08 de julho de 2026
Geral

Bauru segue para ser a cidade dos ipês

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

Samantha Ciuffa
Prontinhas para embelezar a cidade: Lourdes Penteado em meio às dezenas de mudas de ipês roxo no Viveiro Municipal
Renan Casal
Fila de ipês na Getúlio Vargas (acima) e espécie na rua Arfeh El Timani com a avenida Cruzeiro do Sul (abaixo) são exemplos da árvore que está se consagrando em Bauru
Samantha Ciuffa

Hoje é celebrado o Dia da Árvore e, ao que tudo indica, o bauruense já "elegeu" a sua espécie favorita. As cores dos ipês espalhados pelas ruas tem encantado a população nas últimas semanas. Cenário que será ano a ano mais comum neste período de florada, entre o final do outono e o início da primavera. É que Bauru caminha para ser a cidade dos ipês.

É o que afirma a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma). A pasta diz ter dado prioridade para o plantio deste tipo de árvore pelo município há pelo menos uma década.

MOTIVOS

A escolha dos ipês, sejam rosa, roxo, branco ou amarelo, em detrimento de outras árvores tem ocorrido, segundo o biólogo da Semma Daniel Rolim, por causa da boa adaptação que eles têm apresentado ao clima da cidade, que é de transição entre o tropical e temperado do sul.

"Aumentamos a quantidade de ipês no município porque é uma árvore que se adaptou muito ao nosso clima, que se desenvolve facilmente e não sofre tanto com pragas. E também porque deixa a cidade colorida e mais bonita", comenta Rolim.

Além disso, por ser exuberante, o ipê ajuda a fauna da cidade, porque atrai mais beija-flores e oferece mais néctar do que outras árvores às abelhas.

Antigamente, a prefeitura priorizava o plantio de árvores grandes em áreas públicas, como a sibipiruna e chapéu-de-sol, que beneficiavam em questão de sombra. "Mas o chapéu-de-sol pegava muito cupim e a população reclamava bastante da sibipiruna porque ela solta muita folha no período seco e entope calhas", explica Daniel.

Em tempo: o ipê rosa é uma árvore de predomínio na mata atlântica e o ipê amarelo é característico do cerrado e, por isso, possui ainda mais facilidade de adaptação.

60% DAS ESPÉCIES

A demanda pelos ipês tem sido tanta que mudou até a produção de árvores no Viveiro Municipal. Atualmente, 60% das espécies que são criadas por lá correspondem aos ipês. "A cada 50 mudas que fornecemos para a arborização da prefeitura em ruas e praças, 20 são ipês", comenta Lourdes Penteado, responsável pelo local.

Atualmente, a unidade possui cerca de 1.700 mudas de ipês, com idades de 1 a 3 anos. E, inclusive, já iniciou a captação de sementes para uma nova geração.

Além da produção própria, a prefeitura tem obtido as mudas por meio de doações feitas pela compensação de empreendimentos residenciais. Para obter o Habite-se, prédios residenciais, por exemplo, precisam doar três mudas de árvores por apartamento. "Quase todas as doações são de ipês", cita Daniel Rolim.

A compensação também abrange uma lei de maio deste ano, que prevê a doação de 15 mudas para cada supressão de árvore feita em terrenos com menos de 10 árvores.

Oitis?

Além do ipê, a arborização tem utilizado, agora, as oitis. Elas são aquelas podadas em formados redondos ou quadrados e ajudam na questão da sombra.”Não é uma árvore tão alta e suscetível à pragas, por isso também tem sido usada”, acrescenta o biólogo da Semma Daniel Rolim.

Samantha Ciuffa
Wilson parou carro para registrar beleza dos ipês

‘Vim contemplar esse espetáculo’

Encantado com a exuberância de dois ipês localizados em um terreno entre o cruzamento da avenida Cruzeiro do Sul e Arfeh El Timani, no Núcleo Habitacional Bom Samaritano, o vendedor de cosméticos e morador do Jardim América Wilson Luís Dias, de 46 anos, não pensou duas vezes em parar o carro para captar uma imagem da bela árvorw.

“Sou apaixonado pelos ipês, estava a caminho de um cliente, mas desviei para contemplar esse espetáculo da natureza por alguns minutinhos”, conta.

Dia da Árvore hoje será marcado por plantios

Em comemoração ao Dia da Árvore, Bauru terá várias ações de plantio de mudas. A Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) e a empresa Rumo, por exemplo, realizam, às 9h, dentro do pátio da empresa, próximo ao Córrego da Grama, o plantio de 50 mudas de árvores nativas e frutíferas do cerrado. A ação tem por objetivo recompor a mata ciliar do córrego. A Semma e a Empresa Rumo estão localizadas na avenida Alfredo Maia, quadra 1.

Também hoje, colaboradores da Concessionária Auto Raposo Tavares (Cart) realizarão plantios de árvores no Centro de Controle Operacional em Bauru, nas nove praças de pedágio e nas 12 bases do Serviço de Atendimento ao Usuário (SAU) ao longo das três rodovias administradas, de Bauru à Presidente Epitácio. A iniciativa visa reforçar a importância da preservação ambiental e a conservação de áreas verdes.

Ainda hoje, a Associação de Recuperação Florestal e Ecológica da Região de Bauru (Acioflora), em parceria com o Grupo de Ecologia Vegetal Aplicada (GEVA) da USC, realiza a 5.ª edição do Plantando Sorrisos, com o plantio de 1,5 mil mudas em uma área nas dependências da chácara do Esquadrão da Vida, a fim de se restaurar uma área de mata ciliar.

Você sabia?

Os ipês brancos, por apresentarem porte menor, são geralmente plantados em calçadas estreitas. Em calçadas largas e canteiros centrais, a prefeitura opta por ipê rosa e amarelo. Em praças públicas, geralmente, é plantado o ipê roxo, considerado o maior da espécie.

Os ipês rosa, roxo e branco levam em média oito anos para florescer. Já o amarelo floresce com apenas três anos de idade.