A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, afirmou que o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) "parece" ter assumido a posição de líder de uma organização criminosa. Em manifestação enviada ao Supremo Tribunal Federal sobre o pedido de liberdade feito pela defesa do peemedebista, ela afirmou que a prisão é "imprescindível" para a continuidade das investigações. O ministro Edson Fachin negou o habeas corpus.
Geddel está preso desde o dia 8 de setembro, quando foram apreendidos R$ 51 milhões em um apartamento em Salvador, durante a Operação Tesouro Perdido. O ex-ministro estava em prisão domiciliar - em julho, ele havia sido detido por tentativa de obstrução da Justiça. A defesa de Geddel disse que vai recorrer à Segunda Turma do Supremo contra a decisão de Fachin.
Segundo Raquel, "não há registro histórico no Brasil de apreensão maior de dinheiro e, ao que tudo indica, dinheiro público desviado e ocultado ilicitamente". A procuradora-geral afirmou que o "valor monumental" indica a gravidade do crime e "causa suficiente para um novo decreto de prisão". Em prisão domiciliar, Geddel conseguiria, de acordo com Raquel, "manter contatos, receber visitas, dar ordens e orientações que podem frustrar os objetivos das medidas cautelares na investigação".
A procuradora-geral alegou que está sob investigação uma "poderosa organização criminosa que teria se infiltrado nos altos escalões da administração pública, que seria integrada, segundo indícios já coligidos, por um ex-ministro de Estado e o ex-presidente da Câmara dos Deputados (Eduardo Cunha)".
A Tesouro Perdido apura desvios na Caixa Econômica Federal, com suposta participação de Geddel, que foi vice-presidente do banco no governo Dilma Rousseff, e Cunha, condenado e preso na Operação Lava Jato, em Curitiba.
Raquel destacou que Ministério Público Federal e Polícia Federal chegaram ao apartamento com base na delação de Lúcio Funaro, apontado como operador do PMDB. Ele disse ter entregado mais de R$ 11 milhões em espécie a Geddel.
A manifestação foi enviada o STF no dia 16 e a decisão é do dia 17. Fachin manteve Geddel preso, mas substituiu a preventiva de Gustavo Ferraz, aliado do ex-ministro, por prisão domiciliar. Em nota, o advogado Gamil Foppel, que representa Geddel, disse que a preventiva é "fundada em diligências de investigação contaminadas pelos mais diversos vícios de nulidade".
Fachin
O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, mandou soltar o advogado Gustavo Ferraz, preso com Geddel no dia 8 de setembro. Ferraz é suspeito de ser aliado do peemedebista e ter praticado crimes envolvendo a lavagem de dinheiro apurada no caso dos R$ 51 milhões descobertos em um apartamento em Salvador. Fachin determinou que Ferraz permaneça em regime domiciliar e pague fiança de cem salários mínimos.
A Polícia Federal encontrou digitais de Ferraz em uma parte do material apreendido no apartamento. À PF, ele disse que em 2012 recebeu dinheiro em espécie em São Paulo, destinado a Geddel. Ele presumiu que o dinheiro seria para campanhas do PMDB baiano. O advogado afirmou que "se sentiu traído por Geddel, por ele ter ficado com o dinheiro".