Outro dia, ao me deparar com mais um vazamento de água limpa, vertendo do asfalto (mais um entre milhares que meus olhos bauruenses já presenciaram nessa vida), parei a pensar e comecei a dar razão para essa fuga. Afinal, que crime ela cometeu para ficar presa?
Ela nasceu livre, há milhões de anos, e foi dona do seu destino até o aparecimento do homem na Terra. Foi presa e condenada a trabalhos forçados sem, ao menos, um julgamento justo! Não ouve sequer uma acusação formal, uma prova de crime!
Em Bauru, ela é sequestrada no Rio Batalha (em parte) e no "berço" da terra, para depois de "purificada" ser trancada em canos escuros e apertados ou frias e solitárias caixas; para depois ser violentada em limpezas de corpos e outros "objetos".
É muita crueldade! Fuja! Fuja enquanto pode! Da rua ela vai parar na sarjeta e daí ao bueiro que a conduz para os córregos e ribeirões municipais! Ouvi dizer que o destino final das águas bauruenses é o Rio Tietê. Olhem só! Mais um motivo nobre para a fuga!
Se milhões de litros de água limpa e tratada estão indo parar no Tietê, então estamos colaborando com a despoluição do grande e importante rio. O "grito de liberdade" das águas bauruenses é um movimento "estruturado" que já resistiu a vários prefeitos e não vai ser calado tão facilmente.