08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

A excelência da maturidade

Sônyah Moreira - sonyah.moreira@gmail.com
| Tempo de leitura: 2 min

"Tudo o que vive deve morrer, passando pela natureza em direção à eternidade", diz Gertrudes a Hamlet. (William Shakespeare -1564-1616).

A vida é composta basicamente por três fases; infância, juventude e maturidade! Quando estamos na infância, não passa por nossas cabeças que iremos crescer e nos tornar jovens e adultos.

Na infância, o que nos anima é imaginar que, ao crescer, poderemos fazer de tudo, nessa época, os dias são mais lentos, demora demais pAra chegar aos dezoito anos, onde acreditamos que teremos liberdade total! Na infância, e tão pouco na juventude, não passa nem por um segundo que seremos maduros e, depois, velhos. Pra dizer a verdade, imaginamos que seremos eternamente jovens!

Os anos seguem seu curso normal. Curiosamente, com o passar dos tempos começamos a perceber coisas que antes passavam despercebidas ao nosso olhar. Depois do auge, começamos a seguir uma estrada desconhecida; a visão começa a se ampliar, percebemos que nossa eternidade não é tão eterna assim! O mais interessante disso tudo é que este caminho que percorremos não discrimina ninguém: mulher, homem, ricos, pobres, raça. Que sabedoria teve a Criação, não?

No auge de nossas vidas, brigamos por coisas tão banais, por exemplo: Um carro colocado por engano na vaga errada, um barulho qualquer. Alguns brigam simplesmente por alguém existir! Na vida profissional, nos deparamos com algumas pessoas, que possuem o ego maior que ele próprio, pronto para devorá-los. Estes humanos, em especial, esquecem que tudo na vida passa, e que o mundo é redondo!

E sabe quando percebemos a chegada da maturidade? Esqueçam se pensaram em rugas! A percepção da excelência da maturidade é quando começamos a nos envergonhar por atitudes absurdas das pessoas, em relação a outras. Se envergonhar do que os outros fazem é um sinal claro que amadurecemos, e isso, pelo simples fato de começar a entender o outro, ou mesmo se colocar no lugar do outro; tentar sentir o que o outro sente. Sentir pena das pessoas que têm atitudes grotescas, ao invés de raiva.

Na maturidade, começamos a pensar como os três mosqueteiros do romance de Alexandre Dumas: "um por todos, e todos por um"; não há a menor chance de vivermos sozinhos, a necessidade de interagir aumenta à medida que envelhecemos.

Outro fator determinante é chegar à conclusão que não sabemos nada, e que a vida nos surpreende diariamente com novas lições, bastando, para tanto, querer enxergar.

A sombra da morte nos acompanha ao longo da vida, e sob nossa ótica, não há nada de poético em morrer, todavia, é a única certeza que temos e, talvez, jamais conseguiremos ter total compreensão. Para atingir o ápice da maturidade, e chegar a excelência, é preciso olhar para dentro de si, para o Templo divino, onde habita o fogo originário dos deuses.

A excelência da maturidade é conquistada, principalmente, quando fazemos ao outros o que gostaríamos que fosse feito pra nós; e sem esperar nenhuma retribuição. E esta maturidade, sem sombra de dúvidas, não está limitada apenas ao corpo físico!