| Marcelo Chello/Estadão Conteúdo |
| Rodrigo Janot ao chegar para a sessão plenária no STF, onde fez um balanço de sua atuação |
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou que a delação de Joesley Batista e Ricardo Saud, da JBS, foi rescindida.
A informação consta da denúncia apresentada nessa quinta-feira (14) contra o presidente Michel Temer e outros integrantes do PMDB da Câmara.
"No que toca às provas que dão sustentação às imputações formuladas na inicial, uma parcela delas foi obtida a partir dos acordos de colaboração firmados com Joesley Batista e Ricardo Saud e devidamente homologados pelo Supremo Tribunal Federal", escreveu procurador-geral.
Em seguida, Janot menciona a investigação aberta na semana passada para apurar se os executivos deliberadamente omitiram fatos criminosos.
"Contudo, em razão de fatos novos, foi instaurado procedimento de revisão acerca destes ajustes firmados e o Procurador-Geral da República concluiu que houve omissão deliberada, por parte dos referidos colaboradores, de fatos ilícitos que deveriam ter sido apresentados por ocasião da assinatura dos acordos. Em razão disso, houve rescisão destes ajustes, mas isso não limita a utilização das provas por eles apresentadas."
DISCURSO
Ao deixar o Supremo Tribunal Federal (STF), o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disse ter feito o que ponderou ser o melhor para o desenvolvimento da sociedade brasileira e combate à corrupção no Brasil. Janot participou da sua última sessão na Corte, já que hoje é o último dia útil do seu mandato como PGR.
"Dei nesse período o meu melhor, fiz aquilo que achei que fosse o melhor para o desenvolvimento da sociedade brasileira, para o desenvolvimento do processo civilizatório do Brasil e espero que assim continue e tenhamos dado um passo a diante no combate a essa corrupção endêmica que vigora no Brasil. Agradeço muito a vocês e agora vou descansar, porque preciso", disse Janot.
Questionado, o procurador-geral disse que não leva "nenhuma" mágoa do seu período como procurador-geral e que "jamais" cometeu algum ato que configure abuso de autoridade. Janot assumiu a chefia do Ministério Público Federal para mandato de dois anos em 2013 e foi reconduzido em 2015.