09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Covardia contra o verde

Ivan Garcia Goffi - advogado
| Tempo de leitura: 2 min

Lamento informar que, na última semana, faleceram mais duas sibipirunas de 15 metros de altura, na quadra 24 da rua Antonio Alves, cujas sombras projetavam-se de calçada a calçada. Neste dia, seus troncos ainda jazem sem vida na calça um imóvel em construção, a partir do qual se solicitou "a substituição" de mudas.

A Semma e Emdurb deveriam levar seus técnicos para visitas a cidades de países desenvolvidos, onde o respeito ao meio ambiente prevalece sobre decisões anacrônicas de gente despreparada. Todo país de 1º mundo e muitas cidades desenvolvidas (até de 3º mundo), onde há gestão ambiental real, árvores são bens públicos inalienáveis e intocáveis.

E não são substituíveis! Em Bauru, a visão dos técnicos da Semma ou Emdurb é tacanha, provinciana e anda na contramão da higidez ambiental, razão pela qual anualmente mais de 400 árvores têm corte autorizado para serem substituídas por mudas de menor porte.

Sombras, nunca mais! Calçadas verdes e temperatura amena, apenas uma lembrança do passado.

Árvores em cemitérios, praças e calçadas ganham carimbo de "velha" e "doente" numa habitualidade de destruição verde que parece fazer parte da rotina obrigatória dessas entidades. A própria rua Antonio Alves era um corredor verde até dez anos atrás.

Hoje, apenas umas poucas árvores ainda resistem apenas ao acaso de não terem pedido sua derrubada. Se pedirem, conseguem com a sempre "inteligente substituição" por oitis, espirradeiras ou outro arbusto qualquer que, na visão dos órgãos ambientais, não danificarão guias ou calçadas. Que esperteza!

Em países ou cidades civilizados, o Homem tem que se adaptar ao que a natureza proporciona, ao passo que, aqui, a motosserra funciona sem parar para atender aos interesses de uns poucos sem noção de humanidade.

Por estar há vinte anos no mesmo imóvel e ser usuário da rua Antonio Alves, na qual vi perecer mais e mais árvores a cada ano, faço aqui uma aposta (triste) com a Semma: o novo imóvel plantará uma muda raquítica, receberá o "Habite-se", a muda de árvore morrerá e, depois, a calçada será totalmente cimentada para transformar-se em estacionamento.

E ainda aponto uma dezena, nesta mesma rua, que fez exatamente isso nos últimos cinco anos. Só a Semma não enxerga. A exemplo do alcaide anterior, imagine se nosso prefeito também não fosse ambientalista...