| Fotos: Samantha Ciuffa |
| Ivan Camargo comenta que número de treinadores é baixo no País e atletas começam a competir sem aprender o beabá do hipismo |
| Nayla Damus salta com Mississipi na V Etapa Regional Noroeste FPH da Copa Tamboré; evento reuniu promessas regionais do esporte no último domingo |
| Bruna Haddad supera obstáculo, montando Bandalos, na competição realizada no Santa Rosa Centro Hípico Bauru |
"O hipismo está crescendo no País, mas ainda falta base de equitação para formarmos campeões". O alerta é feito por Ivan Camargo, 53 anos, um dos maiores nomes da modalidade do Brasil. Morador de Portugal e atual treinador da Bolívia, Ivan já integrou equipes do Brasil, Chile, Portugal e Colômbia e foi comentarista na TV por muitos anos do hipismo no canal ESPN.
Ele esteve em Bauru, nos últimos dias, a convite do Centro de Hipismo Santa Rosa, para ministrar clínica preparatória para 25 alunos do local que disputariam a V Etapa Regional Noroeste de Salto e Salto Iniciante - Copa Tamboré, que foi realizada, no último domingo, por meio da Federação Paulista de Hipismo (FPH), no centro citado.
Em bate-papo com o JC, o cavaleiro, que há 30 anos atua como treinador, apontou que o cenário do hipismo registrou ascensão nos últimos 15 anos no País, tanto que o Brasil figura hoje como um dos quatro melhores países no esporte. "Mas só cresceu porque o brasileiro e o sul-americano tem uma ginga a mais e até que se dá bem no esporte e porque compra, geralmente, um cavalo já treinado em alto nível. Faltam treinadores para ensinar", cita. "Os cavaleiros de alto nível daqui ainda moram e treinam fora do País", acrescenta Camargo.
FORMAR CAMPEÕES
Mas a tática, segundo ele, não é suficiente para formar campeões. "Em uma prova, o cavalo é 80% e o cavaleiro 20%, mas se ele erra, o cavalo refuga. Ao comprar um animal pronto, sem saber o beabá, a pessoa acaba estragando e viciando o animal. Isso acontece porque as pessoas querem apenas saber das regras do esporte e pulam etapas, ou seja, não investem no básico", observa Camargo.
O ideal, segundo ele, é começar ainda na infância para aprender mais sobre o esporte e adquirir mais sensibilidade para lidar com os cavalos. "O cavalo não nasceu para saltar, é o cavaleiro quem comanda e o conjunto deve estar em sintonia", pontua
Para ele, o evento em Bauru foi considerado um marco. "Não tenho dúvidas de que vários atletas daqui logo, logo estarão no cenário nacional", vislumbra.
ELITIZADO
O hipismo, contudo, ainda é um esporte elitizado. Um animal razoável para início dos treinos não sai por menos de 15 mil.
Ao chegar à categoria de saltos acima de um metro, os cavaleiros, geralmente, investem de R$ 200 a R$ 500 mil em um animal. E há uma raça específica para o esporte, que é chamada BH, modificada geneticamente para o salto.
"É um esporte que não tem como popularizar. A manutenção de um cavalo desses chega a 500 dólares mensais", reforça Camargo.
O hipismo ainda é dominado pela Europa, que possui cerca de 200 anos de tradição. "Lá, um cavaleiro é como um jogador de futebol brasileiro", detalha o treinador.
Bauru traça metas para voltar ao cenário nacional
| Fotos: Samantha Ciuffa |
| José Martha: “A ideia é voltar a colocar Bauru no cenário nacional” |
| Roberta Martha: “É um esporte que trabalha a autoestima e a autoconfiança” |
| Francisco Miraglia Simões Barbosa: “Acredito que estamos construindo um futuro” |
O cenário de ascensão do hipismo no País e a necessidade de fortalecimento da equitação de base são reforçados pelo vice-presidente da Federação Paulista de Hipismo José Martha.
Ele ressalta que a entidade tem feito um grande esforço para regionalizar o esporte e fortalecer o hipismo na região. "A ideia é voltar a colocar Bauru no cenário nacional", pontua Martha, que também é proprietário do Haras Santa Rosa junto com sua filha Roberta Martha.
Como exemplo do esforço, ele cita o fato de Bauru ter abrigado duas etapas da Copa Tamboré, até agora. "Bauru também deve ser a sede da 6.ª etapa. E, estamos conversando para trazer mais competições ainda para cá no ano que vem", cita José Martha.
Presidente da Sociedade Hípica de Bauru (SHB), Francisco Miraglia Simões Barbosa também projeta o crescimento da cidade no esporte. "Temos vários e grandes centros de hipismo clássico no município. Acredito que estamos construindo um futuro", ressalta, citando o nome de sua filha Gabriela Barbosa, de 13 anos, como uma das promessas no esporte.
BENEFÍCIOS DO HIPISMO
Atualmente, o Centro Hípico Santa Rosa conta com 60 alunos, em variados níveis. Roberta Martha diz que o esporte é utilizado com fins que vão desde o lazer ao terapêutico.
"É um esporte que trabalha a autoestima e a autoconfiança. Temos uma aluna, inclusive, que relata ter perdido a timidez e o medo em falar em público depois que começou o hipismo", comenta.
Lá, os atletas competem em categorias que abarcam saltos em alturas de 40, 60,80 e 90 centímetros. Acima de um metro, já é considerado hipismo de alto nível.
Destaque atual da região no esporte, a atleta Maria Luiza Martha, 14 anos, neta de José, é um dos maiores destaques atuais no hipismo regional. Ela foi uma das participantes do campeonato, ontem, no salto de 1,35 metros.
Maria Luiza foi convocadas para representar o Brasil, na categoria salto 1,20 mirim, no Campeonato Sul Americano, de 2 a 8 de outubro, na Argentina.