| Fotos: Fernando Branco/Divulgação |
| Fernando Branco com o Mandalay Bay ao fundo |
| Rua de acesso à frente do Mandalay Bay ficou isolada nessa segunda (2) |
Conhecida por suas luzes e festas, Las Vegas, nos Estados Unidos, tornou-se cenário de pânico e tragédia na madrugada dessa segunda-feira (2). "Foram cenas de filme de terror", relata o bauruense Fernando Branco, 43 anos, que estava a dois quilômetros do maior ataque a tiros da história dos EUA.
Fernando relata que ouviu, de casa, os barulhos causados pelo tiroteio, que matou pelo menos 59 pessoas e deixou mais de 500 feridas. "Foi uma loucura. Estava com minha esposa e meus filhos quando ouvimos os gritos e as sirenes. Em poucos minutos, chegaram mensagens informando sobre o ocorrido", afirma.
O bauruense mora em Las Vegas há seis meses, onde trabalha como motorista dos aplicativos Uber e Lyft. Por conta disso, foi acionado por pessoas que participavam do Route 91 Harvest Festival, evento de música que foi interrompido pelos tiros vindo do famoso cassino, hotel e resort, Mandalay Bay.
"Transportei pessoas aflitas e em pânico para suas casas. Um casal me contou que estava muito próximo de onde participantes foram alvejados, dentre eles, uma mulher grávida", contou. Além disso, Fernando ainda transportou quem estava sem notícias de entes queridos. "Levei para o hospital uma senhora que estava desesperada à procura do filho", relembra.
'A VIDA CONTINUA'
No dia seguinte ao ataque, o motorista conta que Las Vegas seguiu com o funcionamento normal das atividades na cidade. "O americano tem essa postura de 'a vida continua'. Hoje, tudo está funcionando normalmente. Meus filhos foram à escola e o trânsito está normal, com exceção da região do Mandalay Bay, que está completamente isolada", relata.
Segundo Fernando, a polícia local recomendou aos moradores que evitassem as regiões próximas ao hotel, por conta do trânsito. Também foram feitos muitos pedidos de doação de sangue em vários hospitais da cidade.
Mesmo com o triste incidente, o bauruense - que escolheu Las Vegas para viver para oferecer um melhor tratamento ao filho caçula, que é autista - não pretende voltar ao Brasil. "Com certeza, ficamos temerosos, mas ficarei aqui enquanto for necessário, em favor do tratamento do meu filho. Já tranquilizamos nossa família, que está em Bauru, e vamos seguir a vida", conclui.
Jornalista fala sobre segurança dos hotéis: ‘É questionável’
| Arquivo Pessoal |
| Gustavo com o Mandalay, à direita, ao fundo, em foto de 2014 |
Estive em Las Vegas seis vezes, entre 2010 e 2015, para participar de uma feira de negócios realizada no centro de convenções do Mandalay Bay Resort and Casino, local onde estava o atirador responsável pelo massacre de anteontem.
Em todas as vezes, por uma questão de praticidade, me hospedei no próprio Mandalay Bay, que é primeiro grande hotel da strip, como é chamada a famosa avenida onde estão as principais atrações da cidade, imediatamente em frente ao Aeroporto Internacional McCarran.
O hotel do Mandalay é apenas parte de um gigantesco complexo que inclui o cassino, o centro de convenções, uma arena onde são realizadas lutas de boxe, um SPA, teatros, restaurantes e um enorme aquário com tubarões, além outros dois hotéis: o Delano e o Four Seasons. Com tantas atrações, o lugar sempre cheio de gente transitando de um lado para o outro.
Logo na primeira vez, estranhei a liberdade de ir e vir das pessoas. Feito o check-in, por exemplo, o hóspede se encaminha para o quarto - no enorme prédio dourado em forma de Y - sozinho. Ninguém checa o que ele está levando ou se está entrando com mais alguém, nada. E depois, liberdade total, nenhum funcionário do hotel quer saber de onde você estão vindo ou para onde vai. É tanta privacidade que causa estranhamento e até uma certa sensação de que o hotel não é seguro. Qualquer pessoa que venha de fora pode subir na torre onde estão os apartamentos sem ser questionada e bater na porta. Enfim, a segurança dos hotéis em Las Vegas é questionável.
Isso não acontece só no Mandalay. Visitando o hotel ao lado, o Luxor, cuja estrutura é uma grande pirâmide, podia ver, da praça de alimentação, as centenas de portas dos quartos dos hóspedes. Descobri que faz parte da cultura local dar esta liberdade a todos. Afinal, é uma cidade que foi criada para turistas e cada hotel é um centro de entretenimento temático construído para ser visitado.
Quando soube que os tiros partiram do hotel, de uma ala na qual já me hospedei, lembrei da facilidade com que se pode transitar no local e como, com aquela quantidade de gente, qualquer tipo de monitoramento deve ser difícil. Também pensei nas grossas janelas de vidro dos quartos, que não abrem e são como paredes e, por fim, no aeroporto. Não sei qual a motivação do atirador, mas, daquele local, com a arma certa, ele poderia atingir também aviões e tanques de combustível do aeroporto logo do outro lado da rua. A tragédia poderia ter sido ainda pior'.
Gustavo Cândido é jornalista em Bauru.
Las Vegas: 59 morrem em ataque a tiros?
O assassino, identificado como Stephen Paddock fez os disparos do 32º andar de um hotel que fica próximo ao local do ataque; 527 pessoas estão feridas
| Mike Blake/Reuters |
| Nessa segunda (2), milhares de pessoas doaram sangue em favor das vítimas do ataque ao festival de música |
Do alto de um hotel em Las Vegas, um atirador matou pelo menos 59 pessoas e feriu outras 527 num festival de música country na noite de domingo (madrugada de segunda, dia 2, em Brasília), segundo informações da polícia local. Este foi o mais grave ataque deste tipo na história moderna dos EUA.
O assassino, identificado como Stephen Paddock, 64 anos, fez os disparos do 32º andar do hotel Mandalay Bay, que fica próximo ao local do festival, na Las Vegas Strip, principal rua da cidade. Ele foi encontrado morto pelos policiais dentro do hotel.
De acordo com a polícia, mais de 22 mil pessoas estavam no show na hora do ataque. Não está clara ainda a motivação do atirador, que morava na cidade de Mesquite, em Nevada, a 120 km de Las Vegas. Paddock não tinha passagem pela polícia.
As autoridades informaram que ele estava hospedado no Mandalay Bay desde o última quinta-feira (28). Segundo o jornal “The New York Times”, no quarto de hotel foram encontradas 20 armas, sendo dois rifles posicionados em cima de tripés próximos as janelas.
Os tiros começaram por volta das 22h de domingo (2h de segunda em Brasília), durante o show em uma arena aberta do cantor Jason Aldean no festival Route 91 Harvest, em uma área com vários resorts em Las Vegas. Pouco depois da meia-noite, a polícia informou que o atirador estava morto.
Ao ouvirem os disparos, as pessoas começaram a se deitar no chão e a procurar abrigo em meio ao descampado. Vídeos feitos com celular capturaram cerca de dez segundos de tiroteio intenso, seguidos de 37 segundos sem o barulho de armas. Uma segunda rodada de tiros então começa, com gritos de desespero das pessoas no local.
Em uma rede social, Aldean declarou que “dói o meu coração que isso tenha acontecido com pessoas que estavam apenas curtindo o que deveria ter sido uma saída divertida.”
Apesar de a polícia afirmar que Paddock era provavelmente o único atirador, o xerife Joseph Lombardo disse que buscava uma mulher chamada Marilou Danley, que também estaria envolvida no ataque, e dois carros, uma Hyundai Tucson e uma Chrysler Pacifica Touring, ambos com placa de Nevada. Danley e os dois veículos foram localizados algumas horas depois.
No Twitter, usuários compartilham vídeos que mostram o momento em que os tiros começaram. O consultor financeiro Mike McGarry, 53 anos, disse que estava no festival quando ouviu centenas de disparos de tiros. “Foi uma loucura. Eu me deitei em cima do pessoal. Eles têm 20 anos. Eu tenho 53. Eu já vivi uma boa vida”, afirmou. A parte de trás de sua camiseta tinha marcas de pegadas de pessoas que tinham corrido por cima dele depois que a multidão entrou em pânico.
O governador do Estado, o republicano Brian Sandoval, disse que “o ato trágico e hediondo abalou a família de Nevada”. Artistas também se manifestaram durante a madrugada.
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Nenhum brasileiro
O Itamaraty informou em comunicado que até o final dessa segunda-feira (2) não havia registros de brasileiros entre as vítimas do ataque e que o Consulado-Geral do Brasil em Los Angeles seguirá monitorando a situação. O núcleo de assistência a brasileiros do Ministério de Relações Exteriores está à disposição para informações e esclarecimentos, de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, pelos telefones (61) 2030-8803 e (61) 2030-8804 e também pelo email dac@itamaraty.gov.br. Nos demais horários, é possível entrar em contato com o plantão consular da Subsecretaria-Geral das Comunidades Brasileiras e de Assuntos Consulares e Jurídicos no número (61) 98197-2284. Para casos de emergência, contatar o plantão do consulado-geral do Brasil em Los Angeles no número 1 213 453-1084 ou o Setor de Assistência a Brasileiros.
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Sem falar de armas, Donald Trump diz que ataque foi ‘pura maldade’
| Reuters |
| Melania Trump, Donald Trump, Mike Pence e Karen: silêncio |
Sem fazer qualquer menção à discussão sobre porte de armas, o presidente Donald Trump fez um pronunciamento na manhã de ontem pedindo união ao país após um atirador matar ao menos 59 pessoas e ferir mais de 527 em um show em Las Vegas.
"Em tempos como esses, sei que estamos procurando algum tipo de significado no caos, algum tipo de luz na escuridão. As respostas não vêm facilmente", disse Trump, na Casa Branca, na declaração de cerca de cinco minutos.
Em seu pronunciamento, o presidente classificou o ataque como um "ato de pura maldade" e prestou condolências às vítimas e às suas famílias, cuja dor "não podemos entender" e fez referências à Bíblia e a Deus.
"Rezamos pelo dia em que o mal será banido e que os inocentes estarão a salvo do ódio e do medo", disse Trump, que também usou várias vezes a palavra "união". "Nossa união não pode ser quebrada pelo mal", afirmou. "Em momentos de tragédia e horror, a América se une em uma só."
O presidente afirmou que visitará Las Vegas amanhã, já que ele havia se programado para viajar na terça a Porto Rico, que foi devastada na última semana por um furacão. Ele também ordenou que as bandeiras sejam erguidas a meio mastro.
Trump elogiou e agradeceu o trabalho dos policiais e de equipes de emergência, que atuaram rapidamente.
A cautela de Trump ao não citar a discussão sobre armas pode der explicada pelo fato de ainda não estar clara a forma como o atirador conseguiu as armas. O presidente, contudo, não foi tão cuidadoso ao comentar ataques recentes em outros países.
No início de junho, após terroristas atropelarem e esfaquearem civis em Londres, deixando ao menos sete mortos, Trump gerou uma enxurrada de críticas ao condenar o discurso "politicamente correto" e sugerir que uma legislação mais rígida sobre o porte de armas não é a resposta para combater atentados.
"Vocês percebem que não estamos discutindo armas neste momento? É porque usaram facas e um caminhão!", escreveu Trump em sua conta no Twitter, em 6 de junho.
Entretanto, em 2012, após um atirador matar 20 crianças e seis adultos na escola primária Sandy Hook, em Newtown, Connecticut, Trump, que era apenas um empresário e celebridade de TV, apoiou as declarações do então presidente Barack Obama de que era preciso mudar a legislação.
"Nenhuma lei - ou conjunto de leis - pode eliminar o mal do mundo, ou prevenir todo ato de violência na nossa sociedade. Mas isso não pode ser uma desculpa para não agir. Certamente, podemos fazer mais do que isso", disse Obama, na época.
Em sua conta no Twitter, Trump escreveu: "O presidente Obama falou por mim e por todos os americanos".
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Brasileira fica presa em hotel durante tiroteio
"As pessoas choravam muito, passavam mal. Perto de mim, duas desmaiaram. Na correria para pedir socorro e se salvar, um homem chegou a sofrer corte na cabeça. Saí de um banheiro e deparei com ele sangrando."
Essas são as lembranças da jornalista brasileira Iara Diniz, 25 anos, que passou por momentos de pânico em Las Vegas. Ela estava com mais duas amigas em um hotel-cassino na rua onde um atirador agiu durante um festival de música country.
"Recebi mensagem de texto que [dizia que] a festa que eu iria [em outro local] estava cancelada porque havia um atirador na rua. Mas, na hora, não entendemos muito bem. De repente, todos começaram a gritar: 'Tiros, tiroteio, corre!'. Fomos imediatamente levadas para um auditório do hotel, com mais 300 pessoas, onde ficamos presas por cerca de quatro horas", contou à reportagem.
Ainda sem ter a real noção da tragédia que ocorria, ela saiu do auditório e foi para um banheiro do hotel, após ter sido aconselhada pelo chefe de segurança do local - a multidão demonstrava medo de que o atirador percorresse as ruas e invadisse o local em que estavam. Lá, o pânico se repetiu.
Ela, que estava a passeio em Las Vegas, voltará com as amigas para Chicago, onde moram. "A cabeça está a mil."
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Antes do ataque, atirador buscava tranquilidade
| Reprodução de Internet |
| Stephen Paddock, 64 anos, tinha vida itinerante |
À primeira vista, parecia que Stephen Paddock, 64 anos, estava se preparando para uma vida tranquila em uma comunidade de aposentados no deserto, perto dos cassinos, onde comprou uma casa nova em 2015. O local fica a uma hora de carro de Las Vegas.
Registros públicos indicam uma vida itinerante pelo oeste do país: alguns anos no litoral da Califórnia, alguns anos em outras partes de Nevada. Paddock tinha uma licença de caça no Texas, onde morou durante ao menos alguns anos. Ele obteve um brevê e tinha no mínimo uma aeronave monomotor registrada em seu nome.
No início de 2015 ele adquiriu uma casa modesta de dois andares para aposentados no extremo de Mesquite, uma cidade desértica pequena e popular entre golfistas e apostadores, que se estende pela fronteira da Nevada com o Arizona. Algumas armas e munição foram encontradas no interior da residência, nada digno de nota em uma região na qual o porte de armas é elevado.
A uma hora de distância de carro no sentido sudoeste está Las Vegas, onde Paddock se registrou no 32º andar do Mandalay Bay Resort and Casino, na quinta-feira, com ao menos des fuzis, para realizar uma sequência de disparos que mataria ao menos 58 pessoas e deixaria mais de 500 feridos.
Eric Paddock, irmão do atirador, disse que a família está "espantada" quanto ao que o levou a cometer o massacre, dizendo em uma entrevista por telefone que seus familiares emitirão um comunicado breve por meio do escritório do xerife de Orlando, na Flórida, onde moram alguns dos parentes do agressor.
Uma ex-vizinha chamada Sharon Judy, de Viera, na Flórida, disse ao jornal que Stephen Paddock era um homem amigável que se descreveu como um apostador profissional. Ele lhe mostrou uma foto na qual aparecia ganhando US$ 20 mil em um caça-níqueis, disse.
Paddock não tinha ficha criminal, com exceção de uma infração de trânsito, informaram autoridades.
Documentos de 2015 mostram que ele era solteiro, e registros públicos e policiais dizem que ele morava com Marilou Danley na comunidade de aposentados de Nevada. Marilou estava fora dos EUA e a polícia disse que a mulher não teve ligação com o ataque.