Vivemos um mundo muito interessante. De um lado, via Facebook e Instagram, existe a possibilidade de falar de praticamente tudo e de toda maneira possível.
Do outro, existem setores conservadores cada vez mais ativos nos mais diversos segmentos. O diálogo entre essas instâncias parece cada vez mais difícil numa sociedade polarizada.
A recente performance de um artista nu no Museu de Arte Moderna (MAM), em São Paulo, em que uma criança de aproximadamente 4 anos toca no pé dele, gerou uma polêmica tão grande quanto o fechamento de exposição em Porto Alegre (RS), devido ao clamor de setores da sociedade.
Desta vez, temos muitos protagonistas. O artista Wagner Schwartz, o Museu, a curadoria, a mãe e a criança. Pelos relatos, embora houvesse aviso sobre a nudez, não havia informação de faixa etária ou normas sobre a filmagem da performance. A exposição pública da criança poderia ter sido evitada sem a viralização da cena pelas redes sociais.
Afinal, hoje tudo o que fazemos se torna mundialmente visível em segundos. E as leituras são imponderáveis, principalmente porque não estamos num país em que se lide com a nudez com naturalidade.
O positivo de mais este episódio polêmico é ver a sociedade mobilizada discutindo, desde que isso ocorra com civilidade.