| Samantha Ciuffa |
| Skaf esteve em Bauru na última sexta, quando falou sobre política e o atual momento do País |
Ainda sem confirmar sua candidatura para o governo do Estado nas eleições de 2018, o presidente da Fiesp, Ciesp, Sesi-SP, Senai-SP e Sebrae-SP, Paulo Skaf, acredita que será natural seu nome ser lembrado pelo PMDB para a corrida eleitoral. Sem entrar na discussão sobre os rumos políticos que irá tomar, ele levanta a bandeira do voto em "gestores competentes", com análise preliminar sobre a vida pregressa dos candidatos.
"Se conseguirmos promover as reformas, recuperar a economia e o Brasil voltar a crescer, não podemos estragar tudo de novo, escolhendo pessoas erradas", argumentou, em entrevista coletiva concedida à imprensa em sua visita ao Sesi e ao Senai de Bauru na última sexta-feira, quando assinou convênios com prefeituras da região.
Dias antes, ele havia se reunido com o presidente Michel Temer para apresentar demandas econômicas conjuntas com centrais sindicais e falou sobre a mobilização que visa criar mecanismos para a retomada do crescimento do País. Defendeu, ainda, diante dos escândalos de corrupção, o financiamento público de campanha, salientando que o investimento aproximado de R$ 4 bilhões seria ínfimo diante do PIB de R$ 24 trilhões estimado para o País em quatro anos.
Leia, abaixo, os principais trechos da entrevista.
JC - Normalmente em lados opostos, Fiesp e centrais sindicais se uniram para apresentar demandas econômicas conjuntas ao presidente Michel Temer em Brasília há poucos dias. Sendo uma pessoa bastante próxima do presidente, o senhor acredita que os pedidos serão atendidos?
Skaf - Foi um trabalho de meses. Tive inúmeras reuniões com cinco das seis centrais sindicais do Brasil, com exceção da CUT, que é muito ligada ao PT e é mais um partido político do que uma central sindical. As outras cinco participaram ativamente dos debates para conseguirmos formular uma agenda de curto prazo para que o Brasil volte a crescer e gerar empregos. Outros setores, como agricultura, transporte, serviços, indústria e comércio, também participaram e, quando chegamos a um consenso, agendamos a reunião com o presidente. Quase 200 entidades representativas de todos os segmentos e de todo canto do Brasil estavam lá. Entre as propostas, estava a ampliação da oferta de crédito, por exemplo, no BNDES, banco de fomento brasileiro, entram naturalmente R$ 80 bilhões por ano e ele está aplicando metade disso. Também reivindicamos a retomada das milhares de obras públicas paradas em todo o Brasil. São construções que estão se deteriorando, sem atingir o objetivo de servir a população. Também discutimos a desburocratização para quem quer produzir no País e a necessidade de o índice de nacionalização ser respeitado e destravar os investimentos da cadeia de petróleo e gás. Enfim, são propostas possíveis de serem atendidas e que gerariam grande número de empregos e seriam catalisadoras da retomada do crescimento do País.
Imprensa - Sendo membro do PMDB, concorda com as denúncias da Procuradoria-Geral da República (por organização criminosa e embaraço às investigações da Lava Jato) contra Temer e outros integrantes do partido?
Skaf - Não cabe a mim concordar ou discordar de assuntos que são ligados ao Ministério Público e à Polícia Federal. Cabe a eles investigar e ao Poder Judiciário, julgar. Eu respeito o Poder Judiciário e tenho certeza de que tudo será julgado com isenção e competência.
Imprensa - Como o senhor, que já foi candidato a governador e deverá ser novamente, acredita que deva ser o financiamento de campanha?
Skaf - No mundo inteiro, você tem o financiamento público ou o financiamento privado. Não há condição de não ter nenhum tipo de financiamento para campanha. Neste momento de tanto desgaste, com tantos escândalos ligados ao financiamento das empresas, seria conveniente que, para 2018, o financiamento fosse público. E é preciso haver verba para isso. Como a população está muito decepcionada com a política, acaba ficando contra tudo e todos. Mas, no ano que vem, teremos eleições gerais e é nosso papel fortalecer a política e a democracia brasileiras, promovendo as grandes mudanças nas urnas, escolhendo pessoas certas para representar o povo no governo estadual, federal e no Congresso Nacional.
Imprensa - O senhor será candidato em 2018?
Skaf - Neste ano, estou tão preocupado em restabelecer o aquecimento da economia do Brasil, o emprego, aprovar as reformas, estou dedicado integralmente a isso como presidente da Fiesp, Ciesp, Sesi, Senai e Sebrae, e não estou pensando em política. Mas, na minha opinião, será natural meu nome ser lembrado no ano que vem como um possível candidato a governador, até porque, em 2014, eu tive quase 5 milhões de votos, sendo o segundo mais votado.
JC - E o senhor continuará no PMDB?
Skaf - Eu exerço a política no período em que fui candidato. Não tenho uma atuação partidária, que se limita a, eventualmente, participar de algumas reuniões. Não estou na política diretamente, porque tenho, como obrigação, a presidência da Fiesp, Ciesp, Sesi, Senai e Sebrae. No ano que vem, é muito importante que todos nós fiquemos ligados nas eleições. Se conseguirmos promover as reformas, recuperar a economia e o Brasil voltar a crescer, não podemos estragar tudo de novo, escolhendo pessoas erradas. Precisamos de gestores competentes, realizadores, corajosos e honestos. E, em vez de acreditar em promessas, nada melhor do que observar a vida dos candidatos ao longo da vida.
JC - O que acha da iniciativa do partido em excluir o P e voltar ao MDB?
Skaf - Os partidos políticos estão muitos desgastados e, tirando ou não o P, este desgaste não vai deixar de existir. Pode ter um motivo para promover esta mudança, mas eu não participei das discussões. Foi uma decisão nacional e eu soube pelos jornais, como a maioria dos brasileiros. Para mim, sinceramente, é indiferente, mas, se o partido decidiu tirar o P, para mim, tudo bem.
Em Agudos
Após visitar Bauru anteontem, Skaf segue cumprindo agenda na região neste final de semana. Ontem, visitou o Sesi de Agudos, quando o ex-jogador de futebol agudense José Benedito Tobias se tornou patrono da quadra poliesportiva da unidade.
Hoje, a partir das 12h, o Sesi/Senai-SP leva para Botucatu o projeto Praças do Amanhã, que contará com diversas atividades culturais, esportivas e de lazer no Largo da Catedral (Praça Rubião Junior). Na programação, está o show do cantor Daniel, às 15h.