09 de julho de 2026
Nacional

Aumento da população idosa gera alerta para as doenças crônicas


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O avanço da medicina, a descoberta de novas formas de tratamento para doenças, melhores hábitos e condições de vida são alguns dos motivos pelos quais o envelhecimento populacional está acontecendo. Estima-se que até 2030, a quantidade de pessoas com mais de 60 anos seja maior do que a de crianças com até 14 anos[i]. De acordo com o IBGE, a nossa população idosa triplicará em 40 anos: são projetados 66,5 milhões de idososi em 2050. Esse movimento teve início na Europa, durante a Revolução Industrial e, no Brasil, começou somente no século XX, devido à rápida urbanização do país[ii].

Uma das consequências desse processo é a mudança no perfil de doenças. Em um país com população jovem, as mais comuns são as de origem infecciosa, e quando há um aumento da população idosa, as doenças crônicas se tornam a maior preocupação da saúde pública[ii]. Geralmente, as enfermidades que acometem a terceira idade são crônicas, isto é, com sintomas que permanecem por vários anos, sendo necessário acompanhamento médico constante, seguido por exames periódicos e tratamento contínuo[iii].

É o caso da Fibrose Pulmonar Idiopática, ou FPI, uma condição pulmonar grave, que atinge a população idosa[iv] e age de maneira progressiva, provocando o enrijecimento dos pulmões. Considerada rara, a sua prevalência é de cerca de 14 a 43 pessoas a cada 100 mil no mundo[iv] e, no Brasil, os dados estimados são de 13 a 18 mil pessoas[v]. A doença apresenta sintomas bastante comuns, como tosse seca, falta de ar ou cansaço[vi] que são agravados mediante esforços e a prática de atividades físicas. Por isso, é comum que a doença confundida com outras condições mais frequentes, como insuficiência cardíaca e DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica) – quadro de bronquite crônica combinada com enfisema pulmonar.

Esses indícios da FPI também são facilmente confundidos com sinais de envelhecimento e, até mesmo, doenças cardiovasculares, o que faz com que o paciente não busque cuidado ou invista tempo no tratamento inadequado, enquanto a FPI avança rapidamente. "Por ser uma doença com diagnóstico difícil, o tratamento pode demorar a ser realizado. Com isso, o pulmão pode ir perdendo sua capacidade, dificultando a respiração e comprometendo as atividades do dia a dia", explica o Dr. Carlos Carvalho, professor de pneumologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Ainda sem cura, a Fibrose Pulmonar Idiopática apresenta uma taxa de sobrevida que pode ser pior do que muitos tipos de câncer. "A partir de 2016, foram lançados no Brasil medicamentos que podem diminuir o avanço da doença. O primeiro a chegar ao país foi o nintedanibe, medicamento que retarda a progressão da Fibrose Pulmonar Idiopática", ressalta o médico.

A causa da FPI ainda é desconhecida, mas existem alguns fatores de risco que podem contribuir para o desenvolvimento da enfermidade. Entre eles, estão o tabagismo, a exposição a diversos poluentes, o refluxo gastroesofágico, infecção viral crônica, fatores genéticos, entre outros[vi]. Com tratamento contínuo e acompanhamento médico, é possível que os pacientes possam conviver melhor com a doença. Nintedanibe pode reduzir o seu avanço em até 50% e diminuir as crises de piora súbita que a fibrose pulmonar idiopática pode causar[vii]. Em alguns casos, como tratamento complementar, também podem ser indicadas a reabilitação pulmonar e suplementação com oxigênio.

Nem sempre as famílias dão a devida atenção a esse quadro, porque consideram que a falta de ar e menor disposição sejam características naturais na vida dos idosos. No entanto, o envelhecimento não deve representar uma limitação da qualidade de vida, como explica o Dr. Carvalho: "quando os sintomas se tornam frequentes, podem ser indícios de Fibrose Pulmonar Idiopática e, nesse caso, é recomendado que o paciente e sua família procurem o pneumologista. Nesse sentido, o suporte de cuidadores e familiares tem um papel central na saúde e no cuidado dos idosos".