11 de julho de 2026
Geral

Entrevista da Semana: Karen Teixeira: uma bauruense apaixonada pela dança

Dulce Kernbeis
| Tempo de leitura: 6 min

Malavolta Jr.
Bailarina, professora e empresária, Karen Teixeira conta um pouco da sua vida

É bom que se diga: ela não aparenta em nada a idade que tem. Com dois filhos, Marcus Vinicius Feliz Machado Neto, que vai fazer 21 anos, fruto do primeiro casamento em que ficou viúva bem nova e Lara Teixeira Ramos, de 7 anos, filha do segundo marido, o Xande Ramos, um leiloeiro profissional, Karen valoriza a família que tem. O marido que sabe compreender a sua profissão "eles são uma bênção na minha vida" e o marido é "100% compreensivo com a minha carreira", exulta. "Mas tem a reciprocidade, eu também com a dele. Ele viaja bastante e até ficou 1 ano fora estudando, de forma que estamos empatados", conta aos risos. 

Jornal da Cidade - Como a dança entrou na sua vida?

Karen Teixeira - Foi lá atrás, aos 5 anos de idade. Na minha vida muita coisa mudou, mas a dança sempre esteve ocupando o mesmo lugar. Pequenina fui assistir a um espetáculo. Imediatamente pedi para minha mãe me levar para o balé e nunca mais quis parar. Fui dessas que se me convidavam para brincar, para sair eu dizia "não posso, tenho ensaio", ou seja, era minha preferência mesmo. Eu fazia, eu estudava, me divertia, claro, mas depois do ensaio (risos). Essa disciplina, essa percepção de responsabilidade a dança incutiu em mim muito cedo. 

JC - E daí para virar professora de dança?

Karen - Fui precoce. Aos 14 anos eu assumi a primeira turma como substituta. Aos 16, tinha a minha própria turma. E aos 26 anos virei dona de minha própria academia. 

JC - Nem é preciso fazer a pergunta clássica: que outra profissão escolheria...

Karen - Pois é, aí que muita gente se engana. Tenho outra profissão, sim, sou dentista. Imagina se no Brasil dá para viver da arte, sempre é preciso de uma profissão paralela, mesmo o grupo que vive comigo em festivais, os professores de dança, todos têm que ter uma outra profissão. Ainda tenho o consultório, fiz especialização em restauração. Mas felizmente hoje estou mais na academia do que no consultório.

JC - Tanto que adquiriu mais uma academia recentemente...

Arquivo Pessoal
Karen tem quase quatro décadas de dedicação à dança

Karen - Sim, nossa segunda unidade fica numa zona menos nobre da cidade, mas é uma posição estratégica em relação a um sonho que tenho, conseguir uma parceria empresarial ou institucional e implantar ali um projeto social, para crianças e jovens de baixa renda.

JC - Este está sendo um grande ano para a Sigma, vários prêmios no Festival de Joinville, o maior do país, de categoria internacional e mais ainda em outro festival que está sendo bem valorizado, o de Florianópolis. 

Karen - De fato estamos em um bom momento, mas é preciso dizer que isso não aconteceu da noite para o dia. É fruto de anos e anos de trabalho. Trabalho árduo mesmo. Foi tudo construído com sacrifício, houve muita participação reprovada. O caso de Joinville que é um Festival em que você é convidado, é escolhido, não se trata de ir lá e pagar a inscrição. E mesmo como convidados, demoramos para ganhar prêmios. Agora estamos chegando lá. 

JC - Isso demanda além da dedicação e do tempo, investimento?

Karen - Sem dúvida, deslocar uma companhia com 40 membros é dispendioso, é um sacrifício, mas vale a pena.

JC - Durante o Festival de Joinville foram escolhidos para estar abrilhantando o programa Bem Estar, matinal da Globo e apareceram em rede nacional. O que significou pra escola?

Karen - É sempre muito bom estar entre os escolhidos, ver que as bailarinas da escola, que são do grupo Junior de danças urbanas fizeram a diferença e puderam colocar não só o nome da escola, mas levar o nome de Bauru em um programa com uma grande audiência... é muito gratificante, mas sou sincera em dizer que mais do que o programa, me orgulho mesmo todos os dias em ver essas meninas crescerem e batalharem por uma dança com excelência, elas são muito bem instruídas pela professora delas.

JC - Você valoriza muito os professores, o profissional, né?

Karen - Sim, valorizo muito mesmo. Primeiro porque conheço bem a vida deles. Mais do que dançarina e agora empresária da área, diretora de espetáculos e de academia, (além de coreógrafa) sou uma professora e, sei como é difícil para o professor conseguir tirar o máximo do aluno e o aluno conseguir entender o que o professor quer, batalhar, progredir, é uma luta diária. São horas sem lazer, longe da família...têm que ser valorizados mesmo. E tenho maior orgulho de ver que há profissionais que saíram da Sigma e estão batalhando pela dança em São Paulo - como Henrique Bianchini, Vinicius Azevedo, só para citar alguns.

JC - Quantos alunos são?

Álbum de Família
Ela com o marido Xande Ramos e os filhos Marcus Vinicius Feliz Machado Neto e Lara Teixeira Ramos, em viagem 

Karen - Hoje são 350. Sob a minha responsabilidade direta uns 150, dou aulas das 10h às 19h30. O restante são as turmas dos demais professores, com quem, faço questão de dizer aprendo muito, muito mesmo. Aliás, a cada dia a gente estuda, se atualiza mais. O meu foco é clássico e jazz,mas  temos outras áreas, street dance, sapateado não só o que eu mais gosto.

JC - Você parece ter uma sede de saber...

Karen - Tenho mesmo, converso com todo mundo, com os alunos, eu digo isso para os demais professores, todo aluno faz a gente aprender mais. Sou agradecida por essa convivência que sempre acrescenta para mim. E ainda estudo também, formalmente, estou no terceiro ano de Metodologia do Balé Cubano. 

JC - Ah, é? E por que essa preferência pelo cubano?

Karen - Porque o cubano é anatomicamente o perfil de dança que mais se encaixa no corpo do brasileiro é mais próximo do brasileiro. Aliás, o brasileiro é ótimo na dança, mesmo a gente sabendo que clássico é clássico, mas o russo, as bailarinas e bailarinos mais admirados no mundo, são assim, digamos mais formais e o brasileiro não, é mais versátil, criativo.

JC - Para fechar...como se forma um bom bailarino?

Karen - Com amor, empenho, o esforço faz toda a diferença. Há três tipos de alunos, aquele que tem talento, mas não tem amor (uma pena); o que não é tão talentoso, mas compensa com o empenho e chega lá e, quando a gente se depara com alguém que tem talento e amor à arte, então é a glória. E claro, o bom aluno, o bom profissional é aquele que aguenta a pressão.

PERFIL

Valorizando muito a família, a artista garante que apesar de a filha já frequentar aulas, não a obriga a ser bailarina "vai escolher o que quiser ser, embora eu veja que ela gosta bastante, pelo menos por enquanto". Bauruense nata, do signo de Áries, nascida em 02 de abril de 1974, filha única do fotógrafo e professor Luiz Teixeira e da aposentada Telma de Souza Lima Ribeiro, Karen dá nota 10 para os pais. "Eles são o que são o meu maior exemplo de vida e. acrescentando: também daria 10 para todos aqueles que estão lutando por algo melhor em nosso País". E nota zero? "Ah, isso eu deixo para Deus resolver, prefiro não julgar".