08 de julho de 2026
Geral

Entrevista da semana: Marcelo Santos

Dulce Kernbeis
| Tempo de leitura: 4 min

Malavolta Jr.
Entrevista da Semana com o ex-jogador do Noroeste Marcelo Santos

Marcelo Santos, ex-jogador de futebol, tem um carinho especial por Bauru. E não é para menos, com uma carreira vitoriosa, a identificação com o E.C. Noroeste foi tanta que teve 158 jogos com a camisa vermelhinha. Ele integrou elencos vencedores, esteve por quatro anos direto jogando aqui, na gestão de Damião Garcia, de 2005 a 2009, que define como "uma época grandiosa do Noroeste". Ele é uma referência tão grande que tem um cargo de auxiliar técnico permanente do clube. O carinho é recíproco. A torcida sempre o apoiou.

Jornal da Cidade - Você tem um amor especial por Bauru, não é?

Marcelo Santos - Sim, com certeza. Eu gosto daqui, minha mulher gosta, escolhemos aqui para nossos filhos crescerem. A gente valoriza muito Bauru, que é uma cidade especial e um lugar muito bom para constituir família e até jogar futebol (risos). Digo que aqui é o paraíso.

JC - Ah, é?

Marcelo Santos - Eu me criei em São Paulo, na zona Leste, Cidade Tiradentes, muito perigosa. Minha família é pequena, humilde, perdi minha mãe, Sandra, quando eu tinha apenas 24 anos. Meu pai, Otávio é gráfico, tenho só mais um irmão, mais novo, que preferiu estudar farmácia. O futebol foi a opção de muito novo. Saí de casa e já fui morar em alojamento da Portuguesa. Tinha que ajudar a família, garantir o sustento. Me casei também muito novo, de forma que comparando com São Paulo, Bauru é tudo de bom.

Arquivo pessoal
Danusa, com Marcelo e os filhos Bruno e Eduardo (caçula)

JC - Você tem, além do cargo no Noroeste, duas escolinhas de futebol na cidade. E vai muito bem no negócio, criou mesmo raízes, não é?

Marcelo Santos - Sim, sim, tanto que meu filho mais novo, o Eduardo, já nasceu aqui há oito anos. E tem o Bruno, de 18 anos, que está trilhando minha carreira, é jogador de futebol como eu e já está disputando nas categorias de base no Novo Horizonte. Quer ir em frente, está focado no esporte.

JC - E a escolha dele foi uma pressão do pai, um atleta bem conceituado?

Marcelo Santos - De maneira alguma. Até porque eu nunca fui pressionado, então, não colocaria jamais a pressão sobre meus filhos. Eles têm que escolher o caminho deles. O Bruno quis fazer essa escolha por sua livre e espontânea vontade. E vai se destacar do jeito dele. Já o menor, acho que tem o talento para o esporte também. Mas vai crescer tranquilo.

JC - São duas escolas?

Marcelo Santos - Sim, são duas escolas, com 80 alunos. Uma na Bernardino de Campos e outra no Paineiras. A 'Boinas Verdes' porque usa um espaço que já era conhecido assim, destinado ao paintball. Esse trabalho está dando muito certo. É o que me sustenta, em grande parte. E eu já aviso aos pais dos alunos, "seus filhos não virão aqui para serem sucesso, eles virão aprender a jogar, mas acima de tudo se divertir".

JC - Sem competitividade?

Marcelo Santos - Sim. No meu conceito de escolinha, a competitividade, aos 6, 7 anos, não existe. Nem é para existir. Claro que o garotinho vai trabalhar o chute com o pé direito, com o pé esquerdo, mas não vai sofrer pela ansiedade. Vai estar se formando, se divertindo.

JC - Sem alimentar ilusões?

Marcelo Santos - Isso mesmo, eu digo a eles, aos pais, aos responsáveis: deixem a ilusão de lado. Aqui não se formarão craques. Isso é para quem tem o dom. Aqui, eles se divertirão, se formarão esportistas com o melhor que o esporte pode dar, física e psicologicamente. Mas nem todos vão se destacar tanto. E deixo claro também que estudar é fundamental. Lá onde meu filho está, a condição para que os jovens joguem é justamente que estudem.

Bruno Freitas
Marcelo ainda veste a camisa do clube: hoje como auxiliar técnico

JC - Essa filosofia você também aplica no cargo de auxiliar técnico permanente do Noroeste?

Marcelo Santos - Sim, claro. Mas as responsabilidades são outras. Além de ajudar a escolher a equipe, claro, tem o lado de mostrar aos jovens que estão chegando o caminho que eles vão trilhar, as possibilidades, para não se perderem. Nem eles desperdiçarem a vida, nem o clube perder talentos.

JC - Falando em trilhar, como você encara o futuro do Noroeste profissionalmente?

Marcelo Santos - Olha, os gestores estão no caminho certo, indo passo a passo, cumprindo o que foi acordado com cada jogador. Ao contrário de muita gente que ficou triste com a não classificação das finais na Copa Paulista, eu penso que foi positiva porque tecnicamente não iríamos tão longe e isso poderia mascarar a formação de um novo elenco para o próximo campeonato.

JC - Mas nem sempre a conta fecha...o torcedor quer resultado.

Marcelo Santos - Claro ...mas para essa conta fechar, além de ter um parceiro, um bom patrocinador, e isso é preciso, também penso que o negócio vai se pagar quando houver aqui um grande celeiro, um centro formador e tanto. Daí sim, a revelação de jovens jogadores pagará o investimento no time profissional.

JC - Seria um sonho?

Marcelo Santos - Acho que temos como revelar bons jogadores. E para 2018, 2019 ainda são anos de plantar (a diretoria está consciente disso) para começar a colher em 2020. Essa é a minha expectativa.