| Fotos: Aurélio Alonso |
| Miniatura de carruagem feita para decoração e caixas de porta-joia produzidas com máquina de corte a laser |
| Luis Alberto Vitti mostra o cobogó, espécie de divisória de parede feita para enfeite |
O artesanato é um segmento que cresceu e se profissionalizou no país. Atualmente, é fonte de renda para mais de 10 milhões de brasileiros. Quem se "aventura" na profissão, na realidade já tem um talento nato. O interessante é que muitas vezes esse hobby vira um estudo aprofundado informal por meio da rede mundial, que facilita aprender novas técnicas com experiências de outros países.
Na região de Bauru, três experiências aliam sustentabilidade e conhecimento técnico. O ex-grafiteiro José Nilson Mota, o Alf, descobriu a motosserra como uma ferramenta para transformar troncos velhos em esculturas e móveis; Diego Bernardo usa o shape (tábua) do skate para fazer armações de óculos e os irmãos Luis e André Vitti, de Agudos, produzem uma variedade de peças numa moderna máquina que corta MDF (espécie de aglomerado) a laser.
O presidente do Conselho de Turismo de Agudos (Comtur), Fernando Cesar Naziozeno, conta que, após a certificação da cidade como Município de Interesse Turístico (MIT), a administração está buscando auxiliar e ajudar os artesões a se organizarem e até saírem da informalidade.
O artesanato é uma opção de geração de renda e também uma possibilidade de investimento na área turística. Numa recente convocação para fazer um inventário Naziozeno descobriu mais de 30 pessoas desenvolvendo os mais variados objetos, um deles a armação de óculos com uso de madeira de skate. "Estamos buscando dar todo suporte para a regularização. Percebemos que muitos já trabalhavam com a atividade. Há casos que era hobby, mas ao ficarem desempregados, descobriram uma nova forma de buscar renda", declarou Naziozeno.
| Divulgação |
| José Nilson Mota, o Alf de Bariri, fez a réplica de uma cobra com resto de tronco |
Prancha vira armação de óculos
Diego Bernardo faz peças diferenciadas, em Agudos, num tipo de artesanato que leva como conceito a sustentabilidade e o design bem despojado
| Aurélio Alonso |
| Diego Bernardo decidiu fazer armação de óculos usando como matéria prima tábua de skate |
A criatividade é muito importante para reinventar peças feitas de matérias primas jamais pensadas. O skatista Diego Bernardo, morador em Agudos, é desses exemplos que conciliou o seu hobby com a produção de óculos, adereços e até abajur com desgin para lá de diferenciado. O produto mais conhecido da marca Plante, que ele criou, é um óculos feito da madeira de prancha do skate, material conhecido pelo nome de shape.
Bernardo encara um estilo bem despojado. Descobriu o mundo dos negócios, após trabalhar com o pai em uma funilaria, numa atividade que obrigou a ter habilidade manual e saber fazer o acabamento na pintura de carros.
Praticante do skate, ele descobriu que o uso do shape poderia render óculos diferentes do padrão. O material é resistente, mas não muito pesado e suficiente para suportar uma armação de óculos.
Claro que tudo isso consumiu tempo para muitas experimentações, conforme conta o próprio Diego, ao mostrar as armações que são produzidas em pequena escala, porém por serem únicas aos poucos vão conquistando o consumidor. Há poucos dias, ele vendeu um estoque para uma loja de Agudos.
"Em vez de de ir para o lixo, a prancha que não usa mais, decidi usar uma serra tico-tico e moldar o shape para virar armação de óculos. É um produto sustentável. Também decidi fazer releituras de modelos mais clássicos. O mais difícil foi uma pequena mola para o manuseio da haste do óculos", conta Diego, que tem sua loja montada na própria casa, mas o forte dele é vender suas mercadorias via Internet.
As armações de óculos são de variados preços de R$ 350 a R$ 499. Nem todas ainda são para o chamado óculos de grau. "Já estou fazendo testes. A maior parte tem sido para lente escura", explicou.
Mas Diego adotou um conceito de sustentabilidade de seus produtos. A armação de óculos é o carro-chefe da Plante, mas ele criou uma luminária de mesa também de shape de skate e o Tag Eco, que serve justamente como uma etiqueta e ajuda na hora de organizar informações, agrupando aquelas que recebem a mesma marcação, facilitando encontrar outras relacionadas. No caso, virou um adereço com uso de palavras personalizadas do tipo paz e amor, união e respeito feitas de madeira reaproveitada. Também há colares do mesmo material.
Diego conta que vem buscando variedades, mas todas com pensamento sustentável, como um cabide e até um material que vem com uma semente que possibilita o plantio de um cravo francês. "É um mimo que pode ser presenteado, porém a ideia é passar um conceito de positividade de sustentabilidade, de um artesanato mais consciente e expressar o lado bom da vida", explica.
Serviço
O telefone de contato da Plante é (14) 99771-7976. O site que será lançado na sexta-feira (dia 29) (https://www.planteshop.com.br)
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Você sabia?
Documento do Ministério da Cultura do Brasil afirma que atuam no país 320 mil empresas voltadas à produção cultural. A atividade cultural mais presente nos municípios é o artesanato (64,3%), seguida pela dança (56%), bandas (53%) e a capoeira (49%).
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O admirável mundo do corte a laser
| Fotos: Aurélio Alonso |
| Com laser é possível “esculpir” em detalhes essas peças |
| André e Luis Alberto Vitti fazem peças com laser em MDF |
| Caixa para armazenar imagem de Nossa Senhora de Aparecida |
Os irmãos Luis Alberto e André Vitti, de Agudos, descobriram que a máquina a laser não tem utilidade somente para fazer móveis. O equipamento é dessas sofisticações modernas que possibilitam também fazer cortes milimetréticos em chapas de MDF com possibilidade de confeccionar pequenas engrenagens ou objetos como uma carruagem de miniatura. Ligado a um computador após ser programado, com o equipamento é possível desenhar, projetar e confeccionar tudo rapidamente com o corte emitido por feixe de laser.
Luis e André contam que o artesanato tem sido a alternativa do empreendimento para buscar novos nichos de mercado em tempos bicudos de retração da economia.
O Medium Density Fiberboard (MDF) significa placa de fibra de média densidade, e é um termo em inglês. MDF é a sigla internacional do material oriundo da madeira, fabricada com resinas sintéticas. É possível, por exemplo, fazer corte em peça de 3 mm de espessura.
André deixou um emprego numa empresa de projeção nacional instalada no município que fabrica o MDF e apostou na abertura da marcenaria com a aquisição do laser. Por conhecer bem a matéria prima também ajudou a apostar no novo negócio.
Mas tanta sofisticação e precisão, segundo Luis Vitti, tem também dificuldade principalmente para conseguir material com 3 mm - no Brasil a variação é de 3,14 a 3,94 mm. "É uma norma que permite essa diferença, o que dificulta a produção de algumas peças com tanta precisão", explica Luis.
A máquina a laser tem possibilitado a produção de porta-joias e as mais variadas peças. "Tudo o que a imaginação desafiar, a gente faz", brinca André ao explicar das possibilidades que o equipamento possibilita.
Para buscar inspiração a Internet é a grande aliada. Os irmãos contam que é em sites russos, onde estão os mais inusitados projetos. "Os russo são muito criativos e disponibilizam tudo que produzem. O mais importante é ter o conhecimento de programação: isso é 90% para conseguir fazer as peças", conta André.
Há três anos em atividade, com o laser é possível usá-lo em material feito de vidro, acrílico, tecido e MDF.
Serviço
André Vitti (14) 99286-7623 (marcenariaagudosw@gmail.com) e Facebook (@woodsinarts).
O ‘escultor’ de troncos?
Ex-grafiteiro José Nilson Mota, o Alf, é um talentoso artista que descobriu a motosserra como instrumento para transformar troncos em belas esculturas?
| Fotos: Aurélio Alonso |
| José Nilson Mota, o Alf, se inspirou em sites americanos para usar a motosserra para fazer escultura com troncos |
| Tucano e arara esculpidos para decoração |
| Mesa feita de resto de madeira também faz parte do acervo de José Nilson Mota |
No final da bifurcação da avenida Expresso Sul, em Bariri, quem passa de carro ou a pé não tem como não olhar nos dois canteiros laterais, onde imensas estátuas esculpidas em troncos de madeira chamam a atenção. Esse "ateliê" ao ar livre tem figuras de arara, coruja, bancos de madeira rústicos, uma imensa cobra rastejando e as mais variadas formas de móveis. No imenso canteiro, José Nilson Mota, o Alf, segura uma motosserra e vai esculpindo e moldando restos de troncos para formar novas figuras. É mais uma maneira de transformar antigo hobby em renda e fazer produtos diferenciados.
Alf desempenha a atividade artesanal em um segmento que cresceu e se profissionalizou no país, e hoje é fonte de renda para mais de 10 milhões de brasileiros. Quem se "aventura" na profissão na realidade já tem um talento nato.
Ex-grafiteiro há mais de 20 anos, Alf descobriu também uma maneira de ganhar a vida. E navegando pela Internet ele descobriu em sites americanos que é possível esculpir com motosserra. A máquina de cortar árvores se transforma numa ferramenta de arte. Toda a sua matéria prima é composta de restos de troncos e árvores derrubadas encontradas em matas ou em processo de descarte. É uma reciclagem da madeira que teria como destino algum aterro sanitário, mas volta com nova roupagem e se transforma em escultura de decoração.
Pedaços de árvores ganham nas mãos de Alf novos formatos. Ele faz de tudo: desde móveis até peças mais refinadas. "Vendo os sites eu me apaixonei por fazer essas esculturas e decidi reaproveitar todo tipo de madeira", conta Alf, enquanto maneja a motosserra que espalha a serragem dos troncos recortados pelo chão. É tão barulhenta que ele usa um aparelho de proteção no ouvido e óculos de proteção dos olhos.
As peças com mais rendimento econômico são as encomendadas por proprietários rurais para seus estabelecimentos talhadas com letras em placas enormes de madeira, mas Alf também faz esculturas. "As placas de fazendas são as mais encomendadas como os móveis rústicos, mas gosto de esculpir aves e bonecos", conta o artesão.
Há peças de 4 metros de altura, como uma arara gigante que já está pintada e na fase final de acabamento que deve seguir em breve para uma fazenda em Bonito (MS). Essa peça demorou 25 minutos para tomar a forma da ave, a maior demora, no entanto, é na aplicação da tinta e no acabamento.
"O meu sonho é participar de uma competição com uso de motossera para fazer escultura nos Estados Unidos e Canadá. Um dia ainda vou participar, no momento não tenho condições financeiras para pagar a viagem", revela.
Ao lado do seu "ateliê" improvisado, há um miniparque de diversão com balanço, gangorra, bonecos do seriado mexicano Chaves, como Seo Madruga, jacaré gigante e uma imensa cobra verde de madeira que, nos finais de tarde, fica no canteiro destinada para as crianças brincarem. As peças também foram feitas por Alf. Se alguém se dispuser a levá-las é só comprá-las.
Serviço
José Nilson Mota, o Alf, (14) 98113-5932.