O JC traz a segunda reportagem da série Artes Marciais, que conta, aos domingos, como caminham as modalidades de luta em Bauru. E o tema desta edição é o "caçula" kickboxing, que foi criado na década de 1970, nos EUA, misturando técnicas do boxe, do caratê e outros estilos de luta em pé.
O JC entrevistou dois dos principais especialistas de Bauru, os professores e competidores Thiago Vianna e Rogério Balrog, que colaboraram para colocar Bauru, nestes últimos 11 anos, no patamar de ter o melhor kickboxing do Brasil, com inúmeros títulos nacionais e sul-americanos, além de uma legião de praticantes que cresce a cada dia. O único objetivo não alcançado pelo kickboxing bauruense até hoje é um título mundial, de acordo com eles, por falta de condições financeiras para os atletas viajarem para lutar em Mundiais no Exterior.
THIAGO VIANNA: O "PAIZÃO"
| Samantha Ciuffa |
| Thiago Vianna, técnico da Seleção Brasileira da modalidade |
Aos 32 anos, Thiago Vianna é um exemplo de superação. Já foi do Exército, trabalhou de marceneiro e foi segurança em supermercado. Hoje, formado em educação física, Thiago Vianna é um dos mais graduados do kickboxing brasileiro, no 4º Dan, e montou a Equipe Thiago Vianna de Kickbonxing. Ele revela que conheceu a modalidade junto com Rogério Balrog, com o professor Delcio Pereira, o precursor do esporte em Bauru, que hoje está na Finlândia. Na época, em 2006, os treinos eram direcionados para competições, com muita pancadaria. "O kickboxing evoluiu muito nestes últimos anos. Antes era um esporte dominado por homens. Hoje, o kickboxing é um esporte que pode ser praticado por toda a família. Nossa academia de Bauru expandiu filiais para vários municípios da região. Casais e filhos treinam no mesmo tatame. Temos ao todo aproximadamente 700 alunos, onde 90% deles buscam o lado "fitness" do esporte, para emagrecer e eliminar o estresse. Os outros 10% objetivam competição e nos colocam como campeões de tatame todos os anos", explica Vianna, que apesar dos títulos estaduais, nacionais e sul-americano que já conquistou, é visto como um grande "paizão" pelos alunos. Hoje, ele é técnico da Seleção Brasileira nas competições no Exterior.
Thiago Vianna conta ainda que o kickboxing feminino cresce exponencialmente em Bauru. "Já formei mulheres faixa preta e a tendência é aumentar ainda mais. Em nível competitivo, temos a Luana Nayara, que é bicampeã sul-americana, hexacampeã paulista e brasileira. Outro exemplo recente é a Tainara Alves, que ainda é faixa amarela e conquistou três ouros em sua estreia na Copa do Brasil", cita. Entre os homens, são destaques da equipe Victor Silva e Maycon Barreto, ambos com títulos sul-americanos e hexacampeões nacionais", comenta. Todos estes títulos nas modalidades de tatame.
Thiago realiza ainda o que para ele seria obrigação do Poder Público, que é dar apoio social esportivo também ao kickboxing. Atualmente, ele tira jovens das ruas de periferias com dinheiro do próprio bolso. "Hoje, atendemos na academia crianças de favelas que nos procuram para treinar, mas que não têm condições financeiras, além de meninos que passam pelas unidades do Centro de Apoio Psicossocial (Caps)", revela.
BALROG: A FERA DO RINGUE
| Aceituno Jr |
| Rogério Balrog, professor e multicampeão de kickboxing |
Quando o assunto é ringue, o kickboxing bauruense tem nome e sobrenome: Rogério Balrog. O apelido veio do famoso personagem do game "Street Fighter".
Rogério de Souza Lima, 32 anos, faixa preta 2º Dan, da Balrog Team, que além de professor também precisa trabalhar de personal e segurança, é tricampeão brasileiro de full-contact, tetracampeão paulista de ringue, campeão sul-americano de full-contact, vice em pan-americano de low kick, além de colecionar outros 64 medalhas e troféus diversos de kickboxing. "Quando eu e o Thiago começamos com o professor Delcio, o kickboxing não era divulgado. De lá para cá, as técnicas evoluíram muito. Hoje o kickboxing bauruense vai muito além do soco e chute, tem muitas técnicas que vamos aprimorando no dia a dia. Temos aqui na equipe o Jair Lopes com sete vitórias em nove lutas de ringue em eventos e o Willian, invicto em seis combates no K1.
O kickboxer explica que em outros estados a cidade de Bauru é vista como referência nacional na modalidade. Ele enfatiza também o estigma de brigões que ficou no passado. "Antigamente, quem praticava kickboxing era apontado na rua como brigão e hoje as coisas evoluíram muito. O respeito está acima de tudo", conta.
Balrog comenta também que kickboxing em Bauru está expandindo. "O foco dos treinos que realizo é voltado para competição, mas tenho muitos alunos que praticam por qualidade de vida. Seria importante a Prefeitura de Bauru fazer um projeto social com o kickboxing também, assim como faz com o kung fu, futebol, xadrez e vários outros", define.
Tanto Vianna quanto Balrog alertam que a entrega de faixa preta para um aluno é algo extremamente sério. "A faixa precisa ser merecida e conquistada. Tem quem percorrer um longo caminho até ela", comenta Bolrog. "Os professores precisam ter cuidado com as formações indevidas, não pode sair distribuindo faixa para qualquer um. Tem que ser exemplo dentro e fora das academias", finaliza Thiago Vianna.
SERVIÇO
Equipe Thiago Vianna – rua Octávio Mangabeira, 4-56, Jardim Carolina. Tel.: 98802-3263. Balrog Team – rua Virgílio Malta, 4-21, Centro. Tel.: 98140-5212.