08 de julho de 2026
Geral

Entrevista da Semana: Gabriel Cozza

Dulce Kernbeis
| Tempo de leitura: 6 min

Um bauruense no hóquei in-line mundial

Samantha Ciuffa
Gabriel Cozza foi viceartilheiro da seleção brasileira, na China
O atleta de hóquei in-line também é praticante de wakeboard
Divulgação
Parecem irmãos, mas são pai e a filha, Ana Gabriela, 12 anos

Para conversar com Gabriel Cozza, 29 anos, é preciso estar familiarizado com vários termos em inglês, a começar pelos dois esportes que ele pratica: o hóquei inline e o wakeboard.

Nascido e criado em Bauru, aos 29 anos, Gabriel Cozza voltou mês passado do mundial de esportes sobre rodas, o Roller Games, realizados em Nanjing, na China. Ele defendeu a seleção brasileira de hóquei in-line e, em seu primeiro mundial, tornou-se o vice-líder da artilharia nacional. Gabriel Cozza fala sobre a vida desbravando oportunidades em um esporte onde o Brasil está engatinhando, "mas tem melhorado e está sendo feito um bom trabalho de divulgação da modalidade", exulta. Fala também sobre a sua outra paixão esportiva: o wakeboard, uma espécie de surf em que o atleta é puxado por uma lancha.

Jornal da Cidade - Você acaba de voltar de um mundial de hóquei é isso?

Gabriel Cozza - Na verdade existe o mundial da categoria, sim, só desse esporte, mas o campeonato que eu fui é muito maior. É um mundial de todos os esportes sobre rodas: o Roller Games. Lá estão todas as modalidades sobre rodinhas, tipo o skate, a patinação (de velocidade e artística) e também o hóquei no qual representei a seleção brasileira. Foi na China, em uma cidade chamada Nanjing.

JC - Quando o esporte, em especial o hóquei, entrou na sua vida?

Gabriel - Tinha entre 9 e 10 anos. Assisti a um filme na televisão e fiquei fascinado. Consegui um equipamento, um disco (que é pesado, por sinal) e eu e um primo improvisávamos na garagem de casa e disputávamos. O disco é o que temos que levar, patinando e usando o stick (um taco) até o gol do adversário. O objetivo é fazer o gol, como no futebol, só que o arremesso é com o disco e tem o equilíbrio dos patins, né? Ah, o equipamento de proteção é muito importante porque é um esporte de muito contato físico. E, depois, é um esporte muito desgastante fisicamente.

JC- Sério? Parece mais leve, vocês estão sobre rodas...

Gabriel - Só parece. O esporte é muito rápido, justamente por causa dos patins. Um vai e volta constante com muito toque entre os jogadores. Exige muito preparo físico e são muitas as substituições. A cada quatro, cinco minutos, o ideal é revezar. A gente, quando joga muito, fica em quadra um terço do tempo do jogo. O restante é rodízio constante.

JC - Legal que tem gols, devem sair muitos gols, né?

Gabriel - Não, nada disso. É como no futebol. Claro que há sacoladas, contagens grandes em jogos com níveis diferentes, um muito bom contra um muito ruim. Mas as finais entre as grandes equipes apresentam placares tipo 3 a 3, 4 a 4, no máximo. Esse é o normal. Neste mundial fizemos uma boa campanha, foram três vitórias, três derrotas e um empate, contra a Colômbia, que é uma das potências mundiais.

JC - E a gente soube que você se destacou na artilharia?

Gabriel - De fato, fiquei muito feliz. Eu fui o vice-artilheiro da seleção brasileira com cinco gols. O artilheiro teve seis. O trabalho que está sendo feito nesta seleção agora está muito legal. Tanto que o Brasil foi buscar um técnico estrangeiro, o Skyler Hoar, ex-jogador da seleção americana. Tivemos uma preparação muito boa. Tivemos uma preparação na Califórnia, nos EUA e foi muito bom. O trabalho que está sendo feito pelo esporte brasileiro, de base, de motivação, está sendo bom, positivo.

JC - Você está motivado.

Gabriel - Sim, voltei muito mais motivado. Quero estar junto nesta fase de projetos novos, ideias novas, estar perto para ver acontecer.

JC - Você também faz outro esporte, né?

Gabriel - Sim, sim. Sou wakeboarder, ou seja, praticante de wakeboard, que é um esporte na água. Muita gente já conhece de ver imagens em filmes, em reportagens de litoral, mas talvez não ligue o nome à imagem. É o surf que se pratica sobre uma prancha, mas puxado por uma lancha...

JC - Um esqui na prancha?

Gabriel - Isso mesmo, mais ou menos isso...mal-comparando.

JC - E pelo que sabemos você já está se dando bem.

Gabriel - De fato, acabo de conquistar o Campeonato Brasileiro de Wakeboard, já por antecipação. É um campeonato com etapas, você vai pontuando de forma que a pontuação que consegui recentemente em Avaré (na represa de Jurumirim) me garantiu o título na minha categoria (são várias as categorias, desde infantil, iniciantes, feminino até veteranos).

JC - Não vai largar o hóquei pelo wake?

Gabriel - De jeito algum, vou seguir em paralelo. E no caso do hóquei, inclusive, quero ir até quando conseguir jogar. Meu sonho é ainda jogar muito tempo e servir de exemplo para essa moçada que está vindo. Aqui em Bauru mesmo tem uma escolinha e é muito legal.

JC - Você ajuda? É professor nela?

Gabriel - Na verdade não dá por causa das competições e treinamentos, mas sempre que posso estou por lá. Eles têm todo o meu apoio. Eu gosto de mostrar as novidades para os novos. E puxando a sardinha para minha brasa, meu lado, gostaria que vocês, a imprensa, no caso o Jornal da Cidade, divulgasse o funcionamento dela.

P.S. O pedido, claro, foi mais do que atendido. 

A escolinha

Para meninos e meninas, a escolinha bauruense de hóquei in-line funciona de quinta a sábado e, para participar ou conhecer o esporte, basta ir ao Centro Esportivo Raduan Trabulsi Filho, na avenida César Improta, quadra 3, na Vila Santa Luzia. Na sequência, o interessado deve se apresentar a um dos três professores: Pedro Santos, Guilherme Carvalho ou Daiane Pauletto. As aulas são das 8h30 às 10h ou das 15h às 18h. Detalhe: o ambiente é bem descontraído e não raro as mães e pais aguardam os filhos na arquibancada, palco, muitas vezes, de um lanche comunitário. Bela integração. Coisas que o esporte também permite.

PERFIL

Gabriel é um amante dos esportes, mas em determinado momento da sua trajetória teve de escolher entre as modalidades e ganhar a vida. Foi quando, além de ter uma filha muito novo, aos 16 anos, foi cursar administração de empresas e se embrenhou pelos negócios da família. Ana Gabriela tornou-se outra paixão que o pai curte demais. Ela está com quase 13 anos. “Não tive o casamento formal, não casei com a mãe dela, mas ser pai é uma experiência maravilhosa e incrível. Procuro estar o mais presente possível na vida dela”, conta, agradecido e orgulhoso pela filha que tem. De volta aos esportes após alguns anos, Gabriel também tem o que agradecer: o conhecimento que se faz do mundo. Já esteve em vários continentes como na África, em vários países da América Latina, América do Norte, Europa e agora a Ásia. Ir à China tem suas peculiaridades. “Foi uma experiência maravilhosa e, às vezes, surreal, tanto esportiva quanto culturalmente. Conhecer a China e os hábitos dos chineses, suas comidas estranhas para nós, sempre é um choque. Nós, do time, andávamos com macarrão instantâneo na mochila (risos)”.

Arquivo Pessoal
Vibrando com gol da seleção