| Ana Beatriz Garcia |
| O trabalhador rural Valentino Joaquim comemorou a boa notícia: “Estou feliz em saber que vou conviver com minha família. Agora vou me aposentar e quero fazer uma casinha” |
Foram 50 anos na lida da roça. De plantio em plantio, de colheita em colheita, Valentino Joaquim, 64 anos, há pouco mais de 20 dias, chegou ao Albergue Noturno de Bauru. Por lá, contou emocionado sua história. Em meio às desconsertadas lembranças da infância e adolescência na pequena Astorga, cidade do Interior do Paraná (420 km de Curitiba), Valentino entregou seu desejo de reencontrar a família. A distância, enfim, acabou.
Depois de algumas dicas escassas, a assistente social Joyce Artur Rosa e a coordenadora do Albergue Noturno, Francine Tamos da Silva Rodrigues, iniciaram uma busca para que Valentino deixasse o "trecho" e voltasse à cidade natal. "O retorno à família é uma de nossas metas, mas, em alguns casos, os adultos desistem no meio do processo. No caso do Valentino, por conta da idade, achamos muito importante que desse tudo certo e, rapidamente, deu", afirma Joyce.
"Um reencontro que dá certo já vale pelos que acabam não tendo sucesso", completa Francine. Ainda segundo a coordenadora do albergue, a rapidez para encontrar a família do trabalhador rural também contou com um ingrediente a mais. "As dicas que ele nos deu sobre a família eram muito vagas, mas tivemos sorte. A cidade é pequena e a família, além de muito grande, nunca saiu de lá", comenta.
A BUSCA
As agentes do albergue chegaram até uma irmã de consideração por meio de um codinome de um primo, "Zé goleiro". Valentino disse que ele trabalhou para a prefeitura há 10 anos. "Ligamos para a prefeitura e para o local onde ele trabalhou. Sem sucesso. Poucos dias depois, uma sobrinha dele ficou sabendo da procura e entrou em contato conosco. Foi assim que chegamos nela e na irmã de consideração que o recebeu em sua casa", conta a assistente social responsável pelo caso.
Assim, no dia último dia 7, o esposo de uma sobrinha, que mora em Piratininga, foi ao albergue para conhecer Valentino e levá-lo até a cidade de onde saiu aos 14 anos. Durante os últimos anos, ele só teve contato com outros familiares que moravam em cidades da região. "Estou feliz em saber que vou conviver com minha família. Agora vou me aposentar e quero fazer uma casinha. Se deixar, eu volto para a lida, porque não gosto de ficar parado", conta Valentino.
Uma das saudades dele é o irmão mais velho. De acordo com a assistente social, a família também revelou que existe outro irmão de Valentino que está perdido, pelo "trecho". "Infelizmente, ele não soube precisar o nome do irmão para que procurássemos em nosso sistema. Mas esperamos que, se o irmão der entrada no Albergue, consigamos o ajudar como fizemos com o Valentino", finaliza Joyce.