10 de julho de 2026
Geral

Estiagem faz quase triplicar os pedidos de caminhões-pipa

Ana Beatriz Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

João Rosan/JC Imagens
Em todos os anos, nos períodos de estiagem, disparam os pedidos de caminhões-pipa

Há 37 dias sem chuvas na cidade, o atendimento com caminhões-pipas, realizado pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE), chegou perto de triplicar. Em um comparativo dos últimos 16 dias de agosto com os 16 primeiros dias de setembro, os pedidos de caminhões-pipas saltaram de 36 para 99, conforme dados da assessoria da autarquia.

Os atendimentos vêm sendo intensificados, de acordo com o DAE, por conta da baixa no nível dos reservatórios, o que causa falta d'água, principalmente, no período da tarde, e é normalizado, geralmente, durante a madrugada.

A autarquia explica que os pedidos são agravados em função do calor e da longa estiagem - a última chuva foi registrada em 20 de agosto. Com isso, aumenta bastante o consumo de água nesse período.

Conforme o JC noticiou na semana passada, por conta da diminuição da vazão do Rio Batalha - que responde por 38% do abastecimento por água de Bauru -, o DAE ligou o alerta e está mantendo suas comportas fechadas na maior parte do tempo para evitar a queda do nível da lagoa de captação da Estação de Tratamento de Água (ETA), cujo patamar considerado ideal é de três metros.

Assim, as regiões que vêm sentindo este problema são justamente as abastecidas pelo manancial, como são os casos dos bairros na região do Jardim Infante Dom Henrique, Jardim Ouro Verde, Jardim Ferraz, Higienópolis, dentre outros. "Mesmo com a produção da ETA se mantendo nos 540 litros por segundo, o abastecimento nesta região fica comprometido nos horários de pico", complementa a assessoria.

MAIS AFETADOS

Em um levantamento do DAE, a pedido da reportagem, foi constatado que a região do Jardim Infante Dom Henrique é a que mais solicitou caminhões-pipa neste mês de setembro. Segundo o DAE, a produção não está sendo compatível com a demanda de consumo por ser uma região onde há uma concentração de muitos prédios residenciais, com reservatórios gigantescos.

"Essa região é abastecida pelo manancial do Rio Batalha e conta, ainda, com o reforço dos Poços Nações Unidas e Samambaia. Mesmo assim, tem problemas de abastecimento nos horários de pico", conclui a assessoria da autarquia.

A recomendação, como sempre, é usar água com economia. Algumas dicas da autarquia são a adoção de banhos rápidos, não lavar carros e calçadas com mangueira e sempre fechar a torneira durante a lavagem de louças ou a escovação dos dentes.

Quase seis horas

Moradora da rua Belém, quadra 2, Eliza Mitsue Yamamoto Tane, 42, sentiu os efeitos da falta de abastecimento na região do Higienópolis. "Ficamos sem água por quase 6 horas na semana passada", relata a corretora de seguros.

Segundo Eliza, a falta de água que afeta sua casa é notada sempre no período da tarde. "Quando vou dar banho no meu filho, por volta do meio dia, é que percebo quando não temos água", completa.

Como apenas o chuveiro recebe água da rua e os outros cômodos se mantêm com a água reservada na caixa d'água, a corretora não entra para os números dos clientes que solicitaram caminhões-pipa. Mesmo assim, ela afirma que o problema nesses horários causa incômodo, principalmente, nesse período de estiagem.

SERVIÇO

Caminhões-pipa do DAE podem ser acionados por meio do telefone 0800 771 0195, que recebe ligações feitas apenas por telefone fixo, ou 3235-6140 e 3235-6179, para ligações feitas por celular.