| Luiz Monteiro/Divulgação |
| Delegado Wanderley Benedito Vendramini ouviu ontem 26 pacientes atendidas na clínica de reabilitação |
Uma clínica particular de recuperação de dependentes químicas localizada em Jaú (47 quilômetros de Bauru) foi lacrada nessa quarta-feira (20) após inúmeras denúncias de maus-tratos contra pacientes. De acordo com a Polícia Civil, das 26 mulheres que recebiam atendimento no local, dez relataram ter sofrido algum tipo de violência.
O delegado assistente da Delegacia Seccional de Jaú, Wanderley Benedito Vendramini, revela que, nos autos de inquérito civil, o Ministério Público (MP) pediu à Justiça a lacração da Associação Projeto Gratidão - Comunidade Terapêutica Unidade Feminina de Jaú.
"Paralelamente a esse inquérito civil público, eles começaram a receber também denúncias de eventuais maus-tratos contra internos. E nós já tínhamos, em contrapartida, inquérito instaurado no 4º DP apurando justamente algumas denúncias de ex-internos", diz.
A troca de informações entre Polícia Civil, MP e Judiciário levou o Juízo da 3ª Vara Civil de Jaú a ordenar a lacração da clínica. Ontem, equipes das Polícias Civil e Militar, Defensoria Pública, Vigilância Sanitária e Secretaria de Assistência Social foram até a unidade.
"Houve a lacração por parte da Justiça e da Vigilância Sanitária. Já tínhamos acordado que, como ocorreria lacração e as internas seriam retiradas de lá, elas seriam conduzidas à CPJ de Jaú após serem submetidas ao exame de corpo de delito", explica Vendramini.
DEPOIMENTOS
Na CPJ, segundo o delegado, 26 pacientes que estavam no local prestaram depoimento. "Sem a influência dos mantenedores da clínica, cada uma foi relatando o que vivenciou. Das 26, dez relataram fatos que constituem crime, principalmente maus-tratos", afirma.
Os "castigos", de acordo com ele, ocorriam quando as internas deixavam de executar alguma tarefa pré-determinada pelos funcionários, como cuidar do curral ou da horta ou capinar o mato. "Aquela que se negava ou não fazia a contento sofria castigos", declara.
"Em alguns casos, chegaram até a agressões e, em outros casos, por exemplo, o castigo era ficar três dias trancafiada num quarto escuro sem alimentação ou com pouquíssima alimentação. Em outros casos, elas ficavam seis meses sem poder usar o banheiro da clínica".
Com o fechamento da clínica, as internas ficaram sob responsabilidade da Secretaria de Assistência Social para que retornem ao convívio familiar. "Na esfera criminal, cada responsável por algum delito vai responder individualmente por ele", anuncia o delegado.
A reportagem entrou em contato com o celular que consta na página da clínica no Facebook como sendo do presidente e deixou recado na caixa postal, mas não houve retorno até o final dessa quarta-feira (20).