09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

"O Brasil está doente"

Faukecefres Savi, advogado e blogueiro (www.fsavi.com)
| Tempo de leitura: 2 min

Foi o ministro Barroso do STF quem disse a frase acima, ao justificar seu voto nos 3 x 2 que condenaram Aécio Neves a recolhimento residencial noturno (e diurno, não?). O jornalista Bernardo Mello Franco, que assina coluna quase diária na Folha, comentando a escolha do deputado José Bonifácio de Andrada como relator da última denúncia contra Michel Temer a chegar ao STF, colocou o deputado entre os 3% que apoiam Temer.

Ao ser perguntado se havia chances de surpresas, o deputado afirmou que Temer poderia dormir tranquilo e que os deputados (e senadores) "não são santos por que o povo também não é santo".

De tudo o que foi dito e escrito, concordo plenamente. O nível de corrupção institucional que assola o Brasil só é possível em um país em que os eleitores estejam ideologicamente tão corruptos quanto os políticos que elegem para representá-los nos cargos legislativos e executivos.

Se fosse diferente, o povo, hoje abúlico e desinteressado, estaria nas ruas protestando, reclamando, e até depondo governos comprometidos, pois os mandatos nada mais são que uma procuração por tempo determinado, para cumprir determinada finalidade. O que hoje nos torna mais cientes do que nunca desde 15 de novembro de 1889, quando um golpe militar chefiado por generais e marechais de Alagoas (sempre Alagoas?) derrubou a monarquia e instaurou a república.

Desde então, a cada quatro anos, vemos se repetir o que outro colunista e blogueiro classificou como "conto do vigário", a que chamamos de eleições.

É o momento em que o eleitorado finge acreditar nas falsas promessas dos postulantes, dificilmente cumpridas, e fica tudo por isso mesmo por mais quatro anos. O quadro não é animador, por isso, se desejarmos viver num regime democrático, no qual os cidadãos detêm o poder e o delegam para exercício, teremos que ser capazes de o exercer adequadamente nesse regime.

A alternativa será a intervenção militar, já ameaçada, caso os civis não consigam pôr ordem na casa, punindo os culpados e moralizando a "coisa pública", vulga república. A oportunidade se avizinha, será em 2018. Depende de nós, civis, apenas de nós, com nossos votos, escolhermos o caminho que será percorrido.