A escritora Olynda Bassan Franco fez questão de se reinventar aos 70 anos. Depois de uma carreira no magistério, achou que tinha mais a realizar. E nesta quinta-feira (5) lança o que chama de "o livro de celebração da minha vida". Ela faz questão de mostrar que em qualquer fase da vida se pode concretizar sonhos, "rasgar caminhos, mesmo que o medo e a insegurança lhe tentem brecar o impulso de ser feliz". Assim ela define a obra "Alma em Versos", como a concretude do Poder do Agora. "De sentir pulsar a vida sob a pele que enruga, mas não envelhece a alma."
Durante a longa vida acadêmica, percebia em seus textos alguma poesia não revelada. Confessa que na sua fala "havia recortes que fugiam da técnica da aprendizagem pura e crua", mas jamais se imaginou tecendo poesias. Nunca. Só em 2013 amanheceu com algo martelando o cérebro. "Galho Seco. Folha Verde. Esperança" eram palavras que lhe vinham à mente.
| Fotos: Malavolta Jr. |
| Olynda Bassan: em qualquer fase da vida é possível realizar sonhos |
| Rosa Leda Gabrielli e Olynda Bassan |
Essa foi a primeira a primeira inspiração. Ela conta que demorou dois meses para que outra frase a acordasse: "Amigo, chuvas, de que você precisa para ser feliz?" Sentimento de compaixão, de partilha pela dor de um amigo virtual. Poucas poesias.
"Eu caminhava melhor pelo mundo das crônicas. Quem sabe um livro de crônicas venha por aí?", diz, rindo do início das suas incursões como escritora, sempre na madrugada, ouvindo os versos que a acordavam. "Sem que eu me desse conta, plantava a semente deste livro que agora nasce e leva o nome de Alma em Versos".
"Os poemas foram gerados nas histórias do mundo, entre meus recortes do olhar do cotidiano. Alguns poemas não têm dono, nem musa. Outros inspiram-se em nossos silêncios, nos ruídos que nos inquietam a alma, saudade, reflexões, dores, amores, paixões, preces, beleza, penumbra da noite não dormida, lágrimas e muitos sorrisos, na criança maltrapilha, que me incomoda, mas me esconde a alma", diz a escritora.
Sonho realizado?
"Todos dizem: Olynda, um sonho realizado. Este sonho primeiro nasceu no coração dos meus amigos, dos meus filhos, da minha família, na verdade. Meus eternos incentivadores. Desde as primeiras crônicas, das primeiras poesias, alguém profetizava... Ainda lerei um livro seu. Em mim, dúvidas. Como eu digo, ele é fruto de empurrões e laçadas", concorda a autora, que faz questão de agradecer à 'Oficina da Palavra" coordenada por Cecília de Lara e seus membros.
Ela cita também a convivência com a Academia Bauruense de Letras, presidida por Rosa Leda Accorsi Gabrielli, como elemento motivador. São "ombros que me sustentam. Ninguém cresce sozinho. Muita gratidão tenho a todos que me conduzem. É o início de uma caminhada de inspiração, transpiração, leitura e estudos".
Serviço
Editora: Canal 6
Capa: Ilustração de Fátima Tentor Salles
Local: Lapa Chop, rua Antônio Alves, 28-10, às 19h30