08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

É cor-de-rosa choque!

Amanda Yasmini Braga da Silva - estudante
| Tempo de leitura: 1 min

Quarto cor-de-rosa. Uma boneca de aniversário. No Natal, um jogo de panelinhas. O lazer é brincar de casinha. Carrinhos são coisas de meninos. Eis o histórico machismo. O álbum de figurinhas só tem super-herói. A figura feminina aparece como acessório de enfeite. Homem que erra é esperto. Mulher que cometeu um deslize é mau caráter.

Uma sociedade condicionada a subestimar a história de lutas e conquistas femininas. Dias desses, no ônibus, ele procurou um "alívio". Gozou na cara da mulher. No seu banco, no retorno para casa, ela perde a causa. Ele é absolvido. Ela, culpada. Gozado o ser humano!

Na casa, isto é, no feudo, a mulher sempre bela e disponível para receber o "provedor". Comida pronta, casa limpa. Crianças comportadas. Uma coisa fora do lugar, e o vermelho mancha o chão limpo. Mais preces, por favor! À Nossa Senhora Maria da Penha.

Roupa curta, sinal de prostituição. Ela passa por aquela rua, naquela hora, pura imprudência. O homem não se controla, é da natureza dele, comprovada necessidade fisiológica. E mais uma, penetrada para a estatística. O homem, do mundo moderno, autônomo e intelectual, parece que voltou para idade da pedra. Perpetua a desigualdade entre os gêneros. Eterniza o sistema patriarcal.

A mulher não precisa ser apenas bela, recatada e do lar. Ela pode ser o que ela desejar experimentar. Mulher do saber, do ter e do poder. Cabelos curtos, médios, longos. Azul, rosa, amarelo, roxo ou vermelho. Alta, baixa, arrumada, com a roupa que lhe satisfaz. Gorda, magra, solteira ou casada. Advogada ou mecânica. Ela é dona. Dona do lar, do bar, da oficina, dona do seu próprio nariz.