| Fotos: Aurélio Alonso |
| René Simões esteve nessa sexta (22) em Bauru para discutir expansão de escola de futebol local na qual é sócio e ministrou palestras com o tema: ‘Esporte, Positive Coaching e Networking’ |
| Ampliação da Escola Ginga de Futebol de Bauru em discussão: René Simões, Carlos Thiengo, José Xaides de Sampaio Alves e Igor Malinosqui |
"Se tiver a proposta oficial para treinar a Seleção Brasileira de futebol feminino, eu aceito". A frase é do professor e treinador René Simões, um dos cotados para dirigir a equipe nacional após a demissão de Emily Lima, ontem, que ficou apenas 10 meses à frente da equipe nacional. René esteve, nessa sexta-feira (22), em Bauru para discutir a expansão da Ginga Escola de Futebol, projeto local que oferece treinamento para crianças de 5 a 11 anos, do qual ele é sócio desde março de 2015.
Membro do painel de instrutores da Fifa desde 2000, René mantém o projeto em Bauru há pouco mais de dois anos, em sociedade com Carlos Thiengo. Atualmente, estão matriculados na escolinha 48 estudantes de futebol (deste total, 10% são bolsistas), que recebem treinamento duas vezes por semana, na sede da instituição localizada na Vila Santista.
O objetivo, agora, é expandir o espaço físico para ampliar o projeto. "Queremos dar um cunho extremamente social. Olhar um pouco também para os mais desprivilegiados. O futebol é um caminho excepcional para crianças e jovens. Estamos viabilizando um local maior para oferecer várias atividades, como academia, cabeleireiro, entre outros", destaca René.
O processo de ampliação da Ginga visa formar novas turmas, alterando a faixa-etária mínima para matrícula (a partir dos 4 anos de idade) e também desenvolver equipes femininas e adultas. "Nós criamos um modelo de proposta pedagógica diferenciado. Esse método foi aplicado, testado e aprovado, e já está apto a ser comercializado", frisa Carlos Thiengo.
SERVIÇO
Em outubro, a escola irá disponibilizar vagas para a formação de novas turmas. A Ginga fica na avenida Comendador José da Silva Martha, 26-35, Vila Santista, em Bauru. Mais informações pelos telefones (14) 3243-7016 e (14) 9 9147-6355.
René Simões confirma interesse em assumir Seleção Brasileira de futebol feminino?
Durou apenas 10 meses a trajetória de Emily Lima à frente da Seleção Brasileira feminina de futebol. Nessa sexta-feira (22), a CBF demitiu a treinadora, que havia assumido o time em novembro do ano passado. Em 13 jogos, Emily somou sete vitórias, um empate e cinco derrotas.
Enquanto concebia entrevista ao JC, nessa sexta (22), René Simões soube que era um dos cotados para assumir o posto e demonstrou interesse no cargo. "Essa possibilidade mexeu muito comigo", frisou René, que dirigiu a Seleção Brasileira feminina na conquista da medalha de prata nos Jogos Olímpicos de 2004, em Atenas (Grécia).
"A seleção feminina é uma coisa que ficou muito mal resolvida comigo. Após a conquista nos Jogos Olímpicos (em 2004), me foi pedido um projeto, que ficou lindo, mas nunca mais recebi um telefonema. E isso me deixou muito sentido", declarou.
Questionado sobre as prioridades caso assuma a equipe nacional, ele citou a Copa do Mundo em 2019 e Olimpíadas em 2020. "Eu acho que era a chance da Marta conseguir, na última Olimpíada dela, ganhar uma medalha (de ouro)", comenta.
‘Reggae Boys’
Formado em educação física, René começou sua carreira de treinador de futebol em 1973, no Clube Ginástico do Rio de Janeiro. Ele dirigiu clubes e seleções nacionais, como Fluminense, Coritiba, Vitória, Al Arabi Sports, Al Ryan Sports, Trinidad & Tobago Football Federation e Al Khor Sports Club.
Obteve projeção internacional ao dirigir a Seleção Brasileira feminina na conquista da medalha de prata nos Jogos Olímpicos de 2004, em Atenas (Grécia) e, principalmente, quando conseguiu levar a seleção da Jamaica à sua primeira Copa do Mundo, em 1998.
Ele assumiu a equipe em 1994, com a missão de classificar os "Reggae Boys" para competição mundial. Logo que chegou, René afastou os jogadores indisciplinados, organizou taticamente o time, convenceu os dirigentes que era necessário investimento pesado e resgatou talentos jamaicanos "perdidos" na Inglaterra.
Em 20 partidas das Eliminatórias, a Jamaica venceu 11, empatou seis e perdeu apenas três, garantindo assim a terceira vaga da Concacaf para o Mundial de 98. Na Copa da França, perdeu para Croácia, por 3 a 1, para Argentina, por 5 a 0, e venceu o Japão, por 2 a 1. Os "Reggae Boys" ficaram com a 22.ª colocação do Mundial.