10 de julho de 2026
Articulistas

A dificuldade financeira das empresas

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 2 min

Levantamento realizado pelo Serasa apontou que um terço das empresas brasileiras passa por dificuldades financeiras. São cerca de 5,6 milhões de empresas de um total de 17 milhões.

O estudo do Serasa cruzou dados importantes que culminaram com o diagnóstico que indica risco de crédito. A constatação é que a maior parte das empresas que apresenta problemas com sua estrutura financeira se concentra no ramo das microempresas (faturamento até R$ 360 mil por ano).

As causas? Sem dúvida os dois anos de recessão e a demora para recuperação da economia neste ano podem ser apontadas com as principais causas, contudo, notadamente nas empresas de pequeno porte, o planejamento, ou melhor, a falta de planejamento é que potencializa os desequilíbrios financeiros.

Em parte, a explicação dos problemas financeiros para os pequenos empreendimentos vem da visão puramente operacional que os gestores possuem. Um bom técnico nem sempre é um bom gestor. Conhecem muito de uma parte específica.

Quando precisam lidar com fornecedores, gente, agentes financeiros, cliente, entre outros, a coisa não anda. Por falta de recursos, não conseguem investir adequadamente na estrutura interna e o resultado já conhecemos.

Também há os empresários que se "empolgam". O que é isso? Empreendem, conseguem sucesso, ou seja, bons resultados, se capitalizam e, por falta de estratégia de médio e longo prazos, ou canalizam recursos para sua vida pessoal ou imobilizam demasiadamente, utilizando todo recurso disponível.

Por vezes, são empresas que estão bem economicamente e muito ruim financeiramente, isto é, possuem patrimônio, mas não possuem liquidez. Considerando o contexto da economia quem sobreviveu neste período pode e deve mudar de direção.

Não é tarefa fácil "abastecer a nave em pleno voo", mas é possível. Por sinal, este período do ano é mais propício a dar uma guinada gestão das organizações. É o momento certo para discutir metas de vendas, custo e resultados.

É hora para analisar a estrutura de capital. Pode ser também o momento para diminuir de tamanho, estabelecer indicadores de desempenho e iniciar o ano com outra pegada. É a hora de elaborar o orçamento!

Por menor que seja o porte da empresa, sempre haverá espaço para um bom planejamento e isso passa pela disposição dos empreendedores em reconhecer suas limitações pedir ajuda. Isso não é sinônimo de incompetência e sim de sabedoria.

A visão tem que ser prática. As fraquezas devem ser atacas. As fortalezas potencializadas. As ameaças eliminadas e as oportunidades conquistadas. Não há tempo a perder com teorias, é focar em resultados e traçar metas factíveis que efetivamente atinjam a maturidade administrativa desejada.

Quanto ao levantamento do Serasa, o que temos na prática é constatação do que todos já sabem: empreender não é para amadores, que na adversidade surgem os estrategistas e que o dinheiro realmente não aceita desaforo.

Se faz parte das estatísticas das empresas com problemas financeiros, chegou o momento de inaugurar um novo ciclo em sem empreendimento. Vale a reflexão.

O autor é economista e articulista do JC.