11 de julho de 2026
Geral

"Ato pelo fim da cura gay" clama por respeito

Marcele Tonelli e Ana Beatriz Garcia
| Tempo de leitura: 2 min

Samantha Ciuffa
Com palavras de ordem e cartazes, manifestantes criticaram durante a chamada ‘reversão sexual’

Munidos de cartazes com as frases "O seu preconceito que precisa de tratamento", "Contra a patologização das diferenças" e "Tratamentos de reversão já resultaram em suicídios no passado", cerca de 50 pessoas se mobilizaram, nessa sexta-feira (22), durante o "Ato pelo fim da cura gay". Em frente à Câmara Municipal em Bauru, os manifestantes discursaram por pouco mais de uma hora e proferiram palavras de ordem contra a decisão da Justiça do Distrito Federal, que gerou polêmica ao permitir, em caráter liminar, o tratamento de gays e lésbicas por terapias para "reversão sexual" aplicada por psicólogos.

Moradora da Vila Pacífico e mãe de uma travesti, Carla Patrícia de Melos, de 40 anos, que também faz parte do grupo nacional Mães Pela Diversidade, se uniu aos jovens que protestavam. "É um grande absurdo isso. Ninguém se torna nada, as pessoas são o que são. O tratamento deve ser para quem tem preconceito e não aceita e respeita a diversidade do próximo", esbraveja Carla.

Para Gabriel Mello, um dos organizadores do ato, a liminar "coloca anos de história da causa LGBT no lixo, na medida em que abre a possibilidade de tratar como doença a diversidade sexual. Na verdade, são pessoas que serão tratadas na base de um achismo. E, na busca por essa tal cura, famílias irão repreender seus filhos".

O protesto foi organizado pela 'Frente LGBT-Bauru' e 'Liberdade e Luta'. Participaram ainda do ato representantes da Esquerda Marxista, do Juntos! Bauru, da Associação Brasileira de Psicologia Social (Abrapso), do Conselho Regional de Psicologia, da Juventude do PSOL e do PT.

A POLÊMICA LIMINAR

O pedido de liminar foi proposto por um grupo de psicólogos, inclusive a autora, Rozangela Alves Justino, com o intuito de suspender os efeitos da Resolução 001/1999, na qual são estabelecidas as normas de conduta dos psicólogos no tratamento de questões envolvendo orientação sexual.

O juiz Waldemar Cláudio de Carvalho acatou parcialmente o pedido de liminar da ação mantendo a resolução de 1999, mas determinando que o Conselho Federal de Psicologia não impeça os psicólogos de promover estudos ou atendimento profissional, de forma reservada, pertinente à reorientação sexual, sem nenhuma possibilidade de censura ou necessidade de licença prévia.