11 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

"Não há pátria onde falta democracia" (Tancredo Neves)

Antonio Carlos Azevedo dos Santos
| Tempo de leitura: 2 min

A luta nº 1 que se trava hoje no Brasil é pelo direito a um governo moralmente sustentável. Contra esse direito, nestes últimos dias, grandes forças estão atuando, a saber: Gilmar Mendes, Carlos Marun e a Bolsa de Valores.

Gilmar Mendes é destemido não só na sua agressividade, mas também em não disfarçar as sua ideias. Em um recente final de semana na residência do presidente da Câmara, todos de roupa esporte, foram flagrados Rodrigo Maia a despedir-se de Gilmar, na porta, com um tapinha nas costas. Pode um ministro da Suprema Corte participar de eventos deste tipo e com políticos?

Magistrados devem sempre manter distância de agentes políticos, especialmente de cortes superiores.

Carlos Marun, que postou-se recentemente ao lado de Eduardo Cunha, ficando junto até o fim amargo da sessão em que a Câmara votou a cassação de Cunha, hoje também defende Michel Temer, sendo premiado no último dia 12 com a relatoria da CPI para investigar a famigerada JBS dos irmãos Joesley/Wesley, mirando a Lava-Jato.

A Bolsa de Valores bateu os maiores recordes de sua centenária história, nos últimos dias, em parte por ver enfraquecido o procurador Janot e, com ele, o combate ao governo Temer (portanto à corrupção). A Bolsa de Valores segue a lógica de certos empresários e economistas que se entusiasmam a cada vitória de Temer (portanto, da corrupção). Recusam-se a entender que reformas respeitáveis e para durar são exclusividade de governos moralmente sustentáveis.

Já os partidos políticos seguem a tendência de mudar de nome para disfarçar seu passado e apostar no engodo futuro. O PEN (Partido Ecológico Nacional), vejam só, que abriga Bolsonaro, mudou o nome para Patriotas. O PTN (Partido Trabalhista Nacional) mudou para Podemos. E assim as manobras sorrateiras do submundo partidário brasileiro trabalham contra a construção de um País moralmente sustentável.

Seguramente, havia mais de 30 anos que um General da ativa, membro do Alto-Comando do Exército e ligado aos serviços de informação, não se ouvia dizer, nem de longe, sobre as misérias da política brasileira e a possibilidade de "chamar a tropa" para resolver as coisas. "Ou as instituições solucionam o problema político, pela ação do Judiciário, retirando da vida pública esses elementos envolvidos em todos os ilícitos, ou então nós teremos de impor isso. Não ficaremos assistindo em paz ao apodrecimento simultâneo do Executivo, Legislativo e Judiciário por causa da corrupção, deboche e impunidade de uma vida pública cada vez mais depravada." O pior é que o mundo político do Brasil nunca se esforçou tanto para convencê-los de que estão certos.