11 de julho de 2026
Esportes

Artes Marciais: Jiu-jítsu em evolução nos últimos 20 anos em Bauru

Bruno Freitas
| Tempo de leitura: 5 min

O JC traz a terceira reportagem da série Artes Marciais, que conta, aos domingos, como evoluíram as modalidades de luta em Bauru nos últimos 20 anos. E o tema desta edição é o jiu-jítsu brasileiro, arte com DNA 100% nacional que foi desenvolvida a partir de 1916, pelos irmãos Carlos e Hélio Gracie, influenciados pelo jiu-jítsu japonês trazido ao Brasil por Mitsuyo Maeda.

O JC entrevistou três dos principais especialistas de Bauru, Michael Reihner, da Gracie Barra (GB), Ricardo Pereira, cuja academia leva seu nome, mas que também pertence a Academia Octávio Pereira (AOA), e Paulo Ledesma, da PL Atos.

Os três professores citaram os precursores do jiu-jítsu em Bauru, na época com aulas em cômodos pequenos de residências. São eles Osvaldo Lot, Marcelo Barbosa e Rogério Rocha. Entretanto, foram Reihner, Pereira e Ledesma alguns dos muitos responsáveis por terem mudado a maneira como a luta é vista em Bauru, virando a página de episódios de brigas nas ruas, fomentados no Rio de Janeiro nos anos 90 e estigmatizando praticantes da época como "bad boys", fato praticamente extinto. Eles concordam ainda que o jiu-jítsu oferece uma carreira promissora e é possível viver financeiramente do esporte.

O trio explica que o jiu-jítsu deu salto de qualidade e tornou-se a luta mais praticada em Bauru. Para eles, a maioria, cerca de 90%, busca por defesa pessoal e qualidade de vida, e os 10% têm trazido muitas medalhas nacionais, estaduais e até de Mundial. Como eles conheceram a luta? A resposta foi unânime: com Royce Gracie, no UFC 1, de quimono, no nascimento do MMA.

REIHNER: O SEMEADOR

Samantha  Ciuffa
Michael Reihner aplicando uma chave de braço americana no aluno Aryan Mantovani

Líder da Gracie Barra no Interior, Michael Reihner, 41 anos, faixa preta três graus, é um exemplo de empreendedor. Aos 19 anos, passou a procurar o jiu-jítsu em Bauru, mas foi em Campinas, com o mestre Carlos Líberi, que encontrou o método de ensino ideal que buscava. "Adaptei minha vida para ir a Campinas de moto e treinar. Vendia doces e comprei uma CG para trabalhar como mototaxista. Levantava a grana para a viagem e dormia em tatame. Meus amigos me chamavam de maluco, mas minha mãe, a dona Lena, sempre acreditou em mim", revela.

Michael foi campeão sul-americano faixa marrom peso médio, em 2007, foi campeão paulista e recentemente, no Open Internacional de Gramado 2016, aos 40 anos e lutando contra adversários de 20, foi bronze. "Ganhar título é legal, mas meu compromisso sempre foi em dar aula. Comecei com um cômodo. Hoje temos, pela GB, 700 alunos somando filiais de Bauru e cinco cidades da região", frisa.

RICARDO PEREIRA: DE PAI PARA FILHO

Samantha  Ciuffa
Ricardo Pereira demonstrando uma omoplata em José Gonçalves Júnior

Discípulo de Octávio Almeida, Ricardo Pereira, 39 anos, faixa preta quatro graus, adotou o próprio nome em sua academia para passar adiante tudo o que aprendeu. O bauruense é hexacampeão paulista, possui vários títulos de circuitos abertos no Estado, foi quarto colocado no Mundial, faixa marrom pesadíssimo, em 2003, e já formou vários atletas premiados em Estaduais e Nacionais. "O praticante em Bauru perdeu a fama de "pitbull".

O maior preconceito vinha de pessoas de classes elevadas. E, hoje, é este perfil que mais pratica. Na minha equipe temos cerca de 300 alunos, de todas as idades e bairros", frisa. Ricardo revela que seu filho, Talles, de 12 anos, vem aprendendo o esporte com o pai desde os seus 2 anos de idade. "Hoje, em Bauru, a gente vê muitos praticantes com orgulho de sair às ruas com camisas de suas academias e até tatuagens de jiu-jítsu. A luta é a principal base para aqueles que buscam o MMA. Temos aqui uma grande lutador, o Kaynan Bahia, que é oriundo de luta em pé, mas graças ao jiu-jítsu tem hoje um cartel invicto de oito vitórias, sendo sete delas por finalização ", destaca.

LEDESMA: O CAMPEÃO MUNDIAL

Samantha  Ciuffa
Paulo Ledesma envolvendo o amigo Wilker Pereira na guarda aranha

Em nível competitivo, Paulo Ledesma, 30 anos, faixa preta um grau, também aluno de Líberi, mas que optou por trabalhar com a Atos, é um dos principais representantes de Bauru em campeonatos. Ele foi campeão mundial de jiu-jítsu pela IBJJF e CBJJ, na faixa azul peso médio, em 2004. Ele também é pentacampeão paulista em várias faixas e campeão sul-americano na preta. "O jiu-jítsu evoluiu muito desde quando éramos alunos até o dias de hoje. Comecei com 10 anos de idade. São 20 anos de evolução e é a luta que mais cresce no Brasil e em Bauru não é diferente, com estrutura de alto nível. Tudo o que tenho hoje é graças ao jiu-jítsu", afirma.

Ledesma conta ainda que a PL Atos tem mais de 300 alunos em nove cidades da região. "Em todas as competições que participamos priorizamos a qualidade do que quantidade. A Atos foi campeã mundial por equipes na Califórnia neste ano. Hoje, nossos principais alunos que querem ser lutadores profissionais, a gente envia para os EUA. Cito exemplo do Kaynã Duarte, faixa-marrom, campeão mundial na Finlândia. Bauru ficou pequena para ele", ressalta.

SOCIAL

Outro ponto discutido foi a falta de apoio para competidores e crian- ças carentes. Na entrevista, Michael Reihner revela que tem um projeto social, cuja patrocínio está expirando em dezembro, mas que ele irá bancar do próprio bolso os adolescentes que estão treinando com ele.

SERVIÇO

Gracie Barra Bauru (Matriz) – Rua Antô- nio Alvez, 21-48, Altos da Cidade. Tel.: 98127-0247. PL Atos – Avenida Duque de Caxias, 34-37, piso superior, Vila Cardia. Tel.: 99748-5367. Academia Ricardo Pereira – Rua Clóvis Barreto Melchert, 6-49, Jardim América. Tel.: 3010-4104.