| Malavolta Jr. |
| Eric Fabris diz que estudos visam evitar o pior no ano que vem |
O nível do Rio Batalha ficou abaixo do ideal (3 metros) pela primeira vez, nesta semana, desde a estiagem de 2014, segundo o DAE. Naquela época, a Lagoa de Captação do rio, que abastece 150 mil moradores de Bauru, chegou a marcar 2 metros. Nessa sexta-feira (29), a marcação estava em 2,97 metros.
A autarquia afirma que a queda de 5 centímetros nesta semana não é preocupante para o abastecimento neste ano, a menos que as chuvas de outubro fiquem aquém do esperado. O DAE, porém, já elabora um plano de contingência para evitar racionamento em 2018, como ocorreu em 2014.
Segundo dados analisados pelo presidente da autarquia, Eric Fabris, as chuvas do início do ano - de 1.073,6 mm, mais que o dobro dos 500 mm registrados no ano passado - garantiram uma margem de segurança para atravessar o atual período de estiagem, que castiga Bauru por aproximadamente 102 dias - antes da chuva dessa sexta-feira (29), houve apenas uma semana de precipitação em meados de agosto.
"Se analisarmos os dados de pluviometria de junho a setembro, este é o período mais seco dos últimos 13 anos. Felizmente, de janeiro a maio, nós tivemos o período mais chuvoso dos últimos 16 anos. Sendo assim, o lençol freático, que abastece os afluentes e o Rio Batalha, foi bem abastecido no começo do ano", explica. "É um recorde positivo contra um negativo", comenta.
Mesmo assim, no início dessa semana, o nível do Rio Batalha desceu, o que, segundo Fabris, acende uma "luz amarela". "Nossa preocupação, no momento, é com a possível estiagem do ano que vem. Mas, caso outubro não atinja o volume de chuva esperado, de 100 mm, poderemos ter problemas ainda este ano, pois o Batalha já apresenta sinais de sofrimento".
PLANO DE CONTINGÊNCIA
Preocupados com os níveis pluviométricos do início de 2018, Fabris afirma que estudos vêm sendo realizados para garantir uma margem de segurança ao mesmo período no ano que vem. "Baseando-se nessa época, no próximo ano, nós estaremos entrando em racionamento. Então, a diretoria está traçando um plano de contingência aos próximos 12 meses. A ideia é detectar todas as unidades do DAE onde existe folga de produção para fazer obras necessárias. Assim, iremos direcionar a água dessas unidades para dentro da área de abastecimento da Estação de Tratamento de Água (ETA). Desse modo, queremos chegar no ano que vem com menos dependência do Batalha", adianta.
Ainda de acordo com o presidente do DAE, o plano, que ainda está em fase de estudos, pretende aumentar a vazão da ETA em 30 ou 40%. Atualmente, a vazão máxima é de 550 litros por segundo, esse aumento representaria 200 litros por segundo a mais.
CONTROLE
Há pouco mais de 10 dias, o DAE está mantendo suas comportas fechadas na maior parte do tempo justamente para evitar uma maior queda do nível da Lagoa de Captação do Batalha.
Fabris afirma que a função da represa é de captação de água do Rio Batalha e não de represamento. "A água do rio entra para nossa represa e continua por fora. Nós usamos a comportas para manutenção do nível. Fomos fechando consecutivamente e estabilizou-se o nível em 3 metros, agora, quem manda é o Batalha", comenta o presidente na esperança de que chova que refrescou Bauru ontem continue neste final de semana.
Conforme o JC noticiou nessa sexta-feira (29), na última quarta-feira (27), a prefeitura deu início às atividades previstas no projeto de recuperação do Rio Batalha, selecionado no Programa Produtor de Água (PPA) da Agência Nacional de Águas (ANA).
A primeira fase do projeto consiste no terraceamento de três glebas, duas em Piratininga e uma em Bauru (totalizando 40 hectares), além da confecção de 35 caixas de contenção, com o objetivo de promover o controle das águas pluviais, evitando erosões e assoreamento dos afluentes do Batalha. Busca-se a infiltração e o reabastecimento do lençol freático.
"Com esse terraceamento, nós vamos aumentar o nível de infiltração de água das chuvas no lençol freático para que ela não escoe tão rápido. Isso será bastante benéfico", conclui Eric Fabris.
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Impacto em casa
O presidente do DAE, Eric Fabris, destaca que, no atual cenário, não há o alerta de racionamento de água. "Mas é sempre recomendado economizar. Caso tenhamos um outubro muito seco, torna-se mandatória a economia de água porque não teremos capacidade de produção. No entanto, no momento, podemos considerar que, mesmo com a baixa dos 5 centímetros nesta semana, ainda estamos em uma situação de normalidade", ressalta.
Além disso, Fabris destaca que as manutenções - que deixam moradores sem água durante algumas horas - são procedimentos comuns e, por conta disso, o ideal é que as pessoas não dependam do abastecimento que vem diretamente da rua.
"Todo domicílio deve ter uma caixa d'agua suficiente para 24 horas de consumo. Cada pessoa gasta, em média, 200 litros por dia, ou seja, esse é um parâmetro para que as pessoas dependam apenas da água da caixa d'água", frisa.
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