma humano, por sua vez, clareou o conhecimento sobe a Humanidade, esclarecendo que todos pertencemos à mesma espécie sobre a face da Terra - a do Homo Sapiens. A História que aprendemos, dos povos pré-históricos ao dia de hoje é a história do Homo Sapiens.

O que permitiu o desenvolvimento do Homo Sapiens até nossos dias foi o dom da linguagem verbal, a habilidade de falar um com o outro usando palavras que dão nome a coisas tanto concretas como abstratas, estabelecendo diálogos para comentar situações e dar explicações. E assim se formou o conhecimento, que há 70 mil anos mostrava a Humanidade tão diferente, que Yuval Noah Harari cunhou de Revolução Cognitiva. Daí para frente foi dominando a Natureza e se espalhando pelos continentes, formando povos que foram evoluindo, alguns alcançando grandes desenvolvimentos, como os persas, os egípcios, os astecas, os gregos e os romanos. No Continente Europeu a civilização avançou até o requinte cultural das grandes monarquias. Com as descobertas de novos territórios e guerras de conquista o mapa-múndi foi tomando nova configuração até a definição atual dos países.

A plataforma sobre a qual a Humanidade evoluiu foi o conhecimento, graças à linguagem verbal, que permitiu ampliar, armazenar e transmiti-lo. As nações que mais se desenvolveram seguiram a mesma lógica, do conhecimento para a realização e a plataforma foi a escola de classe com alunos e professor, iniciada na Europa no século 12. É o que chamamos de Educação e as nações que mais se preocuparam com ela foram se desenvolvendo e deixando as outras para trás. Foi por essa lógica que nações que estavam em situação inferior ao Brasil, nesses 70 anos pós-guerra estão no topo do desenvolvimento.

O estudo Um Olhar sobre a Educação, que acaba de ser divulgado pela OCDE - Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, mostra que o Brasil gasta anualmente US$ 3,8 mil (R$ 11,7 mil) por aluno do primeiro ciclo do ensino fundamental (até a 5ª série), menos da metade da quantia média desembolsada pelos outros países que é de US$ 8,7 mil. Nos finais do ensino fundamental e do médio, continuamos com os mesmos US$ 3,8 mil, enquanto os outros países da OCDE gastam US$ 10,5 mil, 176% a mais. No ensino superior a situação é inversa, enquanto o Brasil gasta US$ 11,7 mil (R$ 36 mil), o triplo do ensino básico, na Coreia do Sul o gasto é de US$ U$ 9,6 mil.(R$ 29,56). A média anual de salário de professor é de US$ 56,0 mil (C$ 174,88 mil) e no Brasil, se todos recebessem o piso salarial seria de US$ 9,7 mil (R$ 29.884,40), ou 17%.

Como se vê, o Brasil seguiu o caminho inverso, colocando o crescimento econômico em primeiro lugar e a Educação em plano secundário. Inverteu a prioridade, gastando mais com o ensino superior do que com o básico - começando a casa pelo telhado. O professor, em vez de prestígio e respeito é desvalorizado e agredido. Deu no que deu, educação básica deficiente e educação superior fraquíssima. Imagine as novas gerações formadas pelo Ensino a Distância com analfabetos funcionais!

Enquanto não formos capazes de decidir por um projeto de Estado para a Educação, como fizeram o Japão, a Coreia do Sul e a Finlândia e deixarmos a escola como um 'mal necessário', que deve ser suportado, e mantivermos os professores como uma categoria inferior de servidores públicos, ficaremos olhando as nações mais adiantadas, usando o que só elas sabem produzir e fornecendo-lhes alimentos e matéria-prima.

O autor é ex-presidente da Ordem dos Velhos Jornalistas de Bauru.